JORNALISMO EM DESTAQUE

485º Aniversário da Cidade de Angra do Heroísmo

sábado, 3 de dezembro de 2016

Do jornal A União




OS TORNEIOS DAS FESTAS DO SENHOR SANTO CRISTO DOS MILAGRES

 Estava virado para uma “maldade” que me fez o Francisco Coelho (hoje ilustre presidente da ALRA) em São Miguel por ocasião dos I Congresso dos Jornalistas Açorianos (desfez-me a cama, pendurou-me os sapatos no candelabro, tirou a minha roupa da mala, tudo isto tendo como mentores Luciano Barcelos, Paulo Barcelos e Armando Mendes. Queriam
melhor...) quando, de repente, me veio à mente os Torneios das Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagress, torneios esses em que, quase sempre, era convidada uma equipa da Terceira para participar. Recordo-me que, numa dessas edições, o Angrense, então treinado por Mário Silva, saiu vencedor e foi esperado no Cais da Cidade (onde hoje é a Marina) por uma grande multidão. O troféu veio na mão, me creio, do Tio Chico “Gamela”, avô do Jorge Laureano e um dos mais “doentes” sportistas que conheci. Se não veio com o troféu, o Tio Chico era portador do estandarte do clube. Aqui reside a minha dúvida.
 Uma deslocação de ilha-para-ilha, óbvio em relação às três maiores do arquipélago (São Miguel, Terceira e Faial), era sempre motivo de enorme alegria para quem se deslocava. O Marítimo, como se sabe, nunca ganhava nada (só em 1977, já com outras mentalidades, é que logrou vencer o Torneio dos Açores à Taça de Portugal e defrontou o Riopele, tendo perdido por 1-0. José Gabriel Pimentel, vulgo Nené, era então o presidente e José do Couto e João Alberto Veríssimo, formavam a dupla de técnicos), mas, numa época em que o clube teve como treinador o micaelense Renato Silva, funcionário de uma agência de viagens que funcionava na Rua de São João, foi possível participar nas Festas do Senhor Santo Cristo, claro pela própria influência do Renato Silva que, não sendo um grande “expert” do futebol, pautava o seu trabalho pelo empenho e amor aos “azuis” do Corpo Santo. Foi um prémio para aquele grupo de jogadores que, como se sabe, apanhavam cabazadas do Lusitânia e do Angrense, contudo sem nunca passar pelo esmorecimento. O Marítimo não ganhou o torneio, mas regressou radiante pela participação e, sobretudo, pelo prazer de terem assistido à Procissão do Senhor Santo Cristo dos Milagres.
 Esta tradição já terminou há tempos, o que se compreende perfeitamente em função das muitas mutações operadas no futebol açoriano. Mas é importante que se faça reviver esse tempo em que era muito grande o entusiasmo pelo futebol regional, ao invés do que hoje se constata.





Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

Sem comentários:

Enviar um comentário