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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Do jornalista João Rocha






2017 sempre a abrir






 São os segundos mais frenéticos. Na contagem decrescente para a entrada de um novo ano a nossa cabecinha transforma-se numa fonte inesgotável de desejos. É sempre assim. As gravatas dos homens já ganharam a coloração inconfundível da sujidade, as senhoras tiraram os sapatos em solidariedade com os pés doridos e até os mais bebidos despertam de um sono ligeiro para aquela
animação sem fim. Comem-se as passas, dão-se uns goles em qualquer espumante sem aspirações a champanhe e, por alguns instantes coreografados com brindes em catadupa, o mundo torna-se deveras simpático.
Amor, paz, saúde, dinheiro, sucesso e tantas outras coisas bonitas saem em bica de boca em boca.
O Manuel já se esqueceu que nunca gramou o primo António, o Francisco jura saldar todos os seus calotes, a Ermelinda afiança jamais fazer enredos e mexericos em relação à vizinha Antonieta. Resumindo e concluindo: o novo ano traz sempre a esperança de que é perfeitamente possível apagar, sem deixar rasto, os nossos defeitos e azares manifestados nos anteriores 365 dias.
No meio familiar vamos ser uns autênticos anjinhos, cortando a relva, dando banho ao cão e fazendo a cama sempre que necessário, enquanto no emprego seremos tão esmerados que o patrão manifestará a intenção de nos adotar, ou, na pior das hipóteses, triplicará o salário.
No amor, a boazona que já nos deu uma bofetada por um piropo inconveniente no Facebook, cairá finalmente na real e vai segredar-nos, mesmo ao ouvido, que para ela somos tão essenciais como o ar que a própria respira.
E, ninguém duvide, em 2017 vai ser sempre a abrir, depois de enterrada a crise e esfolado o Coelho. O primeiro prémio do Euromilhões sairá à malta toda, os impostos vão baixar, os bancos oferecem casas aos clientes, o combustível é à borla, fumar deixará de implicar fazer fumo, todos os alunos passarão por via administrativa (com o bónus de poderem mutilar os professores mais exigentes à hora do recreio), a feijoada é reconhecida como comida light, Sporting, Benfica e Porto são campeões nacionais ex-áqueo e os árbitros canonizados. A alegria e o entusiasmo da Nação atingirão a marca insuperável do superavit.
Até somos capazes de prometer ter mais cuidado com a saúde, porque nunca valeu tanto a pena viver.
Todos, sem hesitações, cortaremos a fundo no álcool e nas gorduras. Depois da noite/madrugada de 1 de Janeiro de 2017, é mesmo para levar estes cuidados a sério durante todo o ano.
Pronto, para não dizerem que somos fundamentalistas, abriremos uma exceção para a “Quinta-feira de Amigos” que se aproxima a passos largos.
Depois disso, é mesmo para a abstinência. A não ser que no Carnaval…

 joao.rocha@portugalmail.pt


Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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