DO OUTRO LADO DO ATLÂNTICO
A JUSTIÇA SOCIAL EXIGE, QUE DEVEMOS ERRADICAR, INJUSTIÇAS E ANGUSTIAS, SEPARANDO, O TRIGO DO JOIO.
1- O MUNDO ESTÁ SUJEITO, A UMA GLOBALIZAÇÃO UNICAMENTE NEGATIVA. E esta, gera a passagem da vida “sólida”, assente nas organizações e estimativas de apoio, proteção e segurança social, para a vida “líquida”, alicerçada em incertezas, medos e infortúnios pessoais e na destruição da solidariedade.
A GLOBALIZAÇÃO TROUXE À TONA a “unidade da espécie humana”, traçada por Kundera, deixando claro que o bem-estar de uns, nunca é inocente, em relação á miséria dos outros. A sedutora ideia da “sociedade aberta”, corresponde hoje, a realidade aterrorizante da maioria da população, infeliz e vulnerável, a forças que não entendem nem, muito menos controla.
A HUMANIDADE PADECE, desde sempre, de temores graves e reverenciais, face a fenómenos da natureza (a pandemia é uma delas) que não domina e para as quais procura amparos da mais diversa índole. O presente clima de desamparo, debilidade, instabilidade, exclusão e desintegração, constitui o plano onde se instala, progredindo, uma política e indústria de exploração da insegurança e do medo.
EM VEZ DE TENTARMOS erradicar, as causas dos problemas, injustiças e angústias, somos instrumentalizados para dar o aval, a soluções que reduzem a probabilidade de sermos vítimas dos incontáveis perigos que ameaçam a nossa segurança e a dos que nos são próximos. Esquecemos que a justiça é condição preliminar da paz e tranquilidade, e que a perversa abertura dos países ao apetite insaciável do mercado, imposto por esta globalização negativa, é por si só, a causa principal da injustiça e, por via disso, do terror, violência e conflitos latentes.
HÁ MUITOS TIPOS DE DESEMPREGADOS. Alguns não trabalham porque não querem, preferindo viver de auxílios familiares e sociais. Outros, não trabalham porque não estão dispostos a trabalhar com os salários e as condições nos empregos que lhes são oferecidas. Mas, o que mais nos deve preocupar, e se aplica, talvez, à maioria dos desempregados, é antes o desemprego voluntário: as pessoas que estavam dispostas a trabalhar com os salários vigentes no mercado, mas não conseguem arranjar ofertas de emprego.
HÁ OUTRO TIPO DE DESEMPREGADO, e este revolta muita gente: proibir alguém de trabalhar com leis tiranas. O direito à não discriminação com base na raça, na religião, ou no sexo, é um dos direitos fundamentais do homem, e é na procura de trabalho que mais vezes é posto à prova
2 – OS DESACATOS EM BAIRROS SOCIAIS, tão usuais nos nossos dias, devem-nos preocupar. Contudo, não pode explicar-se somente como situação de exclusão social, de crise de desemprego. O caso pode ser outro. Envolve muitas vezes situações desregradas por uma sociedade global permissiva, que julga que os subsídios pecuniários são a panaceia para todos os males sociais. A falta de respeito e de autoridade, a degradação educacional, o espezinhar valores fundamentais e de cidadania, a satisfação plena de todos os caprichos, desejos e vícios, o ócio pago, todas juntas, são o barril de pólvora que muitos apregoam poder explodir a qualquer momento.
A CRISE SOCIAL ESTÁ AI, com garras bem afiadas. Veio para ficar. Certamente compete a todos perguntar, o que cada, um pode fazer para ajudar a mandá-la dar uma grande curva. Ora, isso obriga a refletir acerca da abundância de discursos, lamúrias e medidas acerca dos efeitos, sem tocar nas causas e fatores, a não embarcar e ir na onda. Porventura fazendo de conta que vamos, mas indo sempre do outro lado, nem que pareça ser o de fora.
EM TODOS OS LOCAIS PODEMOS e devemos agir contra a crise social. Ensinando a dedicação ao trabalho, o apego às instituições, o sentido e espírito de corpo, o envolvimento pessoal, num ambiente de labor porfiado.
COLOCANDO AS RELAÇÕES e conexões diante do frenesim, a cultura diante de frivolidade, a humildade diante da arrogância, os princípios e valores diante dos interesses e manhas, a probidade e sensatez diante da agitação e estardalhaço, a perseverança diante da desistência, a espiritualidade diante da futilidade, a dignidade diante da presunção, o estudo diante da preguiça, o trigo diante do joio, a modéstia diante da vaidade, a amizade diante da intriga, a retidão diante da esperteza.
MAS ………. É necessário tudo isto? Não se vê outra solução. Ademais não nos basta a esperança, por ser um sentimento ambivalente. Pode brotar dela o otimismo para ultrapassar a tristeza e a desgraça do presente e para confiar na vinda de um futuro risonho. Mas pode do mesmo jeito, convidar ao conformismo e comodismo, é demissão e passividade, á aceitação daquilo que nos aflige, a não agir, a esperar e a entregar-se á lotaria do que há-de vir, sem nos mobilizar-nos ativamente para vencer o que nos afronta e buscar o que nos falta.
CORRAMOS. POIS, contra a manipulação e alienação, o adormecimento e o aviltamento, a indolência e a sonolência, fugindo do gorduroso odor ao estábulo, isto é, da manada, a sete pés. Para não nos deixarmos contaminar.
3 – CASA É UMA CONSTRUÇÃO DE CIMENTO, pedra e tijolos. Lar é a construção de valores e princípios. Casa é o nosso abrigo da chuva, do calor, do frio …… Lar é o abrigo do medo, da dor e da solidão………. Casa é o lugar onde as pessoas entram para dormir, comer ……. Donde temos pressa de sair e retardar o regresso. Onde criamos e alimentamos problemas. O Lar é o centro da resolução desses problemas.
NUMA CASA MORAM PESSOAS que mal se cumprimentam e suportam. Num Lar, vivem companheiros que, mesmo na diversidade, se aproximam e se solidarizam. Numa Casa, desdenha-se dos valores de cada um. Num Lar, sonha-se em conjunto. Numa casa há azedume e tratamentos inadequados. NUM LAR, há lugar para a alegria. Numa casa nascem muitas lágrimas, enquanto num Lar se planta sorrisos. Se cada um de nós mora numa casa, trabalhemos para a transformar, com urgência, num Lar.
GAIA/VILAR DO PARAÍSO, Outubro de 2020

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