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485º Aniversário da Cidade de Angra do Heroísmo

domingo, 24 de julho de 2016

Recordando o jornal A União e Azores Digital



A viola e a guitarra 



Sempre tive dificuldades apurar os nomes de gémeos, sobretudo aqueles em que não se pode recorrer a uma referência. Há casos assim, um deles trago hoje aqui em mais esta crónica preparada de memória porque, volto a dizer, em tudo o que tenho escrito por aqui (e também na maioria dos casos no Portal Splish Splash, de apoio e divulgação ao cantor Roberto Carlos) é de recurso à minha
memória.
À semelhança de muitas outras pessoas, inclusive o nosso companheiro João Rocha (editor deste jornal), sempre mantive uma cordial relação com os irmãos Almeida, mas, confesso desde já que ainda tenho dificuldades para saber quem é o Manuel João e João Manuel. Talvez hoje, pelo que vi em umas fotos neste jornal, seja fácil, pelo corte do cabelo, pelo facto de um estar um pouco mais magro em relação ao outro.
Recordo, por exemplo, uma entrevista que fiz à dupla no Restaurante Beira Mar para o Açoriano Desportivo, no ciclo do falecido Alfredo Cunha, já que o Açoriano Desportivo nasceu de uma ideia (posta em prática em São Miguel) de João de Lurdes Palmeira Bicho, que veio de Angola e actualmente está no Brasil, em Rezendes, cidade que fica a pouca distância do Rio de Janeiro. Inclusive, já contatei telefonicamente com o Palmeira Bicho, ele que continua a ser um radialista de primeira água. Mas, voltando ao assunto dos irmãos Almeida nessa dita entrevista, coloquei os dois à minha frente e um era a viola e o outro o violão. No papel, coloquei entre parêntesis as respectivas iniciais para que o leitor ficasse bem informado. Acabou a entrevista por ter grande impacto exactamente pela viola e pelo violão. Se hoje me perguntarem não sei quem toca viola e quem toca violão. Creio que ainda não desaprenderam a dedilhar nos referidos instrumentos.
Uma outra história com os irmãos Almeida na TDP. Ao serviço da Rádio Horizonte fui fazer, na mesma, um directo sobre o lançamento de um carro para o rallye que teria lugar uns dias depois. Amáveis como sempre, os dois irmãos colocaram na nossa mesa uma garrafa de “água da Escócia”, portanto, que seria para nós os dois, isto é, eu e o técnico de serviço, não sei bem se o João Paim ou o Macedo Garcia ou ainda o Fernando Fausto. Contudo, como não bebo na hora do serviço, apareceram por lá outros amigos (da onça) também ligados à Horizonte que, claro está, foram bebendo, bebendo, até despejarem por completo a bonita garrafa escocesa. Terminada a minha intervenção (de pivot estava o brasileiro António Neto), se quis beber uma “água da Escócia” tive que pagar. Como há sempre os oportunistas, acabei por me resignar à minha falta de sorte...
Irmãos Almeida, velhos amigos: “olha as ciclistas”. Esta é uma história que só nós três é que sabemos.

AZORES DIGITAL 

O Janico que Deus já lá tem

Sempre me entristece quando chega ao meu conhecimento a morte de amigos e/ou pessoas conhecidas, nomeadamente das minhas ilhas açorianas, maior incidência na ilha Terceira onde fui nado e criado e onde, também, exerci a minha profissão e a carreira de jornalista, esta nos dois jornais que existiam na ilha, agora só um pelo fato de A União ter encerrado as suas portas.
Ao saber da morte do engenheiro João Ourique não podia, de forma alguma, deixar de alinhavar um escrito em sua homenagem. Foi uma morte brutal, por aquilo que me contou o meu querido amigo Silvio Lourenço. Ora, tenho uma ligação com a família do João Ourique, vulgarmente conhecido por Janico. Em tempos idos, minha avó paterna, que todos reconheciam ser uma boa cozinheira, trabalhou em casa do engenheiro Alberto Ourique na Rua Anastácio Bettencourt, vulgo Quatro Cantos. Uma família excelente de fino trato. Cheguei a lá ir a casa quando minha avó me chamava para tratar de algum assunto que a ela dizia respeito. Sempre tive a porta aberta, apesar de acanhado porque entrava na casa do senhor engenheiro. De resto, fui conhecendo os filhos: o Carlos Alberto, o Luís, o Janico. Não sei se a filha (que casou com o Silvio Lourenço e que também faleceu) já andava por lá. Todos nós fomos crescendo. Lembro-me quando o Carlos Alberto namorava em Santa Luzia. Depois, claro, fui acompanhando os progressos profissionais de todos. Gente da melhor qualidade, sem aquilo que nós no tempo chamávamos de “peneiras”. E aqui tenho que dizer que, agora com a morte do João Ourique, o Janico, todos me deixam saudades. A forma em como sempre me recebiam na sua casa jamais esqueci e hoje faço essa referência com toda a tristeza deste mundo. Foi-se o último dos Ouriques.
Quando o João foi presidente do Lusitânia com ele mantive as melhores relações, quer humanas quer entre um jornalista e um presidente de um clube de largos pergaminhos sócio-desportivos. É claro que nem sempre estivemos de acordo. Mas a balança sempre pesou para o bom entendimento, com explicações de um lado e do outro. Valha-nos isso.
Quando em dezembro de 2010 estive na ilha Terceira, o Janico foi um dos que (re) encontrei em plena Rua da Sé. O cumprimento da ordem, aquele abraço sentido, ou seja, sem “peneiras” e com uma fraternidade que sempre nos norteou. Ainda me lembro quando eu batia à porta lá de casa e o Janico aparecia para ver quem tocava na campainha, a sua voz marcante de simpatia “Ó senhora Milagres, está aqui o seu neto”. E às vezes por brincadeira até dizia “vem pedir uma moedinha para comprar cromos da bola”. Textualmente assim.
Foi-se o Janico, uma morte sentida, de todo inesperada. Mas aconteceu. E que trágica foi a morte do Janico. À minha avó paterna, Maria dos Milagres, que também Deus a chamou, deixo-lhe esta mensagem: “prepara uma gostosa refeição para o Janico, à semelhança do que fazias naquele tempo em que o engenheiro Alberto Ourique, a esposa e os filhos, confiavam em ti.
Que o Janico descanse em paz. Que Deus o coloque no lugar que bem merece. Amém!

Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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