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sexta-feira, 26 de julho de 2019

Da escritora Graziela Veiga - A PROPÓSITO DO DIA DOS AVÓS!!!


A PROPÓSITO DO DIA DOS AVÓS!!!

Hoje, por ser dia dos avós, apetece-me falar desses seres que, à partida, deviam ser pessoas amorosas para os seus netos, mas na verdade, nem sempre corresponde à realidade. 

Da experiência que tenho da minha infância, não posso dizer que conheci o amor de uma avó, pois a única que conheci, foi a minha avó paterna, que nada teve para dar aos netos, nem que fosse um beijinho. Foi uma pessoa distante, fria e desprovida de afectos. 

O mesmo não posso dizer dos meus avôs. O meu avô António, avô paterno, das Doze Ribeiras, apesar de ter falecido quando eu tinha 6 anos, lembro-me da pessoa afectuosa que era e o amor que nutria pelos netos. Era um homem cheio de paciência. Fazia carros de ladeira para os netos e ainda, o que eles pedissem, desde que estivesse ao seu alcance. Na altura tinha uma oficina de carpinteiro, onde fazia caixões para mortos e lembro-me como se fosse hoje, quando ele estava a pregar os caixões e nos sentava dentro. Por isso, perdi completamente o medo a caixões e a pessoas mortas. 

Como tinha comércio, trazia quase sempre nos bolsos, bombons, para nos oferecer. Que alegria quando o víamos! Até no dia que faleceu, logo pela manhã, antes de ir assistir à missa, (onde veio a falecer com 77 anos), veio ao encontro dos netos e deu um beijinho a cada um e rebuçados. A última recordação que guardo do meu avô António. 

Quanto ao avô da Serreta, como nós o tratávamos, de seu nome Manuel, também guardamos boas memórias. Mal chegávamos a casa dele, pedíamos a sua benção, pois fazia parte dos bons hábitos, e o meu avô era uma pessoa conservadora, por isso, gostava que o fizéssemos, sinal de educação e veneração. 

Ainda consigo lembrar-me a alegria que sentia ao avistar-nos na curva do caminho, antes de chegar a casa dele. Logo vinha receber-nos com muita alegria, oferecendo-nos o que de melhor tinha para comermos. Outra forma de amar os netos, tratar-nos com as melhores iguarias. Era assim, o meu avô da Serreta. 

Invejo, no bom sentido, as crianças que têm avós que lhes dão carinho, amor e passam com eles momentos únicos e de grande aprendizagem para a vida, pois aqueles que são amados pelos avós, são crianças mais felizes. 

E por ser dia dos avós, também lembro os meus avôs, aqueles que o souberam ser e que me marcaram no bom sentido. Desses, guardo as melhores recordações e sinto saudades, muitas saudades. 

26-07-2018
Graziela Veiga.

Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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