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485º Aniversário da Cidade de Angra do Heroísmo

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO (pai)


ENVELHECER

Envelhecer não é gastar a vida,
Não é chegar ao fim desta jornada,
Mas, sim, viver a vida já vivida…
Mas, sim, lembrar a vida já passada.

Recordação de mágoa dolorida,
Lembrança duma lágrima chorada!
Envelhecer não é ver percorrida
Esta bem longa e pedregosa estrada!

Envelhecer … não custa envelhecer,
Àqueles que viveram sem sofrer
Esta eterna, esta indómita ansiedade!

Envelhecer …Olhar o firmamento,
Á hora do sol-pôr e, num momento,
Viver toda a tortura da saudade...


NATAL QUE NÃO VOLTA…

Antigamente,
Quando a vida me sorria,
No tempo em que brincava,
E alegremente
Corria
E saltava…
Nesse tempo em que solteiro de ilusões
Acreditava
Nas fadas
E nos Papões…
Enfim,
Antigamente,
A vida para mim
Era bem diferente! …

O Meu Jesus
Trazia-me sempre um presente…
Um lindo brinquedo
Que eu pedia
Muito em segredo! …
… E recebia-o contente ! …

Como outrora,
Eu quisera
Agora –
- Doce quimera –
- De novo encontrar
Não um brinquedo lindo
Que me pudesse encantar…
Mas, um pouco de beleza
E um pouco de alegria
Que viessem aliviar
Esta funda tristeza …
A minha melancolia …

E de manhã de manhãzinha,
Devagar, pé-ante-pé,
Eu corri à chaminé! …
E o meu sapato,
Nessa manhã ainda escura,
Nessa manhã de frio
E esmaecida,
Lá estava, nu , vazio,
Como anda vazia a nua
De ventura
A minha vida ! …

E a minha alma sismadora,
E triste,
Triste e sonhadora,
Acalentou essa esperança
Dos meus tempos de criança,
Dos meus tempos de bebé;
Ir encontrar a ventura
Num sapato, à chaminé!!!...

ADEUS

O teu adeus, o adeus que me acenaste,
Nessa noite de dor e de incerteza,
Tinha a límpida e mágica pureza
Dos sonhos cristalinos que sonhaste!

Não foi no triste olhar que me lançaste,
Que vi tombar a trágica tristeza…
Foi nesse adeus, tão cheio de beleza…
Foi nesse longo adeus que me acenaste …
E o teu olhar, tão doce, tão profundo,
Igual á mágoa imensa em que me afundo,
Irmão daquele adeus que me deste,
Diz-me, talvez, talvez amargamente,
Aquilo que a tua alma, há tanto sente,
E que tu, meu amor, nunca disseste ! …

Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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