O grande exemplo do Valter Casagrande Júnior

Neste domingo, à noite, no programa de Fausto Silva, “Domingão do
Faustão, vivemos um momento que servirá de paradigma para os milhares de
usuários de drogas, isto em função do comovente depoimento do ex-futebolista, e
agora comentador da TV-GLOBO, Valter Casagrande Júnior que foi internacional
brasileiro e, na Europa, passou por Portugal (Futebol Clube do Porto) e Itália.
Mais comovente ainda para os milhares de espectadores e para a plateia presente
no apreciado programa do Fausto Silva, foram os desabafos dos três filhos,
sobretudo o “caçula” que, frontalmente, disse o que ia na pureza da sua alma,
esperando que, no futuro, o pai reconquiste a sua amizade, objetivo que também
passa pela mente do ex-futebolista que, com o rosto banhado de lágrimas, corroborou
toda a versão do filho mais novo, quiçá um dos mais chocados quando um pai
entrou no mundo das drogas.
Impressionante também os testemunhos de alguns colegas comentadores da
TV-GLOBO, um deles Galvão Bueno que, no seu descrever, não conseguiu evitar as
lágrimas.
Foi muito feliz a produção do programa “Domingão do Faustão” em convidar Valter
Casagrande Júnior para passar este seu exemplo para milhões de telespectadores,
sabendo-se que a GLOBO continua a liderar as audiências. Entre muitos, eu fui
um dos que não logrei conter as lágrimas. Aliás, este depoimento de Valter
Casagrande Júnior deve ter mexido, inclusive, com as pessoas menos sensíveis.
Valeu, Valter, acreditamos que tudo farás para afastar este grande inimigo,
como tu próprio rotulaste e cremos que a reconquista da amizade do teu filho
mais novo será uma consoladora realidade. Este será, em meu entender, o melhor
golo da tua vida.
Acresce que Valter Casagrande Júnior recebeu da empresa GLOBO, que muitos falam
mal indevidamente, um total apoio nos momentos mais críticos. E a sua volta ao
elenco de comentadores desportivos é prova disso.
Vejamos agora excertos de outra narração de Valter Casagrande Júnior ao
programa Altas Horas, da TV GLOBO:
“Após um ano internado em uma clínica de reabilitação, Walter Casagrande
Júnior rompeu o silêncio. Em entrevista ao programa Altas Horas, da TV Globo,
ele se definiu como um “doente”, admitiu que usava drogas desde os tempos de
jogador e revelou que teve uma overdose em frente ao filho de 13 anos.
“Casão” começou a se envolver com entorpecentes nos tempos de atleta, mas o
problema se agravou com a aposentadoria dos gramados. ”Eu tinha curiosidade por
droga desde garoto e, quando comecei, não foi com maconha. Já comecei com coisa
mais pesada. Na minha época, não tinha exame antidoping para cocaína, só para
anfetamina. Então eu fumava muita maconha, cheirava muita cocaína e jogava
normalmente. Mas não usava para jogar. Usava por prazer na sexta-feira, no
sábado, e jogava no domingo”, contou.
A ida para a Itália, onde jogou por oito anos, o afastou temporariamente das
drogas, mas o fim da carreira fez com que o problema voltasse com força máxima.
“Logo que cheguei na Itália, voltei a ter contato com a heroína. Usei, mas
fiquei com medo e parei. Aí voltei para o Flamengo, depois fui para o
Corinthians e continuei sem usar. Quando parei, comecei a jogar ténis e correr,
mas havia um vazio em mim. Sentia necessidade daquela adrenalina, daquela
euforia que era disputar um Corinthians e Palmeiras com 100 mil pessoas no
estádio. Fiquei maluco”, disparou o ex-jogador.
“Eu nunca vivi o meio do futebol. Vivia o meio da música, do rock, do
cinema, tinha envolvimento político. Gostava de viver no limite. Sou da geração
em que os ídolos morreram de overdose. Quando parei de jogar aí caí de cabeça
nas drogas”, completou.
Casagrande definiu como “o pior momento deste processo” a overdose que teve em
frente ao filho de 13 anos. “Tenho um poder de autodestruição muito grande.
Tive quatro overdoses, uma delas na frente do meu filho de 13 anos. Estávamos
em casa e combinamos de sair para jantar. Ele foi tomar um banho e eu
aproveitei para ir ao banheiro injetar heroína. Só que a quantidade foi grande
demais, e eu tive uma convulsão. Meu filho batia na porta e eu estava me
debatendo lá dentro. Fiquei um ano na clinica e ficaria o tempo que fosse
preciso para não passar por isso de novo”, disparou.
