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terça-feira, 5 de maio de 2020

Do médico fisiatra António Raposo - Artigo do Diário dos Açores Conselhos de médico 27


Artigo do Diário dos Açores
Conselhos de médico 27

1 - Dor regional complexa. Á a designação atual para um síndrome que já teve vários nomes, tais como: Atrofia de Sudeck; Síndrome ombro mão (quando é no membro superior); Distrofia simpática reflexa, causalgia, Algoneurodistrofia (..."livra" este é complicadíssimo...!!!), etc.

2 –As queixas principais são dores, rigidez e grande incapacidade funcional. As dores são classificadas de neuropáticas, isto é são dores “do nervo” e por isso as dores são muito intensas. Quando é no pé dificulta muito a marcha por ser difícil suportar a carga do corpo. Podem aparecer também alterações tróficas da pele, hipersudorese (produção exagerada de suor local), alterações motoras com paralisia parcial e alterações da sensibilidade, com hiperestesia e hiperalgesia (mais uns nomes complicados) que significam sensibilidade elevada e dor intensa ao mais pequeno toque.

3 – Esta Dor regional complexa “aparece” nas articulações (habitualmente nos membros). Pode ser “espontânea”, isto é sem causa conhecida, mas é mais frequente na sequência de uma das três coisas: traumatismo, cirurgia e imobilização. É claro que é sempre “pior” se o doente teve as três coisas ( as três coisas boas da vida são saúde, dinheiro e amor). Sendo que o fator de risco “maior” é a imobilização, especialmente se for prolongada. Alguns doentes, mesmo sem lhes ser colocado gesso, deixam de usar o membro afetado por uma lesão “simples” apenas por medo de terem dores. Isso é ainda pior.

4 – Muitos doentes com esta patologia sofrem de depressão e ansiedade que predispõem para a doença. Mas em contrapartida este problema pode desencadear depressão e ansiedade e assim entramos num círculo vicioso de onde é muito difícil sair.

5 – Vou citar só algumas das complicações deste síndrome: Escaras de pressão, atrofias musculares, osteoporose, pneumonias, trombose venosa profunda nos membros inferiores, rigidez articular, dores (muitas dores), insuficiência cardíaca, obstipação, dificuldades nas atividades de vida diária e maior dependência, etc, etc, etc. É um mar de problemas…!!!

6 - Como se trata? Com medicamentos variados, alguns dos quais são também usados na depressão e outros são da família dos opiáceos . Por vezes cortisona. Em alguns casos é necessário efetuar o “bloqueio” do nervo e mesmo a cirurgia do nervo simpático da zona (que neste caso não é nada “simpático) e claro fisioterapia que aqui assume um verdadeiro papel salvador.

7 – O mais importante é corrigir os fatores de risco e não deixar os nossos doentes muito tempo com imobilizações ou com medo de realizar as atividades da vida diária.

8 – Nota: A principal mensagem a reter é a de que mexa-se, mexa-se…pela sua saúde…!!! Mesmo com dores mexa-se pois caso contrário pode ser pior…!!!

António Raposo, médico fisiatra.
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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