Deito um olhar nos meus tempos de menino e moço e, apesar de todas as dificuldades vividas, sinto saudades das correrias para a chaminé, depois de alguém bater numa das portas, fingindo ser o Papai Noel. Ficava feliz com um simples brinquedo de folheta e/ou de madeira feito pelos presos da cadeia de Angra do Heroísmo e que eram colocados à venda fora do estabelecimento prisional. Mas, também, no sapatinho não podia deixar de conter um ou mais chocolates. Era assim. Hoje, tudo é bem diferente. Tudo é sofisticado, do melhor que existe no mercado. O avião que sai do chão e faz acrobacias, idem os carros policiais e não só estes. Os tempos são outros e, inclusive, a criançada já exige, ou seja, pedindo do melhor que há no mercado, efeitos da nova tecnologia que, naquele tempo (anos 50, por exemplo), nem se sonhava. Sonhava-se sim com uma bola de borracha e só os filhos dos ricos podiam chegar a uma bicicleta ou triciclo, o mais usual naquela época. Mas, mesmo assim, nós os pobres eramos felizes. Mentiria, por outro lado, se não dissesse que aflorava uma pontinha de inveja em relação aos que tinham bicicletas e triciclos.
Voltamos ao momento atual. O meu amigo Bernardo Henrique, que sempre chamo de "piratinha", com cinco anos de idade e que reside na cidade de Natal (Rio Grande do Norte), sonhava neste Natal ter uma bicicleta. Quando tomei conhecimento dessa pretensão, olhei para o meu espelho do passado e lá enviei para a avó um dinheiro para que ele tivesse a sua bicicleta e com ela andar a brincar com os outros meninos do condomínio que já possuem triciclo ou bicicleta. Sei que amanhã ele lá estará feliz e radiante por possuir o que mais desejava neste Natal de 2018.
E, com este gesto, voltei a vestir a pele de criança, mas, desta feita, uma criança que ombreava com os ricos ou remediados.
Feliz Natal, meu amigo Bernardo Henrique, o "piratinha".



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