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485º Aniversário da Cidade de Angra do Heroísmo

domingo, 31 de julho de 2016

Do Jornal A União e Azores Digital


O grande exemplo do Valter Casagrande Júnior


 Neste domingo, à noite, no programa de Fausto Silva, “Domingão do Faustão, vivemos um momento que servirá de paradigma para os milhares de usuários de drogas, isto em função do comovente depoimento do ex-futebolista, e agora comentador da TV-GLOBO, Valter Casagrande Júnior que foi internacional
brasileiro e, na Europa, passou por Portugal (Futebol Clube do Porto) e Itália. Mais comovente ainda para os milhares de espectadores e para a plateia presente no apreciado programa do Fausto Silva, foram os desabafos dos três filhos, sobretudo o “caçula” que, frontalmente, disse o que ia na pureza da sua alma, esperando que, no futuro, o pai reconquiste a sua amizade, objetivo que também passa pela mente do ex-futebolista que, com o rosto banhado de lágrimas, corroborou toda a versão do filho mais novo, quiçá um dos mais chocados quando um pai entrou no mundo das drogas.

Impressionante também os testemunhos de alguns colegas comentadores da TV-GLOBO, um deles Galvão Bueno que, no seu descrever, não conseguiu evitar as lágrimas.

Foi muito feliz a produção do programa “Domingão do Faustão” em convidar Valter Casagrande Júnior para passar este seu exemplo para milhões de telespectadores, sabendo-se que a GLOBO continua a liderar as audiências. Entre muitos, eu fui um dos que não logrei conter as lágrimas. Aliás, este depoimento de Valter Casagrande Júnior deve ter mexido, inclusive, com as pessoas menos sensíveis.

Valeu, Valter, acreditamos que tudo farás para afastar este grande inimigo, como tu próprio rotulaste e cremos que a reconquista da amizade do teu filho mais novo será uma consoladora realidade. Este será, em meu entender, o melhor golo da tua vida. 
Acresce que Valter Casagrande Júnior recebeu da empresa GLOBO, que muitos falam mal indevidamente, um total apoio nos momentos mais críticos. E a sua volta ao elenco de comentadores desportivos é prova disso.
Vejamos agora excertos de outra narração de Valter Casagrande Júnior ao programa Altas Horas, da TV GLOBO:
 “Após um ano internado em uma clínica de reabilitação, Walter Casagrande Júnior rompeu o silêncio. Em entrevista ao programa Altas Horas, da TV Globo, ele se definiu como um “doente”, admitiu que usava drogas desde os tempos de jogador e revelou que teve uma overdose em frente ao filho de 13 anos. 
“Casão” começou a se envolver com entorpecentes nos tempos de atleta, mas o problema se agravou com a aposentadoria dos gramados. ”Eu tinha curiosidade por droga desde garoto e, quando comecei, não foi com maconha. Já comecei com coisa mais pesada. Na minha época, não tinha exame antidoping para cocaína, só para anfetamina. Então eu fumava muita maconha, cheirava muita cocaína e jogava normalmente. Mas não usava para jogar. Usava por prazer na sexta-feira, no sábado, e jogava no domingo”, contou.

A ida para a Itália, onde jogou por oito anos, o afastou temporariamente das drogas, mas o fim da carreira fez com que o problema voltasse com força máxima. “Logo que cheguei na Itália, voltei a ter contato com a heroína. Usei, mas fiquei com medo e parei. Aí voltei para o Flamengo, depois fui para o Corinthians e continuei sem usar. Quando parei, comecei a jogar ténis e correr, mas havia um vazio em mim. Sentia necessidade daquela adrenalina, daquela euforia que era disputar um Corinthians e Palmeiras com 100 mil pessoas no estádio. Fiquei maluco”, disparou o ex-jogador.

 “Eu nunca vivi o meio do futebol. Vivia o meio da música, do rock, do cinema, tinha envolvimento político. Gostava de viver no limite. Sou da geração em que os ídolos morreram de overdose. Quando parei de jogar aí caí de cabeça nas drogas”, completou.

Casagrande definiu como “o pior momento deste processo” a overdose que teve em frente ao filho de 13 anos. “Tenho um poder de autodestruição muito grande. Tive quatro overdoses, uma delas na frente do meu filho de 13 anos. Estávamos em casa e combinamos de sair para jantar. Ele foi tomar um banho e eu aproveitei para ir ao banheiro injetar heroína. Só que a quantidade foi grande demais, e eu tive uma convulsão. Meu filho batia na porta e eu estava me debatendo lá dentro. Fiquei um ano na clinica e ficaria o tempo que fosse preciso para não passar por isso de novo”, disparou.

