O ÂNGELO MEDEIROS QUE PASSOU POR MOÇAMBIQUE
O Lusitânia dos Teixeiras (Manuel e José), dos Gastões (Tarrafeiro e Janina), dos Ângelos (Teixeira, Faria e Medeiros) e, numa época muito mais recente dos Borges (Orlando, Jorge, Paulo e João Gabriel). No que concerne aos Ângelos, já aqui trouxemos à estampa a figura do Ângelo Faria, que passou pelo Porto. O
Ângelo Teixeira pela Académica de Coimbra e o Ângelo Medeiros, ao invés de muitos outros, rumou para Moçambique onde representou o Ferroviário de Lourenço Marques.
Da família
do Ângelo Medeiros, conheci mais de perto os dois irmãos, com quem sempre fui
mantendo um contato mais direto, nomeadamente com o Eliseu. Ângelo Medeiros foi
outro dos grandes esquerdinhos que passou pelo Lusitânia (não esquecendo o
Baunilha, que era conhecido pelo “argentino”), com bom tempo de arrancada e o
sentido de oportunidade quando penetrava na área adversária. Fez parte de
equipas de glória, décadas de 40 e 50, do clube verde-branco, que conquistaram
onze campeonatos distritais consecutivos, uma delas com Valdemar Cupido,
Orbelo, Pira, Humberto Cunha, Ângelo Medeiros, Elvino, Macoco, Rafael, Ângelo
Faria, Góis e Gastão Silva (Tarrafeiro). Outros que fizeram parte deste trilho
vitorioso: Ângelo Teixeira, Mário, Manuel Teixeira, José Teixeira, Picanço,
Gastão Rodrigues (Janina), Manuel Leonardo, Manuel Homem de Meneses, Ezequiel
Borges Barcelos, Manuel “Pau Preto”, Alfredo Esteves (que depois foi árbitro) e
tantos outros. O Lusitânia com Elvino na direita, Ângelo Medeiros na esquerda,
Macoco no centro, e o municiador Ângelo Faria, era de fato uma fábrica de dores
de cabeça para as defensivas contrárias. E também uma fábrica de fazer golos.
Hoje, deste lote fabuloso, poucos estão vivos. Elvino ainda continua entre nós
com uma boa disposição, de acordo com as fotos e vídeos que vimos nos recentes
almoços promovidos pelo Lusitânia.
Ângelo
Fernandes Medeiros era uma pessoa que revelava uma impressionante calma, nunca
se envolvendo em desordens dentro do campo, inclusive quando era impiedosamente
ceifado por mais diretos opositores, um deles o João Homem do Angrense,
vulgarmente conhecido pelo “esfranfalha” (penso que era este o alcunha) e que
utilizava muito o seu porte físico, por vezes além das marcas, mas era a sua
forma de jogar, mais força do que técnica, que era pouca. É possível que o
Ângelo Medeiros, no seu regresso ao Lusitânia depois de ter estado em Moçambique,
tenha enfrentado o Carlos Meneses, outro lateral-direito do Angrense de fibra,
daqueles do... “ou vai ou racha”. Era assim o Carlinhos, com quem convivemos em
duas deslocações feitas ao Canadá.
Dentro do
possível, creio que fui de encontro ao desejo do sobrinho do Ângelo Medeiros, o
nosso bom amigo Jorge Eliseu Fernandes, que reside na Califórnia e que sei
tratar-se de um dos meus leitores. O Jorge sempre fica radiante quando se fala
do seu tio, na verdade uma grande glória do futebol açoriano. O Lusitânia
contou com três Ângelos de se lhe tirar o chapéu.

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