A penumbra bordou outonos e primaveras ressuscitadas,
No alpendre, de vidros de papel de luzes,
Pintado de sonhos amarelos,
De ti, de mim e de nós,
Não sei se o tempo perdido tem memórias,
Vagueiam na alma, como vagabundas esfarrapadas,
Vandalizam o sossego, e implacavéis,
Recordam os juncais de abraços,
Pintam corações nas dunas,
Onde chamamos o mar de algas ternas,
Para acordar connosco, naquela noite que não dormiu e viu o sol acordar.
Na serrania da paixão de vestidos negros, Céus de luto choraram nos umbrais, dias inteiros e noites impiedosas,
A solidão descia as avenidas de suspiros brancos, procurando consolo,
Sempre vivas cor de fogo, morreram, o relógio de areia negra parou,
O rio feito de redemoinhos, decidido e revoltado, arrastou a procissão de suspiros e esperas,
A alba imaculada, penteou os cabelos das feridas,
Ressuscitou brisas e sombras dos ares gelados da saudade.

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