Victor Casagrande, seu filho mais velho, de 22 anos, decidiu internar o pai no ano passado, depois de o ex-jogador sofrer um acidente automobilístico e ficar em estado de coma por um dia. “Quando cheguei ao hospital eu, que tenho 1,91m de altura estava com 71 kg e várias marcas de drogas injetáveis no braço”, revelou.

O ex-jogador só teve consciência da amplitude do problema após longo período internado. ''Perdi o controle da minha vida, o contato com a família e os amigos. “Só percebi depois de oito meses convivendo apenas com os internos da clínica e vou ter de controlar a dependência para o resto da vida”, disse. “Comecei a ter dificuldade para trabalhar, mas achava que estava tudo bem. Achei que a droga não me incomodava, que não era um doente”.

Do Azores Digital – Era pequeno de estatura e tinha um carro grande

Funcionários aduaneiros, quantos conheci na minha adolescência-juventude, por exemplo? Foram muitos, alguns dos quais meus primos filhos do meu tio Henrique Silveira (vulgo Henrique “Seguro”). Gente boa que procurava ser equilibrada profissionalmente falando, inclusive os próprios despachantes que conheci da família Couto (Oldemiro, Orlando e Oscildo),  Guilherme Ramalho que morava na Rua de Cima de Santa Luzia, enfim, pessoas com muita capacidade e cuja honestidade estava sempre patente.
E já que falei de Guilherme, é sobre este antigo aduaneiro, já falecido (aliás, como muitos outros daquele saudoso tempo) que me vou debruçar. O senhor José Guilherme que vinha da Terra Chã num Consul grande. Lembro-me que a malta dizia “ele é pequeno de estatura, mas tem um carro grande”. Pequeno na estatura, mas de alma grande. Era, de fato, uma simpatia de pessoa, sempre sorridente e conversador com as pessoas que circundavam o edifício da Alfândega de Angra do Heroísmo, sito no Pátio de Alfândega, como era conhecido e onde, também, durante muito tempo, funcionou a esplanada do Café Atlântico, sempre cheia, sobretudo no dia de “São Vapor”.
Quando regressei de Angola (no Uíge para Lisboa e da capital para a ilha Terceira no Angra do Heroísmo), no despacho da bagagem apanhei exatamente o senhor José Guilherme, bem ao seu estilo peculiar e sem ondas de rigor alfandegário. Dá para entender. Ele assistiu a um abraço dos meus dois primos Rui e Tibério, que ali se encontravam perto em serviço. Foi então que percebeu que eu tinha regressado de Angola em função do diálogo que mantive com os dois referidos primos. Desde logo, o senhor José Guilherme passou um X (a giz branco na minha enorme mala de madeira) e teve esta linda frase: “que seja muito feliz neste seu regresso à sua e nossa terra”. E também me deu um abraço.
Ora, volvidos alguns anos, faço parte do grupo de amigos da família, por via do Joel Neto que também tem Guilherme no nome. E hoje se fosse vivo, o senhor José Guilherme rejubilaria com o êxito do seu neto, um escritor-jornalista que tem dado muito que falar maior incidência com o seu último livro (ARQUIPÉLAGO) que tem merecido os maiores encómios e cuja procura tem sido enorme de quem gosta de uma boa leitura e quer, também, saber algo sobre este paradisíaco arquipélago açoriano composto por nove ilhas e cujas gentes têm o condão de saber receber, de dar a conhecer a verdadeira alma de um povo ilhéu.
Do senhor José Guilherme, e quando alinhavo este escrito, fica-me na retina aquele sorriso de homem bondoso e a frase que me dirigiu quando retornei à minha terra: “que seja muito feliz neste seu regresso à sua e nossa terra”.  E a minha felicidade passou, posteriormente, com a amizade que sempre recebi da família, nomeadamente por parte do Joel Guilherme Neto, cuja convivência, naturalmente, é muito maior. Só tive pena de não ter tido possibilidades de me deslocar a Poços de Caldas quando ele aqui esteve no Brasil na companhia de outros ilustres escritores-jornalistas. Fica para a próxima, se eu lá chegar.







Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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