Quando iniciamos 2018 o mundo tinha acordado com uma série de incertezas.
A economia teimava em não reanimar na Europa, enfrentávamos ameaças de proteccionismo de Donald Trump, temíamos os efeitos do Brexit e as mudanças políticas com as eleições em vários países europeus, onde era manifesto o populismo da extrema direita, para além da crise no sistema financeiro.
A agravar o cenário, crescia a crise dos refugiados, o recrudescimento dos conflitos armados e a possível intensificação de actos terroristas. Concluído 2018, pouco ou nada mudou, mantendo-se as inúmeras
incertezas e algumas agravadas.
Escrevíamos, então, que na nossa região podíamos vislumbrar alguma esperança com o crescimento do turismo e que, se soubéssemos aproveitar o ritmo, alguma coisa poderia mudar, sobretudo ao nível do investimento em todas as ilhas, para criar riqueza e empregos.
Chegados a 2019 e já podemos concluir que o ano velho foi mesmo para esquecer.
Com um quadro comunitário até 2020 bastante favorável e com a ajuda do sector turístico, devíamos ter aproveitado ao máximo todos os recursos ao nosso dispor.
O problema é que o sector privado não correspondeu como se esperava, por força da crise que ainda ameaça muitas actividades, sobretudo na agricultura e pescas, da retracção dos bancos e pela cultura, errada, que se instalou nestas ilhas, segundo a qual o sector público deve dominar tudo e o privado submeter-se à boa vontade do poder político.
O sector público foi mesmo um desastre, engolindo toda a riqueza da nossa economia e ainda deixando uma pesadíssima herança para as novas gerações.
Basta ver o que se passou na SATA, cujos prejuízos quase que ultrapassam os proveitos da hotelaria.
Ou seja, estamos a crescer no turismo para pagar os desmandos do sector público.
Como é que uma região poderá avançar assim?
E já no ano velho alertávamos: andam por aí espalhadas inúmeras empresas públicas sem produtividade alguma, falidas até ao pescoço e que se vão alimentando, sucessivamente, dos nossos impostos e de dinheiro que deveria ser aplicado em investimento reprodutivo.
Não há sinais de que este caminho se alterou, pelo que o mais provável é que iremos ter mais um 2019 perdido, que se poderá agravar com o desaceleramento do turismo.
Continuaremos com os piores índices sociais do país e da Europa, com níveis de pobreza galopante, com uma reestruturação do sector público empresarial falhada e com o credo na boca relativamente à SATA, as asas de todos os açorianos, que não pode morrer, mas também não pode continuar assim.
Continuaremos com o crescimento da dívida pública regional e com contas pouco abonatórias, como alertou no final de 2018 o Tribunal de Contas.
Pelo mesmo caminho vai o investimento estrutural - como também já tínhamos alertado no ano passado - nomeadamente nos nossos portos, essenciais num futuro, em que o transporte marítimo será a grande estrada das novas economias, e ao nível dos aeroportos, também a necessitarem de intervenções profundas (Ponta Delgada, Pico e Faial).
Ao lado de hipotéticos investimentos em foguetões e satélites, vamos assistir em 2019 ao aumento da lista dos beneficiários do RSI e das listas de espera para cirurgias nos nossos hospitais.
Não é pessimismo, é a realidade que assistimos em 2018 e que começa a ser padrão nestas ilhas.
Oxalá que o novo ano traga algum milagre que inverta essa tendência.
Bom 2019!
(Diário dos Açores de 01/01/2019)

Sem comentários:
Enviar um comentário