os tempos não são de mel
mas de contas e prosa
alguns vizinhos cerram janelas
à luz e ao amor de cada rosto
à porta, deixo-lhes, uma rosa
molhes de salsa e poejos e sal
como vós e eu, ou todos nós
rogámos que recusem o medo
mas não açoitem a rosa
os tempos não são de mel
mas acusar nunca, olhar de perfil
jamais, os salões estão vazios
os sentidos falseados
fujo à piedade dos que vivem
sós por nós recusando o mel
os versos e as rosas.
IVO MACHADO
Santo Aleixo, 17 de Agosto de 2020

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