Maio entra manhãs dentro na Beira…..
O sol espevitado, espreita nas frinchas das janelas...
O céu vai azulando e uma claridade rara, ilumina as giestas perdidas pelas beiras dos quintais…
Ainda há brancas e amarelas…
As noveleiras estão a abarrotar….
Redondas , alvas e papudas….
Por baixo das escaleiras dum quinchoso, uma cadela veio por noite, pariu uma ninhada…
Fui vê-los, são lindos!
Não sei de quem são….
Mas a mãe é extremosa, que eles são 7…
E gordinhos….
Não passam fome….
Alguma alma condoída…deu por isso e vai lá...
Deixa num caco….restos de caldo…grãozinhos d’arroz…
O verde entorna-se…esparramando-se pelas hortas…
Cheira a cebolo…regado ao entardecer, pelos corgos e regos bem amanhados nos campos…
E dividem-se os bocados para que lá caiba tudo….
Vai de fazer cadabulhos…
Daqui a nada, as pequenas e já costumeiras desavenças, pelas vezes de regar…
Uma malga d’azeitonas…
Uma carola de pão milhão…
Um cântaro cheio na fonte …
Um refresco de café, feito de cevada coada….
E uma colherada d’açucar…
Uma cebola à racha, uma pitada de sal …salpicada de vinagre….
No entardecer….o som quieto do ar…um toque de sino que ecoa…
E renova-se o gesto simples e belo de desatar o lenço , virar-lhe as pontas p’ra cima, e abanicar c’o chapéu de palha, a cara rosada…enquanto se conta e desconta…cose e descose…a roda da vida…
É a Beira…a Beira no seu coração Alto-Paivense…
Aqui…os dias ainda parecem parados na ampulheta do tempo….
Gosto da Beira…
Só me falta o mar!
Maria Azevedo

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