JORNALISMO EM DESTAQUE

485º Aniversário da Cidade de Angra do Heroísmo

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Da escritora Graziela Veiga - O SOCIÓLOGO


O SOCIÓLOGO

Já que o Facebook me pergunta em que estou a pensar, vou contar uma história verídica que me aconteceu há anos.

Há cerca de trinta anos, vivia cá na Ilha, um sociólogo. Ora, o Sr. Dr. lembrou-se a escrever um livro. E assim fez. Escrevinhou o enunciado em folhas de papel, sem linhas.

Na altura, eu trabalhava num Cartório, aliás, um trabalho que me deu muito gozo, pois adorava o que fazia. Então, através dos meus patrões, veio-me ter à mão, o "bendito" livro, ainda em forma de rascunho, para eu passar ao computador. Fi-lo com grande gosto e empenho, visto que gostava, e gosto muito de escrever. Como era letra de doutor, havia palavras que eu tinha dificuldade em decifrar, embora estivesse habituada a interpretar várias caligrafias, devido às funções que desempenhava. Então, eu sublinhava as referidas palavras, e depois perguntava ao doutor, se estava correcto o que eu decifrara. Modéstia à parte, poucas vezes, me enganei. E assim, bati à máquina, o que seria o livro a editar. Confesso que não me lembro quantas páginas, mas sei que foram bastantes. Depois de escrito, ficou por concluir, apenas a parte da paginação, pois na altura, ainda não sabia como se fazia. Mas isso, seria o mais fácil, pelo facto de haver quem o soubesse fazer muito bem. Não sei quanto tempo levei a passar o rascunho do livro para o computador, mas sei que ainda levei bastante tempo, pois fazia-o nos intervalos do meu trabalho, quando me sobrava tempo ou quando tinha menos que fazer.

Finalizada a minha missão, o referido Dr. foi buscar o trabalho pronto a entregar na editora. Agradeceu-me e mais nada.

Passados alguns dias, veio o Sr. Dr. fazer-me uma visita e dizer-me o seguinte - o meu livro já está pronto e já se encontra à venda em determinada livraria, se quiser adquiri-lo vá lá, antes que esgote.

Eu fiquei boquiaberta! Até era um livro bastante interessante, mas jamais iria adquiri-lo. E pensei - será que esta pessoa não tem um pingo de vergonha. Bati o livro todo no computador, tive o trabalho e nem um livro mereci de oferta? Ainda comentei o sucedido com um casal amigo. Um dos elementos do casal perguntou se o meu nome não constava no livro, visto tê-lo escrito, uma vez que lhe tinha acontecido o mesmo, e tinha sido mencionado. Além de lhe terem oferecido um livro e ter estado presente no lançamento. Eu não desejava tanto, mas sempre pensei que iria receber um livro de oferta.

Isto para dizer que, há doutores e doutorecos que, até poderão ser muito inteligentes, mas não devem nada às regras elementares de boas maneiras. A educação ficou arquivada na prateleira da estante onde cabem muitos livros, excepto o de etiqueta.

29.04.2020

Graziela Veiga

Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

Sem comentários:

Enviar um comentário