Ventanias antagónicas
Já não te provoco,
Desisti,
Deixei de sentir o gosto dos teus beijos,
Já não me arrepio com o leve toque dos teus dedos,
Esqueci o teu cheiro a avalanches de rosas,
Não estremeço com o trinque da porta.
Já não te espero,
Cansei,
Velas com aroma a morango e alfazema apagaram-se,
A cama vestida de finos linhos e rendas não te estranha,
As fogueiras de labaredas de fogo não ardem,
Aquele amor que parecia eterno exalou o último suspiro,
Guardei o ligueiro, as meias de seda e as "picardias"
Espero o amor,
Sempre,
Vestida para amar, atrevida e provocadora,
Adormeço num leito de afetos,
Onde as primaveras e os luares de Agosto me abraçam,
Enquanto atravesso destemida rios de vidas por viver,
navegando em mares de audácia,
Onde sempre vivem amores amados,
Espreguiça-te e olha-me nos olhos.

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