Anda por aí um frenezim, uma azàfama, uma tremideira, um rol de criticas e dúvidas sobre a contaminação de solos, e águas para consumo, doenças contagiosas e outros afins, que os Malvados dos Amaricanos que andaram tantos anos nas Lajes deram à sola e deixaram como herança à população terceirense. A fazer fé nalguma opinião publicada, investigadores, cientistas, laboratórios nacionais especializados na matéria, técnicos locais com vasto curriculum e não sei quem mais, está provado que os amaricanos da Base dasLajes deixaram-nos pôdres.O meu amigo Carlos, que trabalhou uma data de anos Na Base, diz que é tudo mentira. Que andam a inventar, que nunca se falou de nada enquanto lá trabalhou. Cá pra mim ele é suspeito, pois foi chefe e veio para casa com uma indemnização choruda!.... O certo, é que "a verdade é só uma e a radio Moscovo não fala verdade", como dizia o Governo Português, antes do 25 de Abril de 1974! Na Base, arredores, Cabrito, Pico Celeiro (?). Como?Pico celeiro não? I am sorry...está tudo contaminado. Fizeram-se uns furos e esguichou, há quem diga petróleo e outros, mijo de burra ou leite de vaca, que ao preços actuais, têm valores muito parecidos... .Já que estou com a mão na massa, e aquela cena recente dos despejos em Santa Rita, com amaricanos pelo meio e nada que o "monim" não tenha resolvido?O certo é que o caso deu direito a vir uma televisão nacional por aí abaixo e que arranjou uma novela chamada "Lajes Confidencial " que descobriu tudo e até trouxe franceses para com uma máquina com um tubo de cobre (ou inox?), nos explicar tudo muito clarinho. A TVI é que tem a máquina da verdade original. O resto são imitações que nem a Cristina nem o Goucha conseguiram disfarçar. A dita TV ainda descobriu a pólvora ou seja uma coisa que eu desde pequenino ouvia falar. Houve gente portuguesa a dar filhos aos amaricanos.A minha vizinha Albertina que gosta muito de mandar bocas diz-me: Para quê tanta chinfrineira ? Enquanto a vaca deu, andou tudo caladinho, e agora com vacas magras vêm esses senhores mandar bocas... Passa fora...O certo é que dei comigo a pensar nos tempos que a Base das Lajes era uma "Mini cidade americana." Havia os Clubes de Sargentos e Oficiais da Força Aérea Portuguesa, onde se comia e bebia à fartazana, sempre com os chocolatinhos amaricanos e wisky em dose dupla, ao preço da Chuva. Os bailes de Carnaval e passagem de ano eram muito concorridos. Tornar-se sócio de um desses clubes era o que muitos civis portugueses faziam. Pagava-se a quota anual e ficava-se com direito e entrar na Base. O resto dependia da arte e engenho de cada um!...Os Amaricanos tambem tinham 2 clubes. Um para sargentos (NCO), com o seu carry out, onde se compravam umas garrafas de wisky, chocolates, aperitivos, etc. Pagamentos sempre em dolares que circulavam em concorrência com o escudo....O Clube de Oficiais Amaricanos era mais seletivo. Tinha uns maquinas de jogo (slot machines) e às sextas feiras à tarde havia o "happy hour", onde havia de borla uns pratinhos com asas de galinha, fiambre e queijo.A cerveja americana era vendida a metade do preço.Nestes clubes também havia bailes, tal como nos clubes portugueses.Os "camones" tinham ainda: cinema, High School(liceu), piscina, bowling, enfermaria, snack bar, clube de caça e pesca, Bx, classe VI, commissário (só pra amaricanos), ginásio, etc,etc. Era um desatino completo nos tempos aureos da Base das Lajes, o famoso "cerrado grande". Quem na Ilha Terceira nunca comprou na Base, diretamente ou por interposta pessoa ? Quantos frigorificos e outros electrodomésticos, aparelhagens sonoras, mobiliario de jardim , etc, etc, não sairam pelo Posto 1, famosa porta de entrada e saida da Base ? No BX (cantina americana) compravam os americanos,empregados portugueses, militares portugueses(oficiais e sargentos)- com ou sem negócios de messe-?!...e convidados da força aérea (prós amigos e autoridades portuguesas), fora as pessoas consideradas com estatuto social!... Os mais pobrezinhos, como se deve calcular.... Ao snak bar e clube de caça e pesca ia o zé povinho. Hamburgers pizas, coca-cola, ice-cream e tantas outras coisas.... Os empregados chegavam a dar fiambre e queijo amarelo para trazer para casa. Não era bodo... Era só para alguns...nO bX DOS POBRES (clube de caça e pesca), onde não havia restrições de entrada, a oferta era pouca, mas bem bom. Uns ch0colates, aperitivos, gelados, meias, tenis Nike. Tudo a bons preços. Na altura, havia vários milhares de americanos que traziam as familias. O Alojamento na Base não dava para meia missa e então recorria-se ao arrendamento nas zonas limitrofes, nomeadamente Praia da Vitória e concretamente a Rua 25 de Abril, onde casa porta sim, porta sim, morava uma familia americana. Junto às casas, eram quase só carros de matricula americana(as banheiras).Era tudo à grande. O Porto Martins era também local muito procurado para residência dos américas. As tantas a oferta de casas do mercado português não chegava e as USAF (forças armadas americanas) queriam a sua tropa mais pertinho. Toca de mandar construir bairros de moradias na zona circundante da base, paredes meias com Santa Rita....Tudo com bom aspecto. Os milhares de empregados portugueses gostavam do patrão, que pagava bem e a tempo e horas (era o Pay day à quinzena). Na pista do aeroporto os aviões movimemtavam-se com frequência. Então no tempo de crises: Vietnam e Israel, por exemplo, era um vai e vem de aviões, caças e reabastecedores aéreos....Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e as circunstâncias, e os Americananos vão aos poucos reduzindo o efetivo militar da Base das Lajes e consequentemente os empregados portugueses vão indo para casa, devidamente compensados. Dá-se quase um apagão da Base das Lajes que se tornou hoje numa caritura do que vos descrevi. Quase tudo acabou. E é neste contexto de pura coincidência, que começam a surgir os problemas,que inicialmente descrevi e que durante décadas nunca foram vistos, falados ou sequer imaginados....A história,no tempo próprio, nos contará. Até lá que vivam com "estórias". Até à próxima.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2019
As "fialhadas" do FRANCISCO FIALHO
Sobre o autor
Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...
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