SÃ RAIZ
Duas árvores de fruta,
Que moram no meu quintal,
Andam sempre à disputa,
Mas não lhes levo a mal.
Claro que lhes quero bem,
Sobretudo no verão.
Toda a fruta que tem,
De mil amores me dão.
Também não me custa dá-la.
Nisso não faltam fregueses.
Já me custa é apanhá-lá
Sem ter ajuda, por vezes.
Mas, desta vez, tive sorte
Cá com o meu ajudante.
Bem diligente e forte,
Ele ajudou-me bastante.
Nem quatro aninhos fez,
Mas vejo que apresenta
Mais salutar robustez
Que o avô aos sessenta.
Árvores nascem e morrem
Com fruta ao nosso gosto;
Lágrimas doces nos correm
De alegria no rosto.
Árvore de sã raiz
Dá à fruta mais sabor;
Faz um netinho feliz,
Torna o mundo melhor.
Foi isto que sempre quis.
Vou feliz quando me for.


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