O nosso Espírito Divino
O culto ao Espírito Santo representa prática comum às nove ilhas
do arquipélago açoriano. A fé na Terceira Pessoa da Santíssima Trindade é
sagrada para o nosso Povo e serve de “âncora” nos momentos mais angustiantes
das vivências individuais e comunitárias.
Trazidas para os Açores na época do seu povoamento e decorrendo
entre a Páscoa até ao final de Verão, as Festas do Espírito Santo resumem a
história de um Povo nas relações com o Sagrado, com a terra e com ele próprio.
É a invocação à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade
que espontaneamente acode à boca de cada açoriano nos momentos mais dolorosos
da sua existência. Estas aflições são depois traduzidas no pagamento de
Promessas ou Votos.
Os motivos são
variadíssimos (de saúde, profissionais, académicos e pessoais), sendo
inquestionáveis como a própria fé. As Festas ao Divino Espírito Santo relevam,
na sua essência, fraternidade e igualdade entre todos. E os "bodos"
reproduzem exatamente isto, ou seja, o sentido de partilha.
O "bodo" traduz-se na distribuição de pão,
carne e vinho. E todos os participantes nos festejos podem comer a sopa do
Divino Espírito Santo, a alcatra, o pão e beber o vinho de cheiro. Na ilha
Terceira, cada freguesia, ou Império, faz ainda “das tripas coração” para
conseguir a toirada mais afamada de cada ano.
Nas festas ao Divino, aliás, há sempre espaço para o
sagrado e o profano. Os devotos pagam as suas promessas, fazem oferendas, rezam
nos terços, mas também nunca esquecem a riquíssima componente social resultante
de cada festa de Império.
Nos arraiais, um olhar mais maroto de um rapaz leva,
muitas vezes, a destinatária donzela ao altar, enquanto que numa toirada à
corda (desculpem lá os fervorosos aficionados...) o “quinto toiro”, traduzido
nos comes e bebes na tasca ou moradia de familiar ou amigo, pode muito bem ser
a parte mais animada na festa.
Embora com
rituais diferentes, o culto ao Espírito Santo é sinónimo da própria
açorianidade. Nas ilhas, mas também um pouco por todo o mundo, à conta do
empenho e devoção dos nossos emigrantes.


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