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domingo, 18 de agosto de 2019

Do astrólogo Luís Moniz - “A Moral“


“A Moral“

Relativamente à moral, por causa do sentido que muita gente dá a esta palavra que se tornou ambígua, considero que ela está cada vez mais maltratada. 

Moral não significa obediência a normas sociais, religiosas, políticas, etc. Ora, é assim que muitos dos nossos concidadãos percebem a moral dos nossos dias e daí vem a sua atual rejeição. 

A moral está relacionada com o respeito que todo o indivíduo deve ter para com ele próprio, os outros e o ambiente. O respeito a si mesmo consiste em viver segundo as suas próprias ideias e de acordo com a sua consciência.

Quanto ao respeito pelo ambiente, a nossa obrigação é preservá-lo para as gerações futuras. Nesta perspetiva, a moral implica uma atitude coerente, sincera e genuína que lhe dá uma dimensão humanística que nada tem de moralizadora.

Independentemente de toda a consideração de natureza Espiritual, estas são as virtudes que os pais e os professores deveriam cultivar nas crianças. Naturalmente, isso implica, que eles próprios as tenham adquirido, ao menos que tenham consciência da necessidade de adquiri-las. São estas virtudes que constituem a dignidade humana, pois o Ser Humanos só é digno do seu estatuto se as expressa através do que pensa, diz e faz. É aquilo que uma pessoa faz que marca o seu patamar de consciência.

A moral, neste sentido, levanta todo o problema da educação que anda perdida. 

Os pais não estão educados para poderem educar e alterar este ciclo vicioso. Desde o tempo do católico Salazar, muitos pais moralistas nem sequer tiveram a ética de assumir os filhos que tiveram fora do casamento. 

O Estado tem o ministério da educação e os professores querem apenas ensinar, aquilo que os alunos não querem aprender.
O papel da escola não é antes de tudo de instruir e debitar informação, mas consiste antes em apontar valores cívicos e descobrir o potencial individual.
Sócrates, o filósofo, via na educação “a arte de despertar as virtudes da alma”.

No meu país, em nome da ética, os governos homenageiam corruptos e criminosos. Ainda, premeiam os seus familiares e amigos bajuladores em detrimento dos agentes competentes.

Na minha Vila, homenageiam dirigentes que nunca assumiram a responsabilidade da liderança das instituições e simplesmente foram permanecendo nos cargos (secundários) porque eram obedientes aos “chefes”. É caso para dizer que muita depressa se homenageia um “ajudante da corte” e se ignora os geniais que contribuem para o progresso a humanidade. 

A abstenção eleitoral é sobretudo o resultado da falta de valores na política e não por culpa da desatualização dos cadernos eleitorais. O povo tem a sensação que o falso poder está entregue aos mentirosos, falsos e oportunistas.

Não tem moral quem defende o regime de Salazar, mas não quis ir para a tropa. Também, não tem moral quem acha que não se pode discutir a família e o governo. Pois, tudo deve ser discutido e todos devem prestar contas para serem examinados. E quem perde a razão, perde o poder.

Independentemente das crenças religiosas e das ideias políticas ou outras, os mais velhos deveriam adquirir qualidades para poderem dar melhores possibilidades aos novos. Mas, os mais velhos andam perdidos e os jovens andam desorientados.

A Humanidade pode e deve se regenerar, mas é preciso, para isso, que todo ser humano se regenere no plano moral.

Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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