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sexta-feira, 15 de maio de 2020

Da escritora Graziela Veiga - DIA INTERNACIONAL DA FAMÍLIA


DIA INTERNACIONAL DA FAMÍLIA

Quando penso na família, vem-me à ideia aquelas famílias desestruturadas, disfuncionais, em que os filhos são vitimizados pelos próprios progenitores, quase todos os dias, senão todos. E nada melhor para espelhar a desgraça a que, por vezes, pode chegar uma família, temos o caso bem recente da Valentina. Não tenho falado sobre esse caso, pelo facto de me afectar profundamente. É inumano, o que fizeram com aquela menina. E penso - que infortúnio tiveram aquelas crianças! Não escolheram pais para nascer, ninguém escolhe. Mas há filhos com mais sorte do que outros. Aqueles filhos, embora queiram refazer as suas vidas, quando adultos, já levam a mazela da desgraça e terão que a carregar e aprender a viver com ela para o resto da vida. Penso que nunca saberão o significado de amor à família, a não ser que surja alguém na vida destas crianças que as ame profundamente, como merecem. Gostaria que assim fosse.
Quando penso no valor da família, reporto-me à minha infância, à minha família, mais concretamente aos meus pais e seis irmãos, além dos outros elementos que a compunham, avós, tios e primos.
Se me perguntarem que lembranças eu guardo desse tempo, direi que são as melhores. Foi na família que eu aprendi os primeiros passos, aqueles que me conduziram por toda a vida. O seio familiar é uma verdadeira escola de aprendizagem, para o bem e para o mal. Gostaria que fosse sempre para o bem, mas por vezes, talvez por ignorância dos progenitores, por falta de amor, a família não desabrocha.
Ninguém escolhe a família para nascer, repito. Nós somos fruto de dois seres que se juntaram, com culturas e maneiras de ser diferentes, mas que decidiram viver uma vida a dois, conciliando o amor e o trabalho, partilhando as alegrias e as tristezas, dando origem a rebentos tão delicados e frágeis, os filhos.
Eu não tenho conhecimento do seio de muitas famílias, mas tenho da minha, por isso, sinto grande orgulho de pertencer à família que me foi destinada.
É sempre bom, aliás muito bom, quando nascemos numa família de estirpe, onde a educação impera, a harmonia, um certo bem estar económico, pois são adjuvantes para que a vida corra melhor, valores inquestionáveis. No entanto, o factor mais importante numa família, é o amor. Os pais podem não ser pessoas de grandes estudos, mas se souberem amar os filhos, contribuirão para uma família feliz.
Tive a sorte de ter uma mãe exemplar, no que respeita ao amor à família. Fez tudo que estava ao seu alcance pelos filhos. Pôs o nosso bem estar acima de tudo, abnegando-se a si própria, na maioria das vezes, para que não nos faltasse nada.
Foi uma vida de sacrifício, trabalho, muita luta, mas foi uma vida onde recebemos muito amor. Porém, nesta prole a que pertenço, os seis irmãos têm maneiras de ser diferentes, não porque tivesse havido acepção de filhos, mas porque as pessoas adquirem comportamentos díspares.
E pela vida fora, até hoje, tenho-me regido pelos valores que me foram transmitidos em criança. São valores incomensuráveis, tais como, o sentido da justiça, honestidade, harmonia, amor ao próximo, e sobretudo, a Paz, pois quem vive num ambiente de paz, está de bem com a vida, consigo e com os outros. Meio caminho para a felicidade.
Dentro da família que eu constitui, incuto esses valores à minha filha. Chamo a atenção para o que está mal, e digo sempre que, não nos sirva de lição as pessoas que estão no Mundo apenas pelo prazer, dinheiro fácil, enfim...vidas sem sentido, desprovidas de amor. Quem se mete por caminhos escusos não chega a bom porto.
Que pensemos que a família tem mais em comum do que laços de sangue, pois são essas pessoas que se tornam essenciais nas nossas vidas.

15.05.2020
Graziela Veiga
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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