REIS LEITE NÃO FOI NA "ONDA OLIVA"
Ainda
muita gente se recorda da onda levantada pelo Oliveirenses da Fajã de Cima
quando militava no escalão terciário do futebol nacional, formando um plantel
totalmente profissionalizado e escolhido, em parte, pelo técnico de então o
nosso bem conhecido Mário Ribeiro Nunes. Presidia aos destinos do “Oliva” o
advogado José Rodrigues e como chefe de departamento de futebol, João Cabral.
Com falta de
dinheiro para pagar aos seus profissionais, a direção do “Oliva” entendeu vir
para a praça pública para cobrar do governo mais subsídios que fizessem face
aos problemas surgidos, de resto previsíveis em função do elevado orçamento
para o futebol sénior (quanto ganhava Mário Nunes?). A velha história de se
gastar mundos e fundos com jogadores profissionais, nomeadamente brasileiros
que vieram para Portugal em catadupa.
A celeuma
levantada pelo Oliveirenses visou principalmente o então Secretário Regional da
Educação e Cultura, Dr. José Guilherme Reis Leite, homem de grande capacidade e
que sempre resolvia os problemas sem receios de afrontas ou “guerras de
bastidores” com o intuito de visarem a sua imagem política, o que estava em
causa, porque, de resto, Reis Leite é um dos mais prestigiados historiadores da
nossa região e uma pessoa sempre aberta ao diálogo com aquela afabilidade que
sempre o caracterizou. Hoje, sinto orgulho em saber que Reis Leite é um dos
meus regulares leitores. Por ele foi-me dito o ano passado quando estive na
ilha Terceira. Até foi mais longe: “saiba que não perco um dos seus escritos”.
Retornando à
vaca-fria, as “ondas do Oliva”, o governo, através da respectiva tutela então
liderada por Reis Leite, não cedeu à pressão, misturada com descabidos
comentários em relação ao próprio secretário. Na verdade, seria abrir um
precedente, sabendo-se que outros clubes, em tempo posterior, também o fariam o
que era legítimo compreender. De resto, a nova lei orgânica que mais tarde
entrou em vigor, acabou com esses esboços de pedir subsídios por “dá-cá-aquela-palha”,
incidência para suprir dificuldades financeiras assumidas com jogadores
profissionais. Por isso, voltamos a dizer que o atual exemplo do Angrense foi
uma pedrada no charco. Um exemplo de iniciativa e visão própria. Aplicar as
verbas orçadas (incluindo os subsídios governamentais e camarário) com toda a
segurança, isto é, não entrando nas tais loucuras que aconteceram com o
Oliveirenses e, também, volvidas algumas épocas, com o próprio Angrense quando
quis entrar numa de “El Dourado”. Ai minha Nossa Senhora, eu bem que avisei as
pessoas (dirigentes) que o estouro iria ser enorme. Pois é... não quiseram
seguir o conselho do “Carlinhos da viola”.
Depois de
tanta efervescência, depois do bate e rebate, hoje se pergunta, como reflexo de
tudo o que se passou: que é feito do futebol do Oliveirenses? Valha-nos que
ninguém se lembrou de, mais tarde, lançar as culpas sobre o Dr. Reis Leite pelo
fato de terem fechado a porta.

Sem comentários:
Enviar um comentário