SOBE, SOBE, DESCE, DESCE, SOBE, DESCE
Dou uma de recuar no tempo e, caramba, como os anos passaram depressa e aqui
me refiro de 1991-92 até ao presente. Penso que foi ontem, quiçá pelo fato da
minha memória ter muitas mais “gigas” em relação ao que muita gente pensa. Aqui
na memória, diariamente, circulam abundantes episódios ocorridos
neste já
bonito trajeto de 48 anos de ininterrupta atividade. Às vezes, até penso que
tenho um “cérebro de elefante”. Será mesmo? Creio que ainda estou a tempo de
verificar esse fenómeno. Mas, para o efeito, tenho que ir a um Zoo e encostar a
minha cabeça à de um elefante. O problema maior é se o meu cérebro tem mais
força em relação à do animal e aí me sujeito a levar com a tromba e ir parar ao
quintal do vizinho, óbvio do elefante.
Verdade:
1991-92, período em que estive na chefia do Jornal do Desporto, na cidade de
Ponta Delgada. Comigo trabalharam grandes figuras ligadas ao jornalismo desta
região, uma das quais (figuras) o atual pivô do programa Jornal do Desporto da
RTP-AÇORES, Paulo Cordeiro, nessa altura funcionário da EDA e jornalista nas
horas vagas, sempre bem aproveitadas, sublinhe-se.
Sempre
mantive, em São Miguel, uma excelente relação com o elenco diretivo do Vólei
Clube (Mário Lourenço, Dr. António Pedro e Max Almeida) e, por esse motivo,
fizeram questão que eu acompanhasse a equipa feminina numa deslocação ao Porto.
Coloquei o problema à direção do jornal e foi-me dito que não era aconselhável,
isto porque ficariam sujeitos a não ter jornal na rua na segunda-feira. Entendi
desde logo a mensagem e, após ter elucidado os três membros da direção do Vólei
Clube, chegamos a um consenso e indiquei o “menininho” Paulo Cordeiro para
representar o jornal e, naturalmente, fazer o seu trabalho, basicamente
crónicas dos dois jogos que seriam disputados na Invicta. Tudo correu de
feição, mas, no domingo à noite, recebi um telefonema alertando-me para o fato
do meu representante ter sido submetido a um inesperado (...) reboliço no hotel
onde a comitiva ficou instalada. Pensei desde logo: um "menininho" tão
quieto, bom observador, mas sem ser atrevido, que terá feito?.”
Como
residia num lote de apartamentos (zona do “Papa Terra”) onde estavam três das
jogadoras brasileiras contratadas pelo Vólei Clube, não seria difícil saber o
que realmente se tinha passado. Na segunda-feira, falei com as meninas e elas,
rindo à farta, contaram-me que o Paulo Cordeiro tinha sido por elas fechado no
elevador e que, durante uns bons minutos, andou num constante sobe-e-desce.
Também comecei a rir, mas sempre quis saber o motivo que as levaram a
“molestar” aquele “menininho”. Resposta em uníssono: foi só para vermos se o
“menininho” ficava mais esperto. Olhamos para ele e nada... Ficava impávido e
sereno.
Quando
o Paulo Cordeiro no dia seguinte foi ao jornal, perguntei-lhe: já sei que correu
tudo bem, as meninas foram gentis para contigo e que tiveste um comportamento
condigno, mas sempre fui adiantando que ele não perdesse tempo a contar a
história do elevador, porque eu já sabia tudo tintim-por-tintim. Serenamente,
respondeu: o que faz viver ao lado das brasileiras!
Hoje,
esse “menininho” já está muito mais esperto e, inclusivamente, sem timidez
alguma, conseguiu agarrar uma inglesa. Naquela altura, no Porto, faltou às
brasileiras falarem um pouco em inglês, apenas com esta frase: “very good”.

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