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segunda-feira, 10 de abril de 2017

Do jornal A União




APENAS E SÓ UM "MALABARISTA PARADO"
Em termos de camadas jovens, o futebol de hoje está totalmente diferente, para melhor como é óbvio. Outrora era impensável os Açores participarem em provas nacionais. Hoje, porém, com uma impressionante mudança de mentalidades, é consolador ver-se, dos iniciados aos juniores A, os representantes do futebol açoriano disputarem as respectivas fases finais das
provas sob a égide da Federação Portuguesa de Futebol e que, por norma, contam com os mais poderosos, Benfica, Sporting, Porto e por aí fora. Pelo menos, é um justo prémio para os jovens futebolistas da região açoriana defrontarem adversários de nomeada, independentemente de resultados desnivelados, o que é legítimo compreender.
Ao invés do que temos hoje nos escalões de formação, em tempos mais recuados (a partir de 1958-59) apenas tínhamos um escalão, os denominados Principiantes de onde surgiram bons valores, isto em relação às três equipas de Angra (Lusitânia, Angrense e Marítimo) que, dentro das suas possibilidades, apoiaram esta categoria, a única existente, juntando-se assim às ditas reservas (que também tinham o seu campeonato) e às Categorias de Honra, como eram conhecidas.
No futebol surgem sempre predestinados, uns mais do que outros. Da referida categoria de Principiantes, houve jogadores que, ao atingirem a idade prevista nos regulamentos da FPF, deram o salto para a Categoria de Honra, maior incidência no que diz respeito ao Marítimo, com Airosa, irmãos Coelho e tantos outros dessa mesma geração.
No que concerne ao Angrense, que contou com um bom punhado de valores, mais tarde fazendo parte da equipa principal, surgiu um jovem que, no intervalo dos jogos da Categoria de Honra (era assim a denominação), passava, equipado a rigor, para o entretenimento do público, exibindo-se em frente à bancada com o “malabarismo parado”. De fato, esse personagem, de nome Carlos Nelson, tinha, no sentido apontado (“malabarismo parado”), um exímio contato com a bola. Até aqui era muito apreciado. Porém, quando integrado na equipa de Principiantes do clube da Rua de São João, tornava-se num jogador vulgaríssimo, muito inferior a outros jovens que faziam parte dessa mesma equipa.
Carlos Nelson foi, portanto, um género de “jogador-de-passa-tempo” no intervalo dos jogos do Angrense no Campo de Jogos da Cidade. Daí não passou. E muita gente acreditou que ele seria, no futuro, um jogador de contar para a equipa principal. Pura utopia.
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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