Padre Américo

O nome de Américo Monteiro de Aguiar, nascido a
23 de Outubro de 1887, na freguesia de Galegos, Penafiel, pouco ou nada diz à
grande maioria das pessoas. Mas se lhes disser que se trata do PADRE AMÉRICO,
será muito difícil encontrar quem já não tenha ouvido falar desta figura ímpar
que foi em vida um “revolucionário pacífico”. Desde muito novo, este Homem sentiu
vocação para ser padre, sendo impedido pelo seu pai que lhe arranjou um emprego
no comércio. Esteve em Moçambique dos 18 aos 36 anos, onde trabalhou, e só foi
ordenado padre com 42 anos de idade, em Coimbra, após ter contatado com outros
seminários que lhe negaram a entrada, por causa da sua idade. Foi com surpresa
dos amigos que em Outubro de 1923, entrou no noviciado num convento franciscano
em Tui, em Espanha, onde ficou perto de dois anos. Padre Américo foi um grande
pedagogo do amor pelo próximo, um forte renovador de mentalidades. O Padre
Américo escreveu: “Eu sou um revolucionário pacífico, um pobre que sangra, um
pai que chora, um português que ama. Revoluciono as massas para lhes dar paz.
Sangro pelos pobres, nossos irmãos, para alimentá-los. Choro a sorte dos
farrapões das ruas e quero restaurar o que a sociedade estragou”. Que bom seria
que cada um de nós, de uma ponta à outra do país, nestes tempos difíceis que
Portugal e o Mundo em geral atravessam, meditássemos nesta mensagem que nos
deixou o Padre Américo, como alguém disse “o santo que se fez homem”.
No dia 16 de Julho de 1956, este bom samaritano
desaparecia do número dos vivos, num brutal acidente de viação, deixando órfãos
os seus rapazes (do gaiato e não só) e o país… chorando por esta enorme figura,
quiçá uma figura ímpar no que concerne ao amor pelo próximo.

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