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485º Aniversário da Cidade de Angra do Heroísmo

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Da poetisa-escritora MARIA AZEVEDO


1.Flor de mar palma ondulante no duro chão dos meus olhos faz estrada
Seara fria deste fogo casa intemporal dorida ao alto do meu peito esta lua escurecida nomeando tempos em que marés tontas de vida arquitectam tectos de minhas moradas emuralhadas esquecidas 
Cordão e traço entre mim e a ilha.

2.Encostada à casa dos dias 
Solto-me inquieta no voo das cagarras milhafre de só vestido permitidos fusos de longitude Ilha e eu num poço de negrume em curvas engendradas terra e peito curva do queixo lassa lenta devassada e nua 
Morando nos olhos cruzetas de lava

3.Mistérios estão para acontecer de encontro a este fogo nascido e herdado
 Lentura deste viver-se esmoendo o horizonte
 Com um cais de permeio 
E um arco-íris molhado 

4.Soltando-se deste centro concêntrico 
Herdam-se fios de água em mormaço de gaivotas
 E subitamente
 É-se fruto deste espaço coração e aço 
Porque nos sabe vorazmente o hálito a voo asa e barco  

5.Regresso onde a lentidão se mede no corpo medido 
Transformada num humoso chão islenho onda de dor parida ensanguentada 
Boiando nos olhos o resto das coisas em que nos nasce o que de nós acorda ecos de nove lamentos no mar descampado 

Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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