Um pequeno susto no World Trade Center
(E estamos quase a chegar a mais um 11 de Setembro, dia em a tragédia aconteceu, com a segurança dos Estados Unidos a ser vulnerável)
A primeira viagem que efetuei aos Estados Unidos e Canadá remonta ao ano de 1977, mais concretamente no mês de Julho. Fiz parte, como jornalista (utilizei A União para as minhas reportagens, visto que nessa ocasião só estava a trabalhar para "A Bola"), da delegação do Sport Club Angrense, uma vez que,
coincidentemente, no mesmo período (partida e chegada), também o Lusitânia se deslocou, mas apenas ao Canadá, país onde os dois clubes se defrontaram, concretamente em Hamilton e cujo desfecho foi uma igualdade a duas bolas. Um jogo marcado por algumas picardias, sem, contudo, atingirem as raias da violência. Nos comandos técnicos das duas equipas, respectivamente, Fernando Coelho Lopes e Elvino Coelho Bettencourt (RIP). Dois Coelhos que muito sabiam de bola. Alguns desses jogadores que se defrontaram em Hamilton acabaram, mais tarde, por emigrar para o Canadá e Estados Unidos, entre eles Esteves, Felix, Jorge Trulu, Francisco Gabriel, os que eu no momento me lembro. Se Esteves defendeu a baliza do Angrense a do Lusitânia foi confiada a Henrique Jorge de Sousa Rodrigues. Neste mês digressionando pelo Canadá e Estados Unidos (recorde-se que o Angrense realizou 19 jogos), acabei, nos Estados Unidos, por ir para NY na companhia do José Guilherme Bendito, a esposa e Carlos Cassis. E quem nos levou para NY? Exatamente o nosso bom amigo Luís Henrique Pimpão Cordeiro ao qual se juntou outro velho amigo, o Jorge Leandro, já falecido, após ter regressado à Terceira. Dois amigos que, na verdade, nos cumularam de gentilezas durante os três dias (o curto interregno de jogos agendados) que com eles convivemos, não faltando, também, numa bela noite, a família do Dimas Ávila (já falecido), esposa, filhos, genros, noras e mais parentes, entre os quais Francisco da Fonseca, vulgarmente conhecido por Pira e que também já faleceu, creio que em 1984. Inclusive, na derradeira vez em que estive em NY (cobertura da maratona em 2000, acompanhando Jorge Monjardino) com o Paulo Henrique Fonseca (filho do Pira) vi um recorte do jornal A União onde eu alinhavei umas linhas de homenagem póstuma a este conhecido jogador do Lusitânia. E já agora, uma história interessante num jogo Lusitânia-Angrense, disputado no então Campo de Jogos da Cidade. O Pira de um lado e o Leitão (militar da Força Área Portuguesa, destacamento das Lajes) do outro. A dada altura, num lance protagonizado entre ambos, o Pira, ao seu peculiar estilo, saiu-se com esta: "bem me parecia que cheirava a mer... de porco". Claro que o Leitão reagiu com uma tentativa de agressão e acabou por ser expulso, o que, alias, com aquela provocação, veio ao encontro do objetivo do Pira que, como treinador, também tem esta celebre frase: "ó rapaz, recua para três". Mas foi interessante encontrarmos o Pira e a família naquela reunião. Que bela noite. Só não conto o que aconteceu depois, pela noite dentro, na Avenida 42. Ir a NY e não subir às torres gêmeas, o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa. Numa bela manhã lá fomos, eu, Pimpão, Jorge Leandro, José Guilherme Bendito, Natalia Bendito e Carlos Cassis. Sabem o que aconteceu? No regresso, a meio da viagem, faltou a luz e ficamos algum tempo parados a meio do percurso. Um tempinho que deu para assustar um pouco, mas tudo se recompôs com o retorno da electricidade. Volvidos alguns anos (23), aconteceu a grande tragédia que enlutou o mundo e particularmente os norte-americanos, feridos no seu orgulho. Um ataque terrorista destruiu as torres gémeas, vitimando milhares de pessoas. Na altura também pensei: podia ter acontecido em 1977, só que ainda não existia, como verdadeiro líder e inimigo dos Estados Unidos, esse tal Bin Liden.
NOTA FINAL - Para perpetuar essa minha passagem pelo World Trade Center, a foto que aqui se reproduz.

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