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485º Aniversário da Cidade de Angra do Heroísmo

sábado, 8 de outubro de 2016

Do jornal A União


No ano em que a Terceira tudo ganhou

 Tenho acompanhado algumas declarações de pessoas sobre formação, sobre resultados das seleções, enfim, do que se tem feito de positivo e o que, por outro lado, se entende por erros cometidos, neste caso em relação aos Gabinetes Técnicos, que agora estão muito em uso. Porque agora o futebol está mesmo para os “doutores da bola”, que ganham razoavelmente, constituindo
aqui um paralelo em relação a outros que serviram a AFAH (falo na AFAH e não em presidentes que por lá passaram) e que nem um centavo receberam. Eu fui um deles, mas também não esqueço que outros estiveram em igualdade de circunstâncias. Fizemo-lo, aceitámo-lo, por amor à nossa terra e, sobretudo, porque sempre levamos o futebol com notória seriedade e consequentemente pelo respeito aos clubes que acreditaram nas minhas capacidades de trabalho. Clubes? Apenas dois, como se sabe, o Sport Club Angrense e o Sport Club Lusitânia, que servi em épocas alternadas.
Por ocasião do I Torneio Regional de Futebol Juvenil que teve lugar na Horta, a Associação de Futebol de Angra do Heroísmo, então presidida pelo falecido Francisco Borges Pinheiro (com quem tive um problema por não querer passar um cartão livre-trânsito em meu nome ao serviço de A União. O problema até não foi meu, mas sim do JD Macide que o solicitou. E depois ficou conhecida a história do cartãozinho, porque eu não me calei e entrei em polémica escrita com o dito Borges Pinheiro), colocou na mesa de reunião três nomes para serem votados e escolhidos para selecionador-treinador. Três votos para mim e dois para o meu bom amigo José Gabriel Borges, da Praia da Vitória. Mais: nessa reunião (quem manda, manda), ficou decidido que a seleção seria composta por dois jogadores de cada clube, o que, desde logo, não foi aceite pelos jovens jogadores do Lusitânia que se recusaram a integrar (seriam dois, óbvio) o selecionado terceirense. Na verdade, tenho que confessar e ser justo, o Lusitânia tinha um bom naipe de futebolistas (Natal, Artur, Aristides e tantos outros) e não tenho dúvidas de que levaria uns cinco, no mínimo. Contudo, alheio a essa “guerra” e desde que aceitei as condições impostas, “toquei nos pauzinhos” e convoquei os jogadores que, no meu entender, me davam garantias. Aliás, com a recusa dos lusitanistas, tive que levar mais um do União e do Angrense. E vejam quem foram os escolhidos e os respectivos trajetos quando chegaram a seniores:
Álvaro e Ildefonso
Alberto (União), Fernando Peixoto, Tibério Vargas e Magina (pai do atual avançado do Angrense)
Arlindo Barcelos, Tony (Angrense), Cardoso (vulgo Marrão), Serafim (“rodas baixas”), Dilo, Orlando (Praiense), Peixoto (o “terror”, irmão do Fernando Peixoto), Elvino (Marítimo). Escapam dois nomes, com pena minha.
Ora, esta seleção, que se sujeitou a uma disciplina consentânea com as próprias realidades do torneio, venceu tudo o que havia em disputa. Vejamos:
Vencedora do torneio invicta: 4-0 (Faial B), 3-1 (Faial A) e 3-1 (São Miguel).
Prémio equipa que melhor futebol praticou.
Prémio equipa mais disciplinada.
Melhor marcador: Cardoso
Melhor jogador do torneio: Tibério Vargas
Guarda-redes menos batidos: Álvaro Pereira e Ildefonso Ávila (1 golo cada). Aqui um dado curioso: os organizadores só tinham um diploma, mas, como coloquei o Álvaro e o Ildefonso jogando cada um uma partida e meia, óbvio que apenas sofreram um golo cada e atuaram o mesmo tempo. Com esta, brinquei com o meu amigo Manuel Lino, que fazia parte da organização.
Vem isto a talho de foice, para dizer que, sem gabinetes técnicos (alguns até de fachada), o nosso futebol jovem sempre deu cartas e São Miguel sempre esteve presente. Portanto, eles podiam ter (e têm claro) um maior campo de recrutamento, mas nós sempre nos impusemos pela nossa melhor técnica e organização, servindo aqui de paradigma um desabafo do Elvino (hoje no Canadá): “estes 15 dias que trabalhei com o senhor, valeram por uma época inteira no meu clube”.
Se realmente perdemos hegemonia para os outros, algo está mal e há que repensar, globalmente, o futebol da nossa formação. Essa mudança de mentalidades não pode passar apenas pelo Angrense a quem, mais uma vez, endereço as minhas felicitações.



Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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