ENVELHECER...
Nesta vida breve e passageira, gostaria que me fosse concedido mais tempo...só para poder envelhecer.
Quero ter o privilégio, se Deus me permitir, de envelhecer com ternura. Quero continuar a lembrar os meus tempos de infância, as pessoas que me fizeram feliz, quando eu não andava, mas flutuava a dançar pela vida com muita alegria, onde tudo me parecia belo e cheio de graça.
Quantas saudades eu sinto! As brincadeiras divertidas, inocentes, eram momentos de verdade. Até nos tempos de mais dificuldade, em tudo eu achava graça, pois os meus pais suportavam os problemas, e eram os responsáveis pelas soluções. Não deixavam que nos afectassem.
Deus permita que não me esqueça de quem comigo esteve a todas as horas, aquelas que foram mais alegres e as mais infelizes também, pois fazem parte da vida, e são melhor superadas quando acompanhada.
Tem dias e horas que, já consigo ver-me velhinha, talvez com uma bengalinha a saracotear por aí...
Não estarei sempre feliz, pois há lembranças que doem, que fazem com que os olhos escorram, mas quero ser uma velhinha que viveu a vida o melhor que soube e conseguiu, sem ódio, sem ressentimentos ou desejo de vingança, pois a vida é demasiado bela para que percamos tempo com inutilidades.
Quero ter oportunidade de contar as minha histórias, as minhas aventuras...lembrar as pessoas com quem passei momentos inesquecíveis, embora, alguns tenham sido breves passagens, mas foram muito intensos. E para mim, as pessoas têm importância na nossa vida, não pela quantidade de anos que partilhamos os momentos, mas pela intensidade com que os vivemos.
Quero manter sempre viva a criança que fui, sem permitir que as preocupações excessivas do dia a dia, pela corrida desenfreada e obsessiva do poder e dinheiro, consuma essa criança que deve ser eterna dentro de mim, enquanto viver.
O que me importa mesmo e me trará felicidade, será um coração verdadeiro que se entregou por inteiro, que aproveitou o tempo, e soube contornar os obstáculos com um sorriso nos lábios, sem restrições de sentimentos, tendo a consciência de que tudo o que é vida permanece e tudo o que existe acaba.
13.05.2020
Graziela Veiga

Sem comentários:
Enviar um comentário