Por vezes parece que somos os donos do universo, e em alguns somos realmente,
Aqueles que se atrevem a ser donos de si, a deixar o mundo de faz de conta,
O ouvir ao acordar a água que corre veloz por regatos de musgos multicolores,
A vibrar com a música dos melros e rolas que dormem aqui,
A deslumbrar - se com o nascer do sol e a desgarrada dos galos ainda de madrugada,
A tomar o café encostada ao umbral da porta enquanto o João, o Manel, a Becas, o Branquinho e o Ben lhes faltam mãos para aplaudir a minha presença.
Por vezes, muitas vezes sou dona deste enorme bocadinho de Céu ao olhar o marmeleiro, a ameixoeira e todas as outras árvores e ver os frutos crescer e mudarem de cor,
Ao receber a gente que quero por aqui, nesta casa antiga e humilde, com cantareira e namoradeiras, que me alimenta a alma,
A casa única da Cinderela.

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