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485º Aniversário da Cidade de Angra do Heroísmo

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Do jornalista João Rocha


 O nosso Espírito Divino

                                                                                     


O culto ao Espírito Santo representa prática comum às nove ilhas do arquipélago açoriano. A fé na Terceira Pessoa da Santíssima Trindade é sagrada para o nosso Povo e serve de “âncora” nos momentos mais angustiantes das vivências individuais e comunitárias.

Trazidas para os Açores na época do seu povoamento e decorrendo entre a Páscoa até ao final de Verão, as Festas do Espírito Santo resumem a história de um Povo nas relações com o Sagrado, com a terra e com ele próprio.
É a invocação à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade que espontaneamente acode à boca de cada açoriano nos momentos mais dolorosos da sua existência. Estas aflições são depois traduzidas no pagamento de Promessas ou Votos.
 Os motivos são variadíssimos (de saúde, profissionais, académicos e pessoais), sendo inquestionáveis como a própria fé. As Festas ao Divino Espírito Santo relevam, na sua essência, fraternidade e igualdade entre todos. E os "bodos" reproduzem exatamente isto, ou seja, o sentido de partilha.
O "bodo" traduz-se na distribuição de pão, carne e vinho. E todos os participantes nos festejos podem comer a sopa do Divino Espírito Santo, a alcatra, o pão e beber o vinho de cheiro. Na ilha Terceira, cada freguesia, ou Império, faz ainda “das tripas coração” para conseguir a toirada mais afamada de cada ano.
Nas festas ao Divino, aliás, há sempre espaço para o sagrado e o profano. Os devotos pagam as suas promessas, fazem oferendas, rezam nos terços, mas também nunca esquecem a riquíssima componente social resultante de cada festa de Império.
Nos arraiais, um olhar mais maroto de um rapaz leva, muitas vezes, a destinatária donzela ao altar, enquanto que numa toirada à corda (desculpem lá os fervorosos aficionados...) o “quinto toiro”, traduzido nos comes e bebes na tasca ou moradia de familiar ou amigo, pode muito bem ser a parte mais animada na festa.
 Embora com rituais diferentes, o culto ao Espírito Santo é sinónimo da própria açorianidade. Nas ilhas, mas também um pouco por todo o mundo, à conta do empenho e devoção dos nossos emigrantes.


Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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