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terça-feira, 29 de novembro de 2016

Do jornal A União




REIS LEITE NÃO FOI NA "ONDA OLIVA"


  Ainda muita gente se recorda da onda levantada pelo Oliveirenses da Fajã de Cima quando militava no escalão terciário do futebol nacional, formando um plantel totalmente profissionalizado e escolhido, em parte, pelo técnico de então o nosso bem conhecido Mário Ribeiro Nunes. Presidia aos destinos do “Oliva” o
advogado José Rodrigues e como chefe de departamento de futebol, João Cabral.

 Com falta de dinheiro para pagar aos seus profissionais, a direção do “Oliva” entendeu vir para a praça pública para cobrar do governo mais subsídios que fizessem face aos problemas surgidos, de resto previsíveis em função do elevado orçamento para o futebol sénior (quanto ganhava Mário Nunes?). A velha história de se gastar mundos e fundos com jogadores profissionais, nomeadamente brasileiros que vieram para Portugal em catadupa.

 A celeuma levantada pelo Oliveirenses visou principalmente o então Secretário Regional da Educação e Cultura, Dr. José Guilherme Reis Leite, homem de grande capacidade e que sempre resolvia os problemas sem receios de afrontas ou “guerras de bastidores” com o intuito de visarem a sua imagem política, o que estava em causa, porque, de resto, Reis Leite é um dos mais prestigiados historiadores da nossa região e uma pessoa sempre aberta ao diálogo com aquela afabilidade que sempre o caracterizou. Hoje, sinto orgulho em saber que Reis Leite é um dos meus regulares leitores. Por ele foi-me dito o ano passado quando estive na ilha Terceira. Até foi mais longe: “saiba que não perco um dos seus escritos”.

Retornando à vaca-fria, as “ondas do Oliva”, o governo, através da respectiva tutela então liderada por Reis Leite, não cedeu à pressão, misturada com descabidos comentários em relação ao próprio secretário. Na verdade, seria abrir um precedente, sabendo-se que outros clubes, em tempo posterior, também o fariam o que era legítimo compreender. De resto, a nova lei orgânica que mais tarde entrou em vigor, acabou com esses esboços de pedir subsídios por “dá-cá-aquela-palha”, incidência para suprir dificuldades financeiras assumidas com jogadores profissionais. Por isso, voltamos a dizer que o atual exemplo do Angrense foi uma pedrada no charco. Um exemplo de iniciativa e visão própria. Aplicar as verbas orçadas (incluindo os subsídios governamentais e camarário) com toda a segurança, isto é, não entrando nas tais loucuras que aconteceram com o Oliveirenses e, também, volvidas algumas épocas, com o próprio Angrense quando quis entrar numa de “El Dourado”. Ai minha Nossa Senhora, eu bem que avisei as pessoas (dirigentes) que o estouro iria ser enorme. Pois é... não quiseram seguir o conselho do “Carlinhos da viola”.
Depois de tanta efervescência, depois do bate e rebate, hoje se pergunta, como reflexo de tudo o que se passou: que é feito do futebol do Oliveirenses? Valha-nos que ninguém se lembrou de, mais tarde, lançar as culpas sobre o Dr. Reis Leite pelo fato de terem fechado a porta.


Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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