JORNALISMO EM DESTAQUE

485º Aniversário da Cidade de Angra do Heroísmo

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Do médico fisiatra António Raposo - Dedo em gatilho Artigo do Diário dos Açores Conselhos de médico 33


Dedo em gatilho
Artigo do Diário dos Açores Conselhos de médico 33

1 –Dedo em gatilho, tenosinovite estenosante (outro nome complicado) dos tendões flexores dos dedos das mãos.

2 – Esta doença deve o nome ao facto do dedo ficar preso em posição tal que ao fazer um pequeno movimento existe um ressalto tipo gatilho de uma arma.

3 – A causa mais frequente é a utilização da preensão da mão quer em atividades laborais (condutores, pedreiros, trabalhadores agrícolas, domésticas, informáticos, etc.), quer em desportistas com uso de raquetes, lançadores ou frequentadores de ginásios. Existe uma maior incidência nas mulheres e nos doentes com diabetes ou patologias reumatológicas. É curioso que também pode ser congénito.

4 – A patologia é provocada pelo espessamento do tendão, por vezes com um nódulo, que ao passar por uma zona “estreita” (como se fosse passar debaixo de uma ponte) sofre um processo inflamatório inicial com formação de aderências locais. Por vezes o dedo fica em posição irredutível, isto é a dor é tal que mesmo passivamente não se consegue mobilizar.

5 – O diagnóstico é essencialmente clínico, com a visualização do ressalto, palpação do nódulo com dor.

6 – O tratamento passa por diversas fases. Na fase inicial repouso com tala (em especial para dormir), medicação anti inflamatória, massagem e estiramentos. Se não melhora o mais eficaz é uma infiltração local com cortisona e anestésico seguido de tratamentos de fisioterapia. Nos casos de contra indicações para a cortisona (como os diabéticos) a fisioterapia pode ser tentada. A indicação cirúrgica é mandatória nos recém nascidos (já tive alguns casos) e nos doentes em que os tratamentos conservadores falharam ou quando existem recidivas frequentes. É um procedimento muito simples e está associado a uma alta taxa de sucesso. A cirurgia plástica é a especialidade recomendada.

Notas: A - A doença é simples mas requer tratamento e orientação adequada. Tem cura. Não há necessidade de ficar com incapacidade. Procure o seu médico que ele saberá aconselhar o melhor para si. B - Nesta fase de pandemia pode ir tentando resolver o caso em casa. Evitar esforços, aplicar gelo e fazer massagem directa com gelo, massagem com um anti inflamatório e realizar mobilizações passivas, ajudando com a outra mão, e no final voltar a aplicar gelo porque vai ficar “dorido” depois dos exercícios.
António Raposo, médico fisiatra.
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

Sem comentários:

Enviar um comentário