A CONGRATULAÇÃO PELO NOVO HOSPITAL
Muita gente diz que continuo com uma excelente memória. É
verdade que sim. Também é verdade que o professor Alberto Lemos (ainda está
vivo no Faial?) não se enganou quando, na quarta classe, na escola do Orfanato
(muitos dos meus colegas desse tempo emigraram), me apelidou de “boa memória”.
Porém, que fique bem claro, não me considero uma enciclopédia nem a minha
própria
memória tem o rótulo de infalível. Também falho, não muito, é certo,
mas isso acontece com qualquer ser humano. Porém, continuo com a minha memória
bastante funcionável. Como disse recentemente no programa A VOZ DOS AÇORES
(Califórnia), do Euclides Álvares, tudo o que escrevo é de memória, se bem que,
num caso ou outro, e de forma esporádica, tenha recorrido à internet para
recolher os dados que circunstancialmente necessitava. Ainda hoje faço isso, e
porque não dizê-lo, mas muito raramente.
Estou num país onde a saúde é uma calamidade (saúde e educação), com
hospitais degradados, falta de espaço para os doentes, muitos deles colocados
em macas nos corredores. Saúde estável no Brasil só para quem pode recorrer aos
respectivos planos, bastante onerosos e só ao alcance da classe média para
cima. Os pobres-pobres, esses se sujeitam ao pior que pode acontecer a um ser
humano por falta de atendimento médico. E quantas pessoas já morreram nos
corredores de hospitais e postos clínicos? E quantas pessoas já sofreram com
visível negligência médica? Se houvesse uma estatística, o Brasil estaria a
ocupar um dos lugares de liderança, negativamente falando.
Hoje, como cidadão terceirense, como açoriano que continua a divulgar
as ilhas do seu arquipélago (faço-o com o coração, ao lado do meu povo, aquele
que é mesmo povo. Dá para entender onde quero chegar?), sinto-me altamente
satisfeito pelo fato da ilha Terceira, concretamente a cidade de Angra do
Heroísmo, dispor de um novo hospital com condições excelentes, para gáudio de
toda a população que, assim, se sente mais protegida em termos de saúde
pública.
Sou do tempo, ainda muito jovem, do antigo Hospital de Santo Espírito
sito à Guarita. Claro que foi útil no seu tempo e no seu espaço. Lembro-me
perfeitamente quando se esperava por um atendimento para curativo e/ou consulta
médica, que nos sentávamos em bancos de madeira à entrada. E quando um médico
passava pela zona a nós reservada, toda a minha gente se levantava com o devido
respeito. Médicos desse tempo, Viriato Machado Garrett (o mais expansivo),
Joaquim Bartolomeu Flores Brasil, Henrique Henriques Flores (com quem trabalhei
durante alguns anos em part-time na companhia do Luís Henrique Pimpão e da
Adelina Costa), Rocha Alves, Hélio Flores Brasil, Mário Sousa Lima e tantos
outros dessa época marcante. Médicos de uma impressionante sensibilidade para
com os pacientes, o que não quer dizer que isso não acontece nos tempos
hodiernos.
Pelos tristes exemplos que tenho visto aqui no Brasil no que concerne
a infra-estruturais hospitalares, sinto-me orgulhoso pelo fato dos meus
conterrâneos terceirenses disporem de uma unidade hospitalar moderna que
satisfaz todas as exigências. E se falei do passado, aqui também a
congratulação de ver ali médicos que conheci através do futebol, citando,
nomeadamente, Almerindo Rego, Artur Pimentel, Domingos Cunha e José António. Da
nova fornada de médicos, uma ex-atleta que acompanhei no basquetebol do Boa
Viagem (claro como jornalista), Mónica Seidi. Claro que há outros médicos que
ali certamente prestam serviço e que merecem o meu aceno de simpatia. Duarte
Soares, Luís Brito de Azevedo, Jácome Armas e José Manuel Rosa (foi meu jogador
no Angrense), são para mim referências. Não cito o José Oliveira Machado,
porque este não está ligado ao hospital. Mas, sobre ele, já tenho um artigo
escrito para publicar na oportunidade.

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