OS TORNEIOS DAS FESTAS DO SENHOR SANTO CRISTO DOS MILAGRES
Estava
virado para uma “maldade” que me fez o Francisco Coelho (hoje ilustre
presidente da ALRA) em São Miguel por ocasião dos I Congresso dos Jornalistas
Açorianos (desfez-me a cama, pendurou-me os sapatos no candelabro, tirou a
minha roupa da mala, tudo isto tendo como mentores Luciano Barcelos, Paulo
Barcelos e Armando Mendes. Queriam
melhor...) quando, de repente, me veio à
mente os Torneios das Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagress, torneios
esses em que, quase sempre, era convidada uma equipa da Terceira para
participar. Recordo-me que, numa dessas edições, o Angrense, então treinado por
Mário Silva, saiu vencedor e foi esperado no Cais da Cidade (onde hoje é a
Marina) por uma grande multidão. O troféu veio na mão, me creio, do Tio Chico
“Gamela”, avô do Jorge Laureano e um dos mais “doentes” sportistas que conheci.
Se não veio com o troféu, o Tio Chico era portador do estandarte do clube. Aqui
reside a minha dúvida.
Uma
deslocação de ilha-para-ilha, óbvio em relação às três maiores do arquipélago
(São Miguel, Terceira e Faial), era sempre motivo de enorme alegria para quem
se deslocava. O Marítimo, como se sabe, nunca ganhava nada (só em 1977, já com
outras mentalidades, é que logrou vencer o Torneio dos Açores à Taça de
Portugal e defrontou o Riopele, tendo perdido por 1-0. José Gabriel Pimentel,
vulgo Nené, era então o presidente e José do Couto e João Alberto Veríssimo,
formavam a dupla de técnicos), mas, numa época em que o clube teve como
treinador o micaelense Renato Silva, funcionário de uma agência de viagens que
funcionava na Rua de São João, foi possível participar nas Festas do Senhor
Santo Cristo, claro pela própria influência do Renato Silva que, não sendo um
grande “expert” do futebol, pautava o seu trabalho pelo empenho e amor aos “azuis”
do Corpo Santo. Foi um prémio para aquele grupo de jogadores que, como se sabe,
apanhavam cabazadas do Lusitânia e do Angrense, contudo sem nunca passar pelo
esmorecimento. O Marítimo não ganhou o torneio, mas regressou radiante pela
participação e, sobretudo, pelo prazer de terem assistido à Procissão do Senhor
Santo Cristo dos Milagres.
Esta tradição
já terminou há tempos, o que se compreende perfeitamente em função das muitas
mutações operadas no futebol açoriano. Mas é importante que se faça reviver
esse tempo em que era muito grande o entusiasmo pelo futebol regional, ao invés
do que hoje se constata.

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