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485º Aniversário da Cidade de Angra do Heroísmo

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Recordando o jornal A União


O espírito do Coronel Paula de Carvalho 




Conheci com a patente de Capitão o atual Coronel na Reserva, Alveno Paula de Carvalho, filho de um extraordinário senhor de nome José Paula de Carvalho, que foi funcionário bancário, no tempo de Montalverne Sequeira, Ezequiel Borges Barcelos, Henrique Carvalhal e tantos outros dessa época em que ser bancário não estava ao alcance de qualquer um.
Alveno Paula de Carvalho foi, em 1963-64, presidente da Associação dos Desportos de Angra do Heroísmo com o seu reconhecido dinamismo. Eu nessa altura, com quase 20 anos de idade, estava encarregado de duas modalidades que o Marítimo se fez representar, o atletismo e o basquetebol. No basquetebol, uma equipa que diria “quase de apanhados”, mas bem orientada pelo meu querido amigo José Braz Veríssimo que, muito gentilmente, acedeu ao meu convite. Nessa mesma equipa figuravam, entre outros, Jacinto Azevedo (nos Estados Unidos) e o saudoso José Henrique Barros que, recentemente, fiz recordar num artigo publicado no Portal Splish Splash, já que fez anos que Santos Barros e Ivone Chinita (esposa) morreram num trágico acidente de viação.
Voltando ao então Capitão Alveno Paula de Carvalho, muitas vezes fui ao BII 17 para trazer sapatilhas e camisas que já não eram usadas pelos militares e que serviam muito bem para os nossos atletas. Sempre que havia uma falta de equipamento, recorria-se a Paula de Carvalho a solicitar ajuda nesse sentido. Curiosamente, o Angrense tinha como seccionista o falecido Rui Diogo que, como sabe, fez jornalismo e ainda comigo trabalhou no Diário Insular, jornal que sempre serviu.
Ora, sobre o Coronel Alveno Paula de Carvalho, e agora falando do presente, é interessante o fato de juntar antigos militares que com ele estiveram em Angola num jantar convívio. Sei que, ultimamente, esta tem sido uma prática em Portugal Continental, pois é uma forma de pessoas que passaram pela Guerra Colonial conviverem, após muitos anos sem se reencontrarem. Claro que nos Açores, e particularmente na ilha Terceira, é mais fácil reunir todo o pessoal que faz parte do rol dos vivos.
Li com atenção a entrevista concedida ao DI pelo Coronel Alveno Paula de Carvalho e, com a devida vénia, transcrevo este parágrafo:
“É preciso recordar que os mancebos que iam para a tropa não só aprendiam a ser militares, como também, muitos deles, aprendiam  a ler e escrever, a serem homens, disciplinados, cumpridores das suas obrigações, e melhoravam fisicamente, através do treino que lhes era proporcionado durante a recruta e o restante tempo de permanência ao serviço. 
Julgo que ficavam preparados para mais facilmente arranjarem um emprego no regresso à vida civil. Faça comparações entre os dois sistemas e tire as suas próprias conclusões.”
Subscrevo inteiramente esta afirmação do Coronel Paula de Carvalho, pessoa que ainda apanhei no BII 17 quando entrei para o serviço militar. Com isto quero dizer que foi bastante útil a minha ida para Angola, pois lá aprendi muito e regressei à terra com os olhos bem abertos, sem aquela timidez que dantes revelava perante a sociedade angrense, sobretudo esta. E eu que, tal como o meu amigo Eduardo Silveira (que se encontra nos Estados Unidos), fui voluntário. De resto, também ficam as amizades. Por exemplo, quando estive em Dezembro/Janeiro na ilha Terceira, foi gratificante encontrar e conversar um pouco com José Alpoim Bruges que foi meu aspirante. E ainda foi mais gratificante ele me dizer que lia todos os meus artigos publicados em A União. Tudo isto tem uma ligação com o serviço militar e, também, aqui em relação ao desporto, pois foi através dele que comecei a conhecer o hoje Coronel na Reserva, Alveno Paula de Carvalho. Claro que na tropa tudo era diferente, mas, mesmo assim, e agora posso contar esta história (ocorrida em início de 1964), uma vez disse uma mentirinha ao Capitão Alveno. Estávamos na época das crismas e ainda não se podia sair do quartel. Alguns solicitaram autorização para se ausentarem, uma vez que tinham o compromisso de serem padrinhos. Eu, claro, também entrei nessa onda e falei com o Capitão Alveno para sair com o mesmo objetivo. Mandou-me, desde logo, para o Tenente Luís Carlos Berbereia Costa que, por seu turno, assinou a dispensa de saída. Desci a ladeira de acesso ao quartel que atém parecia um foguete. Até hoje não sei quem podia ser o meu afilhado da crisma. Tive um, sim, mas após regressar de Angola. Coincidências.
    






Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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