JORNALISMO EM DESTAQUE

485º Aniversário da Cidade de Angra do Heroísmo

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Do Azores Digital e jornal A União



O João Guardião

No desporto, na música e mais e mais, conheci muitos Joões. E claro que, enquanto estiver no rol dos vivos, muitos outros vou adicionando à lista dos Joões amigos/conhecidos. No entanto, e no que concerne ao jornalismo, tive poucos colegas Joões. De resto, foi no Açoriano Oriental que o número de Joões
foi maior, um deles mais de perto, o Moniz. Moniz? Que nome bem conhecido, não falo do José Eduardo Moniz, por exemplo, ou de outras figuras públicas com o mesmo sobrenome. Não esqueço o meu amigo e brilhante jornalista (também colega na Impraçor) Manuel Moniz. O Moniz que aqui quero reportar é da minha terra, é brilhante a cantar e também como apresentador de televisão. E não é preciso recorrer a uma velha frase “o Sol ‘preguntou’ à Lua”. Por aqui, é fácil lá chegar. O Moniz, o meu homónimo, tem um filho que está na berlinda. Cantor? Isso não. Não seguiu o trilho do pai. E como se chama o filho? Claro, mais um João para enfileirar este grupo de Joões. E manda a verdade dizer que não conheço nenhum “João das Arábias”. Este é o João Moniz que surpreendeu os amigos do pai – e não só – ao revelar-se como goleiro de handebol. E o nosso (sim é nosso, mesmo que tenha nascido em Lisboa, tem a raiz “made in Terceira”) João foi chamado para representar Portugal para o Mundial de Juniores. As mulheres dizem que o rapaz é giro. Porém, o que eu achei giro foi isto: FANTÁSTICO! Goleiro João Moniz salva Portugal no último lance e classifica País para as oitavas de final do Mundial Júnior Masculino.

Placar final: Portugal 27 x 26 Angola.

O nosso João Moniz já fez história. O seu futuro é promissor. Só espero que não faça retrocesso e comece a cantar como o pai. E aqui lembro-me de uma história de um jovem que jogava handebol e achou por bem, após refletir, seguir as pegadas do pai, sendo hoje uma figura grada da tauromaquia portuguesa. Trata-se do filho mais velho do Emidio Pinto. Um dia ele era muito jovem e eu, para gáudio do seu avô Nuno Monteiro Paes, velho amigo já falecido, fiz-lhe uma entrevista como praticante de handebol.

Meu caro João Moniz, continu a a ser goleiro de andebol. O Sol “preguntou” à Lua sobre o teu futuro e a Lua respondeu: ”vai ser dos melhores goleiros de Portugal”. E se a Lua disse, não há que duvidar.

 Do jornal A União - O velho “Agustinho de San Miguel" 

No tempo em que ele nasceu, Agustinho era assim que se escrevia. Hoje escreve-se Agostinho. Pois bem... Com U ou com O é sempre o nosso querido amigo que está no “outro lado da vida” à nossa espera para comentarmos um dos seus magistrais golos de pontapé-de-bicicleta. Tornou-se famoso com esses golos e nas grandes penalidades costumava dizer aos guarda-redes: para que lado é que queres cair? Acresce que Agustinho faleceu nos anos 80. E “San Miguel” era como nós pronunciávamos. Correto, pois, é São Miguel. Apenas se exemplifica como era naquele tempo. E não me esqueço que a nossa malta (dos 12 aos 15 anos) costumava dizer frequentemente: serás capaz de marcar um golo de bicicleta como o Agustinho de “San Miguel”? 

Conheci o Tio Agustinho, como eu sempre lhe chamava, já no final da sua carreira, ali na zona do Cantagalo e quando, por vezes, se deslocava até à mercearia do Manuel Basílio, pai do Ildeberto e do Hélio (RIP). O Tio Agustinho nunca perdeu totalmente aquele sotaque de micaelense e por isso conhecido pelo Agustinho de “San Miguel”. Faz parte de uma geração de futebolistas que se notabilizaram, entre eles José Tomáz e o ainda vivo Joaquim Maria da Costa que, neste momento, está de belíssima saúde com os seus 97 anos de idade. 

Sempre que tinha oportunidade e disposição, Agustinho de “San Miguel” passava pelo jardim do Porto das Pipas (como era conhecido) e lá ensinava como se jogava aos mais novos, entre eles o Luís Airosa (RIP) e tantos outros dessa geração que, mais tarde, acabaria por chegar à equipa sénior do Marítimo, apesar de alguns, posteriormente, terem saído para o Lusitânia e o Angrense. 

 O Tio Agustinho tinha uma forma muito peculiar de falar do futebol e era uma paz de alma para com os jovens nados e criados no Corpo Santo, Bairro Oriental da cidade de Angra do Heroísmo. 

 Já num dos meus escritos anterior havia falado superficialmente do Agustinho de “San Miguel”, mas neste alonguei mais e, também, trouxe à estampa este depoimento do seu filho, Franklin Oliveira, que emigrou para os Estados Unidos e atualmente vive na cidade de Monterey (Califórnia): 

“Agustinho de São Miguel, meu pai, foi um jogador de futebol que teve a infelicidade de ter nascido 540 anos mais cedo!

Lembro-me de todas as semanas ter que enrolar ligas para as pernas dele, principalmente a perna esquerda. Eu perguntava-lhe, porque é que o pai enrola essa perna se não tem mal algum? Ele respondia: é porque eu dou essa perna aos meus adversários e com a direita marco golo.

Não me lembro de o ver falhar um penalty. Ele alinhava 5 pés atrás e fazia uma pequena paragem antes de bater a bola e o guarda- redes atirava-se para um lado e a bola entrava pelo outro.

No famoso jardim de Cantagalo, ele metia-se a jogar com a malta nova e a ensinar, como, por exemplo, o Georgino (que foi guarda- redes do Lusitânia), o irmão Manuel Sampaio (RIP), Airosa,os irmãos Joaquim, Jorge, João (conhecidos pelos “bananas”), Jejé, Ildeberto Alves, Manuel (o “zarolha”) e tantos outros que, mais tarde, ingressaram na equipa sénior do Marítimo, mas, antes, tiveram iniciação nos Principiantes, primeiro escalão jovem que fez parte dos quadros competitivos da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo.

Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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