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terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Do jornalista e diretor do jornal Diário dos Açores, OSVALDO CABRAL


Bom natal... a ver milhões a voar!

O Pai Natal chegou mais cedo à SATA. 
Desfez-se do “cachalote” e veio de trenó, para entregar um aval que nos pode queimar como a chaminé por onde desceu.
A nós, contribuintes, saiu-nos a fava.
O aval de 65 milhões de euros da Região, sem o qual o Deutshe Bank não emprestaria um cêntimo, vai cair em cima de todos os açorianos daqui a 10 anos, caso a SATA não consiga cumprir com o empréstimo obrigacionista, como parece ser evidente.
Mesmo somando aos 40 milhões que o governo vai injectar na empresa, não chegam para cobrir os 152 milhões de euros só da dívida bancária da Air Açores a 31 de Dezembro de 2017.
Por isso, embandeirar em arco, como faz a administração da SATA, não é de bom tom, a não ser que o prometido “processo de reestruturação” seja uma realidade a curto prazo, em vez de andarem a engonhar com mais dívidas e aumentando o passivo da empresa. 
Não fosse o esforço do comissionista, que se viu grego para vender o empréstimo obrigacionista (teve que convencer os alemães durante mais de um mês de que se a SATA não pagasse, o governo assumiria a factura), e não haveria empréstimo nenhum.
Por isso a comissão foi de 400 mil euros!
A única coisa boa deste empréstimo é que a taxa contratualizada é fixa (2,711). 
Não é uma taxa muito má, mas também não é fantástica. 
Vale aqui o aval do governo, isto sim uma novidade no que diz respeito à SATA, porquanto demonstra que já não possui activos suficientes para convencer os credores, com estes a exigirem que o governo se responsabilizasse.
Estes 65 milhões podem resolver, para já, compromissos urgentes, que são muitos, mas dizer que vai permitir um “plano de exploração para os próximos anos” já parece exagero.
Até ao final deste ano a SATA tem que devolver ao governo 25 milhões de euros e começar a pensar na operação do próximo ano, que já devia estar traçada e anunciada a todos os operadores.
Depois, tem que se decidir: vai ou não novamente ao mercado para privatizar os 49%? 
Com o mesmo caderno de encargos que não atraiu ninguém? 
Com a mesma postura de se esconder nos gabinetes e nem sequer um road show pelas principais praças investidoras?
De resto, politicamente, este empréstimo vem mesmo a calhar para Vasco Cordeiro. 
Amanhã, na Comissão de Inquérito, vai argumentar que a companhia tem crédito internacional e tenta tapar a boca à oposição.
Se ela for esperta dirá que o governo trata a SATA como trata os pobres: primeiro coloca-os na penúria e depois arma-se em seu salvador...

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MANÁ NATALÍCIO - Os cofres públicos da região estão de pantanas e há que arranjar dinheiro nalgum lado.
Como não cai no sapatinho deste natal, o governo vai esperar pelo início do próximo ano para pôr à venda uma série de activos turísticos, desde unidades hoteleiras a campos de golfe, com o atractivo de ter apoios a fundo perdido.
Um maná para investidores do exterior, já que os de cá de dentro também estão tesos que nem um carapau.
O que ficará à venda: a rede de Pousadas da Juventude nas várias ilhas; Hotel Colombo, em Santa Maria; Graciosa Hotel; Hotel do Inatel nas Flores; Quinta de Nasce d’Água e Quinta de S. Carlos, ambas na Terceira. 
Há ainda os dois campos de golfe em S. Miguel, Batalha e Furnas, com a possibilidade de construir complexo turístico (projecto já aprovado) no interior do campo da Batalha, e com apoios a fundo perdido até 65%.
Surpreendido, não é?
Que o governo porta-se como sendo dono disto tudo, já sabíamos, mas que era dono de quintas na ilha Terceira...
Que raio de negócios é que fez que a gente não sabia?
Haverá mais “quintas públicas” por aí espalhadas que a gente não saiba?
Parafraseando o Sr. Presidente: o que é que o governo sabe que a gente não sabe?

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CARTA DE NATAL - Faz sentido devolver tanta coisa pública ao privado, depois de provado que pouco ou nada funciona nas mãos dos políticos.
Podiam fazer o mesmo com o Livro de Reclamações.
Um grupo de amigos, jornalistas do continente, desfez-se em elogios com a forma como foram recebidos e tratados no Campo de Golfe das Furnas, onde jogaram sob um radioso dia de sol deste inverno.
Queriam deixar a alguém da tutela um testemunho elogioso e lembraram-se de escrever no livro de reclamações do campo de golfe, onde se desfizeram em elogios.
Poucos dias depois recebem em casa uma carta da Inspecção Regional de Turismo acusando a ”reclamação contra as Ilhas de Valor” e anunciando que “foi determinado por despacho do Inspector Regional de Turismo, a instauração de um processo de averiguações, a fim de aferir as circunstâncias e gravidades das ocorrências relatadas, e eventual aplicações de sanções previstas na lei”.
Incrível, não?!!
Tive que explicar aos meus amigos que faz sentido.
Os organismos públicos andam como o nosso governo: não vivem neste mundo.

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O PAI NATAL VEM DE SATÉLITE - O Secretário Regional dos Anúncios Estratosféricos (Balões e Satélites) anda numa competição de entusiasmo com o seu colega Ministro da Ciência, sobre quem mais anuncia manifestações de fé científica para a ilha de Santa Maria.
Enquanto um releva as vantagens para os Açores, o outro vai envolvendo nos projectos universidades do continente, empresas do continente, fundações do continente e cientistas do continente.
A carne para eles, o osso para nós.
Sob o nosso silêncio, vão vendendo aos bocados as nossas ilhas, o que até faz sentido, já que provamos, ainda agora, que nem a SATA soubemos vender.
Nos últimos dias ficamos a saber, como resultado da visita ao nosso país do presidente chinês, que afinal a grande aposta da rota da seda marítima é no porto de Sines e a fábrica de satélites será em Matosinhos.
Lá se vai o famoso ‘hub’ do porto da Praia da Vitória, restando-nos a rampa de lançamento... da euforia estratosférica dos nossos governantes.
Tem tudo a ver com a quadra que atravessamos.
Que esta fé seja fortalecida e jamais esmoreça.
Bom Natal e até para o Ano!

Osvaldo Cabral (Diário dos Açores; Diário Insular; Multimedia RTP-A; Portuguese Times EUA; LusoPresse Montreal; Milénio Stadium Toronto)
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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