OS MAUS E OS BONS POLÍCIAS
Em
tudo que tem o cunho militarizado há sempre os maus e os bons. Há militares e
militares, há polícias e polícias, como em toda e qualquer profissão. Contudo,
aqui é um pouco diferente. Vem isto a talho de foice por uma conversa que tive
com um amigo meu do facebook, antigo comissário da PSP, falando-se dos
temperamentos opostos entre os chefes Mendes (já falecido) e Bettencourt.
O
Mendes calmo e inteligente na sua forma de agir e o Bettencourt sempre arvorado
em “Xerife”, como tivesse o “rei na barriga”. Esta a minha definição pelo que
conheci dos dois graduados da PSP de Angra do Heroísmo.
Mas, sem ser
uma história entre policias e ladrões, há que dizer que muitos polícias que
serviram o destacamento de Angra do Heroísmo têm casos interessantes, uns mais
do que outros, como se compreende. De policias, já não falo mais do “policia
batata” esse “corisco mal amanhado” que andava sempre atrás de nós quando
jogávamos à bola no Caminho Novo. Quando ele aparecia, a malta logo passava a
palavra: “vem aí o batata com massa malagueta”.
Mas há um que
era mesmo uma bondade. Na rua, no futebol, enfim, por onde passava em serviço
não queria que mexessem com ele. Quanto ao resto, aplica-se hoje a letra
daquela canção do Zeca Pagodinho “deixa a vida me levar”. Era assim esse
agente. Gostava da sua pinga, é verdade. Meu pai também gostava muito e hoje
não me importava nada que ele fosse vivo e tomasse um garrafão de cinco litros
de dois em dois dias. Pelo menos, sabia que ainda podia lhe dar um abraço.
Estou quase como
o Macide que, numa crónica de futebol, se esqueceu de colocar o resultado. Quem
a leu, não ficou a saber o resultado. Afinal, quem-é-quem o nosso
policia-de-crónica? O meu amigo Serafim, cujos filhos jogaram no Lusitânia, os
netos também (embora dois tenham passado, posteriormente, pelo Marítimo e
Angrense) e dois genros (Morgado e Carlos João Ávila) que foram dirigentes no
clube verde-branco. Dos netos, sempre gostei de todos, mas o que mais me
impressionava pela sua calma e bondade foi o Marco quando jogava no Angrense e
eu lá estava como secretário-técnico.
O nosso amigo
policia-de-crónica em serviço no Campo de Jogos de Angra ficava ali quietinho,
no peão ou na bancada, sem se preocupar com o resto. Muitas vezes deve ter
pensado: “só não quero é que mexam comigo”. E em muitas ocasiões deve ter dado
um toquinho na perna direita, para a frente, quando o Lusitânia desferia um
remate à baliza do adversário. Só não pulava nos golos porque dava muito nas
vistas. Só não sei, também, se alguma vez repreendeu espectador que tenha
chamado um nome feio ao filho (o nosso “milheiro”) quando este falhava uma
intercepção de bola e o adversário marcava.
À saúde do
Serafim e de meu pai, porque às vezes se juntavam ali na Casa Leão (do Manuel
dos Biscoitos) sita na Rua de Jesus, hoje vou beber meia-bola de tinto. Cheiro
é coisa que não existe por estas bandas. Só cheiro de outras coisas.

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