URGE REFLECTIR O FUTEBOL BRASILEIRO
É do domínio público, pelo menos aquele que me acompanha ao
longo destes quase 48 anos de atividade de índole jornalística, que sempre fui
um fã do futebol brasileiro e, quando ainda muito jovem (dos 12 aos 15 anos,
por aí), passava noites a ouvir, num pequeno receptor de rádio que tínhamos em
casa,
os relatos dos jogos, muitas vezes com o ouvindo encostado ao aparelho
para não fazer barulho aos meus pais e avó paterna, pois, caso contrário, no
outro dia estaria de castigo. Era a educação daquele tempo, tempo esse em que
não tínhamos nada do melhor, nem se sonhava, por exemplo, que haviam de surgir
os ditos fones. Se nesse tempo os tivesse, com um rádio apropriado, não tinha
que andar com o ouvido encostado ao pequeno receptor. Hoje, com toda esta
tecnologia, os jovens (e adultos também, porque não) não necessitam de recorrer
aos tais meios a que me referi anteriormente.Também é sabido, e não vou esconder o que já tornei público no passado (1982) e no presente, que fui daqueles que chorei quando, em 1982, no Mundial de Espanha, o Brasil foi afastado da final ao ser derrotado pela Itália do “carrasco” Paolo Rossi que meteu três na baliza do Waldir Peres. Grande “malandro”...
Vem isto a talho de foice para dizer, primeiramente, e sem qualquer espécie de receios, que o futebol brasileiro já não ostenta aquela hegemonia que os adversários sempre temiam. E nem é por falta de valores, porque eles existem, é grande o campo de recrutamento. O que acontece, tristemente, é que a CBF está transformada numa bagunça, de tal forma que já ninguém acredita e, concomitantemente, entrou-se num ciclo em que já não há aquele grande respeito pelo futebol canarinho. Onde se viu marcarem-se jogos a meio da semana com a seleção do país a realizar jogos amistosos, não esquecendo a fase de qualificação para o Mundial. Óbvio que os clubes são prejudicados, sobretudo aqueles que lutaram pelo título e os que aspiraram a participar na Copa Libertadores e na Sul-Americana. Hoje, todos se queixam do mesmo mal, mas não se tomam firmes posições para se refletir sobre a orgânica do futebol brasileiro. Urge essa tomada de posição.
RICARDO TEXEIRA merece levar o fora
Ricardo Teixeira, presidente da CBF, merece levar o fora. É muito tempo no cargo e a sua dignidade está a ser posta em causa a vários níveis, com situações que colocam em causa o próprio futebol brasileiro. Aqui, passo a transcrever o artigo que escrevi há poucos dias sobre um caso que, por si só, abalou a nação vascaína.
HOJE ATACO EU!
Já nada me surpreende o que de caricato aconteça no futebol. Neste universo da bola, muita coisa tem aflorado com o símbolo do negativismo, inclusive ao nível da UEFA e da FIFA. Agora, foi José Mourinho que não foi englobado no lote da escolha para o melhor do mundo, paradoxal que possa parecer. Mas isto me cheira já a perseguição pelo fato do nosso Zé não ter papas-na-língua e, como sói dizer-se, pegar o touro pelos cornos. Mas, como a FIFA tem todo o poder, faz o que bem lhe apetece e, “zumba-na-cafeteira”, o português-sem-medo acaba sempre por ser castigado. Basta abrir a boca e já está a “comer do coco”, fruto muito apreciado aqui no Brasil. Ora, ora, no Brasil, que dizem ainda ser a pátria do futebol. Dizem... Eu já subscrevi, agora não o faço por várias razões, a principal pela desorganização que reina na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e com um presidente que continua a ser alvo de suspeita junto dessa mesma FIFA. Ou será isso mais um lançamento de fogo-de-artifício para confundir os que andam a preparar o cerco?
Pois... pois (falta o ora para brincarem com os portugueses), o sô Teixeira, presidente da CBF, continua na berlinda e agora muito mais pelo fato da sua organização voltar a demonstrar que não é nada eficiente. Eu diria mesmo uma brincadeira. Acontece que o Clube de Regatas Vasco da Gama, na temporada que domingo (dia 4) findou, conquistou a Copa do Brasil (de acesso à Libertadores de 2012), discutiu o título do Brasileirão até à derradeira ronda e, finalmente, foi o único clube brasileiro que chegou à meia-final da Sul Americana. Todos os outros ficaram pelo caminho muito cedo. Portanto, uma época a todos os títulos meritória do Vasco da Gama que, incrível que pareça, não foi convidado para estar na festa de encerramento da época que decorreu na passada segunda-feira (dia 5), em São Paulo. Ó sô Teixeira, já é tempo de você abandonar o barco na companhia de todos esses incompetentes que o rodeiam. Esquecer o Vasco que andou na discussão dos títulos em três frentes? Parafraseando o Gerson “canhotinha de ouro”, é brincadeira! Foi falta de respeito por um dos mais carismáticos clubes do futebol brasileiro. Foi falta de respeito por um presidente (Roberto Dinamite) que, como futebolista, muito deu ao futebol deste país, nomeadamente a do Estado do Rio de Janeiro. Ó sô Teixeira será que você já apurou responsabilidades ou vai tentar sacudir a água do capote? Sim, a água (e muita) que a CBF tem metido dentro do seu seio, da sua organização que é de bradar aos céus.
Ó sô Teixeira, será que o senhor não deu conta do erro que a CBF cometeu? Com mais esta contra si, o melhor é demitir-se antes que alguém o faça descer do patamar superior aos empurrões. E como chegou o sô Teixeira ao patamar superior? Gostaria de saber se, nesse sentido, contou com o voto do Clube de Regatas Vasco da Gama?

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