Eugénia Melo e Castro canta Vinícius de Moraes – 24 anos depois
O álbum ‘Eugénia Melo e Castro canta Vinícius de Moraes’ chegou ao público no ano de 1994, há exatamente 24 anos. Produzido por Wagner Tiso o disco se tronou histórico não apenas pelo repertório do poetinha em voz lusitana, mas por trazer o piano do mestre Tom Jobim na faixa ‘Canta Mais’, em uma de suas últimas gravações e Egberto Gismonti em duas faixas. A Som Livre relança esse projeto encerrando as comemorações dos 60 anos da Bossa Nova.
Além dele, a cantora e compositora Eugénia Melo e Castro acaba de lançar pelo Selo Sesc o álbum Mar Virtual, no qual revisita a obra de seu pai, o poeta concreto português E. M. de Melo e Castro, musicando 10 poemas, na companhia de Emilio Mendonça (piano) e mais duas autorias em parceria com Mário Laginha, uma de Gil Assis, e uma de Ana Deus/ Alexandre Soares (14 poemas musicados, no total). Neste genuíno encontro entre pai e filha; entre voz e poema; entre experimentação e desafio, filha e pai conjugam, em uníssono, o amor e o afeto pela palavra e a música. ", avalia o jornalista Jorge Henriques Bastos.
Sobre a gravação de Vinícius, Eugénia relembra o processo de escolha e gravação:
“A ideia de gravar um disco de homenagem a Vinícius de Moraes cada vez fazia mais sentido para mim.
Desde sempre eu imaginava aqueles poemas cantados por mim, no som da língua portuguesa que se fala em Portugal, no som diferente das palavras, das sílabas, nas divisões, no tempo dos verbos, na intenção e na construção das frases. Cheguei a imaginar Vinícius a escrever com a nítida intenção de um dia ouvir um cantor português cantar os seus poemas.
Fiz a seleção das músicas sempre com essa sensação. Descobri em Vinícius um Poeta também compositor de música, senhor da melodia das palavras, parceiro de si mesmo, parceiro também de Tom Jobim, de Cláudio Santoro, de Baden Powell e de Edu Lobo.
O meu disco "Canta Vinícius" estava desenhado na minha cabeça.
Acordava Vinícius e dormia Vinícius.
Convidei Wagner Tiso para dividir a produção comigo. Construímos um conceito camerístico, quase solene, que se desenvolveu e cresceu com as participações brilhantes de todos os músicos convidados.
Aproveitamos e gravamos o disco inteiro no piano do Tom Jobim, que ainda estava no estúdio desde a última gravação do disco dele, pedimos autorização para usar, e assim foi, tudo meio secreto.
Um dia o Tom Jobim e o Chico Buarque pediram para invadir uma tarde de estúdio, e do piano, dentro do meu horário, porque precisavam gravar "Choro Bandido" para o Songbook do Edu Lobo.
Eu "autorizei" e o primeiro a chegar foi o Tom. Ele entrou no estúdio, estávamos a trabalhar numa música, e ele perguntou, que música é essa? Era dele....... rimos, e ele perguntou, Géninha, o que você está gravando exatamente? E eu contei, estou a gravar um disco em homenagem a Vinícius e por acaso 60% das músicas são suas. Ele riu e perguntou: Quais músicas minhas ainda não foram gravadas? Eu respondi, CANTA MAIS. Ele levantou-se, olhou para o Paulinho Jobim, que estava com ele, e disse, Paulinho, por favor tira o tom dela, amanhã estamos aqui às 11 da manhã. E foi o primeiro a chegar no dia seguinte. Estávamos no final de Agosto de 1994.


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