Filhos da mãe
A evocação do “Dia da Mãe” é hoje, mas o tema da crónica está perfeitamente atualizado.
Mãe é todos os dias, 7 de maio de 2017 inclusive. Dar à luz é a dádiva maior do
Criador. É acrescentar vidas à vida. Os cuidados maternais constituem a
hipérbole do amor. O povo diz que “não há amor como o de mãe” e, como de
costume, tem inteira razão.
O filho é da mãe desde o seu interior. É dela as primeiras memórias que guardamos da descoberta dos sentidos. Representa um porto de abrigo, uma âncora. A definição do termo não alcança a essência da realidade. O dicionário refere-se a um lacónico “mulher ou fêmea que teve um ou mais filhos”. O significado de mãe dispensa por completo o sentido da palavra. Não se tratam de letras. São emoções das mais poderosas. Não é para ler. Simplesmente para viver.
Para perceber, é preciso ter um coração de mãe. É dedicação, abnegação e pôr sempre os filhos à frente delas próprias e do resto do mundo. Mais uma vez, não sei explicar.
Sou filho, amei a minha mãe, mas o meu forte sentimento foi esmagado em relação ao dela por mim e pelos meus irmãos. Não dá para ver. Só se sente.
A minha mãe era assim, mas praticamente todas as outras também assumirão a mesma conduta. É quase um código genético. Uma missão, a mais nobre de todas.
Nós, os filhos, também nascemos para dar chatices. As mães sabem e ultrapassam o problema com amor. Muito mesmo. As encruzilhadas da existência nunca fazem esmorecer por completo a eterna ligação mãe/filho. É a partilha mais que perfeita. Ela está sempre por perto, mesmo quando está ausente. Pode parecer pieguice, mas é mesmo assim. O porquê das coisas não é para ser justificado. Ele já existe antes da justificação.
Sem qualquer carga pejorativa: somos todos filhos da mãe. Melhor, das mães. Nós sabemos e elas ainda mais. É amor em estado puro. Não é de quantificar, até porque nem existiria escala. Mãe é o rio da Humanidade na geografia do amor. Não é metáfora. É presença real como a mão que embala o berço ...
joao.rocha@portugalmail.pt


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