1.Flor de mar palma ondulante no duro chão dos meus olhos faz estrada
Seara fria deste fogo casa intemporal dorida ao alto do meu peito esta lua escurecida nomeando tempos em que marés tontas de vida arquitectam tectos de minhas moradas emuralhadas esquecidas
Cordão e traço entre mim e a ilha.
2.Encostada à casa dos dias
Solto-me inquieta no voo das cagarras milhafre de só vestido permitidos fusos de longitude Ilha e eu num poço de negrume em curvas engendradas terra e peito curva do queixo lassa lenta devassada e nua
Morando nos olhos cruzetas de lava
3.Mistérios estão para acontecer de encontro a este fogo nascido e herdado
Lentura deste viver-se esmoendo o horizonte
Com um cais de permeio
E um arco-íris molhado
4.Soltando-se deste centro concêntrico
Herdam-se fios de água em mormaço de gaivotas
E subitamente
É-se fruto deste espaço coração e aço
Porque nos sabe vorazmente o hálito a voo asa e barco
5.Regresso onde a lentidão se mede no corpo medido
Transformada num humoso chão islenho onda de dor parida ensanguentada
Boiando nos olhos o resto das coisas em que nos nasce o que de nós acorda ecos de nove lamentos no mar descampado

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