Victor Casagrande, seu filho mais velho, de 22 anos, decidiu internar o pai no
ano passado, depois de o ex-jogador sofrer um acidente automobilístico e ficar
em estado de coma por um dia. “Quando cheguei ao hospital eu, que tenho 1,91m
de altura estava com 71 kg e várias marcas de drogas injetáveis no braço”,
revelou.
O ex-jogador só teve consciência da amplitude do problema após longo período
internado. ''Perdi o controle da minha vida, o contato com a família e os
amigos. “Só percebi depois de oito meses convivendo apenas com os internos da
clínica e vou ter de controlar a dependência para o resto da vida”, disse.
“Comecei a ter dificuldade para trabalhar, mas achava que estava tudo bem.
Achei que a droga não me incomodava, que não era um doente”.
Do Azores Digital – Era
pequeno de estatura e tinha um carro grande
Funcionários aduaneiros, quantos conheci na minha
adolescência-juventude, por exemplo? Foram muitos, alguns dos quais meus primos
filhos do meu tio Henrique Silveira (vulgo Henrique “Seguro”). Gente boa que
procurava ser equilibrada profissionalmente falando, inclusive os próprios
despachantes que conheci da família Couto (Oldemiro, Orlando e Oscildo),
Guilherme Ramalho que morava na Rua de Cima de Santa Luzia, enfim,
pessoas com muita capacidade e cuja honestidade estava sempre patente.
E já que falei de Guilherme, é sobre este antigo aduaneiro, já
falecido (aliás, como muitos outros daquele saudoso tempo) que me vou debruçar.
O senhor José Guilherme que vinha da Terra Chã num Consul grande. Lembro-me que
a malta dizia “ele é pequeno de estatura, mas tem um carro grande”. Pequeno na
estatura, mas de alma grande. Era, de fato, uma simpatia de pessoa, sempre
sorridente e conversador com as pessoas que circundavam o edifício da Alfândega
de Angra do Heroísmo, sito no Pátio de Alfândega, como era conhecido e onde,
também, durante muito tempo, funcionou a esplanada do Café Atlântico, sempre
cheia, sobretudo no dia de “São Vapor”.
Quando regressei de Angola (no Uíge para Lisboa e da capital
para a ilha Terceira no Angra do Heroísmo), no despacho da bagagem apanhei
exatamente o senhor José Guilherme, bem ao seu estilo peculiar e sem ondas de
rigor alfandegário. Dá para entender. Ele assistiu a um abraço dos meus dois
primos Rui e Tibério, que ali se encontravam perto em serviço. Foi então que
percebeu que eu tinha regressado de Angola em função do diálogo que mantive com
os dois referidos primos. Desde logo, o senhor José Guilherme passou um X (a
giz branco na minha enorme mala de madeira) e teve esta linda frase: “que seja
muito feliz neste seu regresso à sua e nossa terra”. E também me deu um abraço.
Ora, volvidos alguns anos, faço parte do grupo de amigos da
família, por via do Joel Neto que também tem Guilherme no nome. E hoje se fosse
vivo, o senhor José Guilherme rejubilaria com o êxito do seu neto, um
escritor-jornalista que tem dado muito que falar maior incidência com o seu
último livro (ARQUIPÉLAGO) que tem merecido os maiores encómios e cuja procura
tem sido enorme de quem gosta de uma boa leitura e quer, também, saber algo
sobre este paradisíaco arquipélago açoriano composto por nove ilhas e cujas
gentes têm o condão de saber receber, de dar a conhecer a verdadeira alma de um
povo ilhéu.
Do senhor José Guilherme, e quando alinhavo este escrito,
fica-me na retina aquele sorriso de homem bondoso e a frase que me dirigiu
quando retornei à minha terra: “que seja muito feliz neste seu regresso à sua e
nossa terra”. E a minha felicidade passou, posteriormente, com a amizade
que sempre recebi da família, nomeadamente por parte do Joel Guilherme Neto,
cuja convivência, naturalmente, é muito maior. Só tive pena de não ter tido
possibilidades de me deslocar a Poços de Caldas quando ele aqui esteve no
Brasil na companhia de outros ilustres escritores-jornalistas. Fica para a
próxima, se eu lá chegar.

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