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sábado, 24 de dezembro de 2016

Do jornal A União



RENATO LIMA, "MEIO CAMBADO", MARCA GOLO HISTÓRICO


Evidentemente que, quando conheci Renato Lima, nunca me passou pela cabeça que, volvidos alguns anos, iria ser treinador do clube onde ele iniciou a sua eclética  carreira, o Sporting Club da Horta que, hoje, apenas tem as suas portas abertas para a modalidade de andebol, disputando o principal campeonato nacional da modalidade. Mas, no meu espírito, continua sempre o
velho slogan do clube HOJE E SEMPRE SPORTING! Não posso esquecer que, nessa época de 1986-87, o Sporting me contratou para ser campeão de ilha e da Associação de Futebol da Horta. Felizmente, que lá chegamos, e o trajeto foi acrescido com o lugar de “vice” na prova de acesso ao escalão terciário do futebol nacional.
No lançamento do livro do meu amigo José Silveira (que não passou pelo Sporting, mas que se evidenciou no Fayal Sport e no FC Flamengos) em que fui orador da noite, não esqueci de fazer referência aos três jogadores do Faial que, na companhia do técnico Mário Laranjo (formou equipa com Manuel Macedo Pereira e o professor Nuno Monteiro Paes), rumaram para a ilha Terceira para representar o Lusitânia. Foram eles, professor Gaspar Neves (Fayal Sport), Jorge da Rosa Faria e Silva (Angústias Atlético Club) e Renato Lima (Sporting da Horta). Um trio atacante. Gaspar pela direita, Jorge pelo centro e Renato pela esquerda. Óbvio que, nas minhas idas ao Faial e no tempo em que lá permaneci (1986-87 e 2003-2004, antes de vir para o Brasil), encontrava com regularidade Gaspar Neves. Inclusive, esteve presente no lançamento do referido livro, em que o quinto capítulo foi escrito por mim. Outros colaboraram, não esquecendo os meus bons amigos Manuel Lino e o professor Ruben Rodrigues. Por outro lado, numa das minhas viagens aos Estados Unidos, para realizar um trabalho com antigos atletas de São Miguel (Pica-Pau, José Americano e outro que não me recordo, que substituiu o Noá por impossibilidade deste), Faial (Jaime Serpa, Jorge Faria e um terceiro de nome Manuel  Lima que jogou no AAC) e Terceira (Ildeberto Alves, Jejé e Jorgino), reencontrei Jorge Faria. Aliás, parti já com essa intenção, recorrendo aos préstimos do meu saudoso amigo Joaquim Laureano Simões (RIP) que foi o nosso elo de ligação. De Renato Lima, nas cinco vezes que me desloquei ao Canadá, não tive essa oportunidade.
Quando esse famoso trio veio para a Terceira, as  refeições eram feitas no Restaurante Moka do meu tio Valdemiro. Era lá que eu encontrava frequentemente o Mário, o Gaspar, o Renato e o Jorge Faria, mantendo com eles uma sadia amizade.
Mas reencontrar o Renato Lima acabou por não ser difícil, após todos estes anos. Aconteceu exatamente no facebook, para mim a melhor rede social que surgiu na internet, porque foi através da mesma que recuperei o paradeiro de muitos e muitos amigos, sobretudo aqueles que estão emigrados e que não são poucos.
Nessa época em que o Lusitânia chegou ao título, batendo o Angrense por 1-0 (saudades desses jogos, de casa cheia, de entusiasmo ao rubro), Renato Lima foi o autor do golo solitário e, curiosamente, apontou-o quando estava meio debilitado fisicamente, mesmo assim atuou o tempo todo. “Meio cambado”, Renato Lima apontou aquele que na altura foi considerado um golo de ouro, obtido na baliza colocada na zona dos balneários e, também, da casa do guarda, o também saudoso António Pereira, vulgo “António Bolha”. E já são passados 50 anos. O tempo voa, mas a minha memória ainda continua em forma. Às vezes, umas derrapagens, mas isto é normal de quem escreve só de memória. Não é fácil, meus amigos.
Depois, à noite, no Restaurante Beira-Mar, do falecido Manuel Almeida (pai dos gémeos Manuel João e João Manuel), a comemoração do título com o habitual jantar bem regado.


Dessa equipa do Lusitânia (que o Renato marcou o golo do título e o Fernando “loga-loga” tudo defendeu nessa tarde), encontrei em Dezembro de 2010 quando estive na Terceira o Nuno Flores, sempre ao seu inconfundível estilo, franzino, passada larga e bem disposto. Pena, que não reencontrei o meu amigo João Alberto da Rocha Veríssimo. Deus chamou-o mais cedo para junto de si.


















Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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