Apita que é ladrão
Senhor árbitro (profissional) de futebol, Jorge
Sousa, está de parabéns. Foste, de longe, o melhor em campo no último dérbi.
Decidiste o jogo.
Lionel Messi ou Cristiano Ronaldo, mesmo em
dia de inspiração XXL, não te chegariam aos calcanhares.
Parecias mágico. Como se o terreno (mesmo
muito povoado com papéis) obedecesse às tuas próprias ordens. Inclina aqui,
acolá e por aí fora.
O relatório à tua exibição deveria ser escrito
sob forma poética. Guarda a sete chaves a gravação do encontro para que, um dia
mais tarde, os teus netos se possam orgulhar do avô.
O servicinho correu à maneira. Diria mais:
foste um verdadeiro artista. Parecias uma estrela de Hollywood, tipo Marlon
Brando no célebre filme “O último tango em Paris” – no caso, a Maria Schneider
vestia de verde e branco e sem direito a manteiga.
Mas como o mundo da sétima arte é complicado e
atribulado, aconselho vivamente o senhor árbitro da bola a experimentar a
publicidade.
Com este perfil, acredito que teria a mesma
facilidade em vender peúgas ou carne de suíno.
E, de repente, o Jorge Sousa poderia brilhar
num anúncio de alarmes antirroubo para moradias, dizendo algo do género “apita
que é ladrão”.
E volta o mais depressa possível à ilha
Terceira para dares formação aos nossos jovens árbitros. Ninguém melhor do que
o senhor árbitro profissional para falar, por exemplo, de verdade desportiva.
Se eu o tornar a ver num café de São Bento,
logo depois de tirar uma selfie consigo, convido-o a visitar a antiga casa do
meu avô, o João Estoupa, famoso caçador de coelhos.
Faço questão de o levar ao quintal, onde
ficavam os cães que ajudavam nas caçadas. Se tiver bom olfato, se calhar ainda
consegue cheirar mijo de cão.
Aproveitarei, então, a oportunidade de sussurrar-lhe
ao ouvido umas ideias minhas malucas sobre árbitros de futebol e sopradores de
apito. Só espero não vomitar.


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