PARA O JOSÉ HENRIQUE, COM UM ABRAÇO.
O jornal “Tribuna Portuguesa”, de Modesto, Califórnia, publicou, na edição de 1 de Agosto de 2020, uma excelente reportagem de homenagem ao Amigo José Henrique Alamo Oliveira. Pediram-me um pequeno texto que, humildemente, aqui incluo. A fotografia acima, com o José Henrique e com o Tony Goulart, aconteceu na apresentação do livro “A Loja do Ti Bailhão” em San Jose, California.
PARA O JOSÉ HENRIQUE, COM UM ABRAÇO
Falar do Álamo de Oliveira, o Artista Plástico, Romancista, Dramaturgo, Poeta..., para mim é difícil.
Deixo isso para os mais entendidos nessas coisas. E espero que muitos o façam, nesta comemoração dos 75 anos do seu nascimento. Ele merece-o.
Apenas poderei, mas com sinceridade, dizer-vos da importância que o José Henrique teve na minha vida.
Foi por esse nome que primeiramente o conheci. Na Loja do meu pai, o cunhado, o Mateus da Serreta, deixava ao nosso cuidado alguma encomenda que trazia do Raminho. “Aqui está esta saca para o José Henrique. Ele vai passar para a recolher”. O meu pai descrevia-o apenas por “Aquele seminarista magrinho, muito bem-educado”.
A pessoa-pública do José Henrique começou a aparecer no meu imaginário quando eu lia, nos jornais de Angra, acerca das iniciativas das senhoras do Movimento Nacional Feminino, que lhe mandavam tintas e outros materiais para a Guiné, onde ele esteve durante a guerra colonial e onde desenvolvia o seu talento de pintor.
Ainda na Terceira, fui espectador atento das suas primeiras produções teatrais, tanto no “Alpendre” como no “Espectrus”. Mas foi já na Califórnia que contactámos mais diretamente, aquando da digressão do “Alpendre”, com a peça “Quando o Mar Galgou a Terra”, em 1982. Com muito interesse, fui seguindo sempre a sua carreira, li praticamente todos os seus livros, que as minhas irmãs me enviavam por correio. E fiquei ciente da sua ligação de amizade aos meus irmãos, seus companheiros nas comissões organizadoras das «Sanjoaninas» e, acima de tudo, agradecido pelo excelente trabalho que fez ao escrever os versos dedicados à Loja do Ti Bailhão, na Marcha de 2006.
Contudo, o que nunca vou esquecer foi a preciosa e desinteressada ajuda que o José Henrique me deu na feitura e na publicação dos dois livros que eu trouxe à estampa, um deles com a colaboração do meu irmão Jorge Bendito. A participação do José Henrique não se limitou ao superior aconselhamento literário e técnico e até à revisão de textos; estendeu-se também ao acompanhamento pessoal nas três sessões de apresentação dos livros, duas em Angra e outra em San Jose, Califórnia, onde leu textos que me encheram a alma, assim como o bonito Prólogo que escreveu para o livro “A Loja do Ti Bailhão”. Apraz-me dizer também que esta dedicada colaboração do Álamo se deveu também à grande amizade que o liga ao Tony Goulart, o Editor dos meus modestos trabalhos. Aliás, esta dupla de animadores culturais tem sido responsável pela publicação de valiosos livros na diáspora californiana.
Uma vez eu disse ao J.H. que ele é das pessoas com quem eu gostaria de ter uma relação de amizade mais próxima. Agora, daqui deste lado do Mundo, espero que este abraço possa encurtar um pouco mais essa distância.
Muito obrigado por tudo, José Henrique.

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