JORNALISMO EM DESTAQUE

485º Aniversário da Cidade de Angra do Heroísmo

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Do jornal A União




SOBE, SOBE, DESCE, DESCE, SOBE, DESCE


 Dou uma de recuar no tempo e, caramba, como os anos passaram depressa e aqui me refiro de 1991-92 até ao presente. Penso que foi ontem, quiçá pelo fato da minha memória ter muitas mais “gigas” em relação ao que muita gente pensa. Aqui na memória, diariamente, circulam abundantes episódios ocorridos
neste já bonito trajeto de 48 anos de ininterrupta atividade. Às vezes, até penso que tenho um “cérebro de elefante”. Será mesmo? Creio que ainda estou a tempo de verificar esse fenómeno. Mas, para o efeito, tenho que ir a um Zoo e encostar a minha cabeça à de um elefante. O problema maior é se o meu cérebro tem mais força em relação à do animal e aí me sujeito a levar com a tromba e ir parar ao quintal do vizinho, óbvio do elefante.

Verdade: 1991-92, período em que estive na chefia do Jornal do Desporto, na cidade de Ponta Delgada. Comigo trabalharam grandes figuras ligadas ao jornalismo desta região, uma das quais (figuras) o atual pivô do programa Jornal do Desporto da RTP-AÇORES, Paulo Cordeiro, nessa altura funcionário da EDA e jornalista nas horas vagas, sempre bem aproveitadas, sublinhe-se.

Sempre mantive, em São Miguel, uma excelente relação com o elenco diretivo do Vólei Clube (Mário Lourenço, Dr. António Pedro e Max Almeida) e, por esse motivo, fizeram questão que eu acompanhasse a equipa feminina numa deslocação ao Porto. Coloquei o problema à direção do jornal e foi-me dito que não era aconselhável, isto porque ficariam sujeitos a não ter jornal na rua na segunda-feira. Entendi desde logo a mensagem e, após ter elucidado os três membros da direção do Vólei Clube, chegamos a um consenso e indiquei o “menininho” Paulo Cordeiro para representar o jornal e, naturalmente, fazer o seu trabalho, basicamente crónicas dos dois jogos que seriam disputados na Invicta. Tudo correu de feição, mas, no domingo à noite, recebi um telefonema alertando-me para o fato do meu representante ter sido submetido a um inesperado (...) reboliço no hotel onde a comitiva ficou instalada. Pensei desde logo: um "menininho" tão quieto, bom observador, mas sem ser atrevido, que terá feito?.”

Como residia num lote de apartamentos (zona do “Papa Terra”) onde estavam três das jogadoras brasileiras contratadas pelo Vólei Clube, não seria difícil saber o que realmente se tinha passado. Na segunda-feira, falei com as meninas e elas, rindo à farta, contaram-me que o Paulo Cordeiro tinha sido por elas fechado no elevador e que, durante uns bons minutos, andou num constante sobe-e-desce. Também comecei a rir, mas sempre quis saber o motivo que as levaram a “molestar” aquele “menininho”. Resposta em uníssono: foi só para vermos se o “menininho” ficava mais esperto. Olhamos para ele e nada... Ficava impávido e sereno.

Quando o Paulo Cordeiro no dia seguinte foi ao jornal, perguntei-lhe: já sei que correu tudo bem, as meninas foram gentis para contigo e que tiveste um comportamento condigno, mas sempre fui adiantando que ele não perdesse tempo a contar a história do elevador, porque eu já sabia tudo tintim-por-tintim. Serenamente, respondeu: o que faz viver ao lado das brasileiras!

Hoje, esse “menininho” já está muito mais esperto e, inclusivamente, sem timidez alguma, conseguiu agarrar uma inglesa. Naquela altura, no Porto, faltou às brasileiras falarem um pouco em inglês, apenas com esta frase: “very good”.

Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

Sem comentários:

Enviar um comentário