A HORTA DA TIA NATIVA - E quem não se lembra da Tia Nativa, que morava bem ali em frente ao Café Matateu, cujos proprietários eram um filho e um genro. O genro já falecido e o filho, casado com uma filha do tio Augusto Ávila, não sei. Mas formulo votos que se encontre no rol dos vivos. A tia Nativa sentia-
se sempre mais feliz (em relação ao que era durante 11 meses) quando, em Agosto, outro filho, João Pimentel, vinha de Santa Maria passar férias com a esposa e os dois filhos. Para nós, jovens daquele tempo, também era uma enorme satisfação receber e brincar com o filho do João, o Hélder Pimentel, hoje um aposentado na ilha de Santa Maria e que ali, em tempos idos, na minha missão jornalística, me recebeu de braços abertos e dele sempre contei com o apoio desejado. Felizmente, que essa amizade ainda hoje perdura, visto que ele faz parte do meu grupo de 1900 amigos do facebook. Mas, retornando aos netos da tia Nativa, o Paulo Jorge e o José Gabriel, filhos do Francisco “Gato” (nunca houve “gato”, uma transparência de se lhe tirar o chapéu), também andavam por ali nas brincadeiras dos polícias e ladrões, mas, do futebol muito menos. O José Gabriel foi presidente do Marítimo na época em que o clube, finalmente, acabou com a escandalosa hegemonia do Lusitânia, venceu a prova açoriana e recebeu o Riopele para os oitavos-de-final da Taça de Portugal perdendo por 1-0. O Paulo Jorge é, sem dúvida, um dos maiores sustentáculos do Clube Juvenil Boa Viagem como presidente. Também, um excelente apoiante nas iniciativas em prol da igreja da Boa Viagem.
A tia Nativa tinha ali no Caminho Novo a pequena horta e sempre passava por lá, e o marido, com todo o carinho, cuidava daquele pedacinho de terra que ficava entre uma parte do adro da igreja da Boa Viagem e a casa da D. Alvarina, tia (hoje é uma mistura de tias e tios) do Alexandre Barros. Claro que jogávamos à bola naquele pedacinho, mas não havia nada a fazer: a bola caia no cerrado da mãe do Daniel (o “nosso padre”) ou ia parar para o cerrado da tia Nativa. Pior quando caia no cerrado da mãe do Daniel que era má nem as cobras. A tia Nativa, com toda a sua bondade (era mesmo), só nos dizia: meninos tenham cuidado com o que está plantado, não coloquem os pés em cima do que está plantado. Mas havia sempre um malandro que, na época própria, saltava o muro e “roubava” um cacho de uvas, muitas vezes com os netos (José Gabriel e Paulo Jorge) por ali perto. Repito: era uma bondade de senhora, aliás, como toda a família. E tive o grato prazer de, em dezembro de 2010, na ilha Terceira, ter estado com o Paulo Jorge num jantar do pessoal do Canto da Caixa e com o José Gabriel em um almoço que decorreu no restaurante do Jorge da Tamar, na praia dos sargentos (Praia da Vitória).
E, hoje, recordamos, com aquela saudade de puro sentimento, a figura da tia Nativa.

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