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485º Aniversário da Cidade de Angra do Heroísmo

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Da poetisa-escritora Manoella Calheiros


A penumbra bordou outonos e primaveras ressuscitadas,
No alpendre, de vidros de papel de luzes,
Pintado de sonhos amarelos,
De ti, de mim e de nós,
Não sei se o tempo perdido tem memórias,
Vagueiam na alma, como vagabundas esfarrapadas,
Vandalizam o sossego, e implacavéis,
Recordam os juncais de abraços,
Pintam corações nas dunas,
Onde chamamos o mar de algas ternas, 
Para acordar connosco, naquela noite que não dormiu e viu o sol acordar.
Na serrania da paixão de vestidos negros, Céus de luto choraram nos umbrais, dias inteiros e noites impiedosas,
A solidão descia as avenidas de suspiros brancos, procurando consolo,
Sempre vivas cor de fogo, morreram, o relógio de areia negra parou,
O rio feito de redemoinhos, decidido e revoltado, arrastou a procissão de suspiros e esperas,
A alba imaculada, penteou os cabelos das feridas, 
Ressuscitou brisas e sombras dos ares gelados da saudade.

Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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