JORNALISMO EM DESTAQUE

485º Aniversário da Cidade de Angra do Heroísmo

terça-feira, 6 de junho de 2017

Da conceituada Atriz Cidah Viana



(ABREM-SE AS CORTINAS, OS FREIS AJOELHADOS CANTAM)
MÚSICA 2: ‘‘A treze de maio na Cova da Iria
No céu aparece a Virgem Maria.
Ave, ave, ave Maria }Bis." (CORTA EM AVE MARIA)
FREI LUÍS – (PEGA O CÁLIX E RECITA O POEMA VINHO)


Taça de cristal
lapidada à mão
cantando ao toque
de delicados dedos.
Música de serafins
suave canção
diante do trono de Deus.
Vinho dourado
contido no bojo
como aura da Lua
refletindo o Sol.
Queres ser o autor
do meu destino?
Determinar na volúpia
do beijo reprimido,
amor sentido e
nunca consentido.

FREI HUMBERTO – Bonitas palavras de Maria Aparecida Camargos Freitas, Frei Luís.
FREI LUÍS – Frei Humberto, eu só estava querendo fazer algo diferente além de rezar, me perdoe.
FREI HUMBERTO – Não existe perdão neste caso, Frei Luís, pois a poesia também é uma oração.
FREI DAVI – Posso ir fazer o almoço, Frei Humberto?
FREI HUMBERTO – Ainda não, Frei Davi, hoje é dia de jejum.
FREI DAVI – (PASSANDO A MÃO NA BARRIGA) Perdão, Senhor! Que fome!
MÚSICA 3: (FREIS AJOELHADOS) ‘‘Ave Maria, Gratia plena, Dominus Tecum’’ (CORTA)
(MÚSICA INTERROMPIDA COM A CAMPAINHA INSISTENTE)
FREI HUMBERTO – Frei Alfredo, atenda a porta, por favor. Quem será?
FREI ALFREDO – (SAI E VOLTA) Frei Humberto, a Madre Justina do convento das irmãs franciscanas quer falar com o senhor, parece apavorada.
FREI HUMBERTO – Traga-a aqui.
FREI ALFREDO – Mas ela está com outras freiras e um mundaréu de crianças.
FREI HUMBERTO – Vocês todos vão recebê-las e deixe a Madre Justina falar comigo.
(SAEM TODOS, ENTRA MADRE JUSTINA)
MADRE JUSTINA (NERVOSA) – Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
FREI HUMBERTO – Para sempre seja louvado! O que a apavora tanto, Madre Justina?
MADRE JUSTINA – O nosso convento pegou fogo, frei. Adotamos umas crianças que os pais viajaram em uma missão de paz e os ‘‘santinhos’’ brincaram com fogo. Elas estão amedrontadas e nós não temos para onde ir.
FREI HUMBERTO – Mas, Madre Justina, nós vivemos enclausurados!
FREI FRANCISCO – Perdão, Frei Humberto, mas a nossa missão agora é acolher!
FREI ALFREDO – Concordo com o Frei Francisco, porque assim diz o Senhor: ‘‘Deixai vir a mim as criancinhas, porque delas é o reino dos céus.”
FREI DAVI – Este mosteiro vai virar uma bagunça, meu Deus!
MADRE JUSTINA – É só o tempo de conseguirmos reformar o nosso convento!
FREI HUMBERTO – Que seja feita a vontade de Deus! (VAI AO ENCONTRO DELAS)
FREI DAVI – As crianças já almoçaram Madre?
MADRE JUSTINA – Ainda não, frei. Foi tão rápido, perdemos quase tudo!
FREI DAVI – Então vou preparar um almoço bem gostoso. (ALEGRE, PASSANDO A MÃO NA BARRIGA, SAI FELIZ)
MÚSICA GLÓRIA, GLÓRIA, ALELUIA (CRIANÇAS ENTRANDO COM OS OLHOS ARREGALADOS E FREI HUMBERTO GESTICULANDO COMO SE PASSASSE PARA ELAS AS NORMAS DA CASA)
FREI HUMBERTO – Vou verificar o que podemos fazer a respeito de alojamento. Frei Alfredo e Frei Francisco, distribuam as tarefas com as freiras para que possamos receber os ‘‘santinhos’’ da melhor forma possível.
(MADRE JUSTINA SAI COM ELE)
JONATHAN – Os santinhos somos nós?
MADRE TEREZA – Sim Jonathan, vocês são os nossos santinhos!
NOVIÇA MARIA RITA – Santinhos!? (CONTINUA A REZAR O TERÇO)
MADRE ESPERANZA – Noviça Maria Rita, neste momento, precisamos de muita união.
(MARIA RITA REZA MAIS LIGEIRO)
FREI LUÍS – Já vi que o mosteiro vai esquentar, uhu! (SAI)
MADRE PIETRA – Frei, pode deixar que eu cuido das crianças na rotina diária.
MADRE TEREZA – Eu sou professora de Canto, posso ajudar também.
FREI FRANCISCO – Ótimo! Quem canta reza duas vezes. E eu vou dar as aulas de Catecismo.
ANNA – Ah nem, viu. Eu não gosto de rezar!
MADRE ESPERANZA – Eu, como coordenadora, cuidarei da ordem, da disciplina e das aulas de Literatura.
ROBERTA – Madre Esperanza, nós vamos ter aulas aqui também? Achei que teríamos umas férias bem grandonas!
MADRE ESPERANZA – Claro que sim! Ninguém aguenta ficar só brincando o tempo todo. Mas vai ser divertido, você vai ver. Vamos começar nos apresentando para os freis e descobrir como se vive num mosteiro.
CLARINHA – Eu quero ficar com a Mãe Preta!
MADRE ESPERANZA – Madre Pietra, cuide da Clarinha até ela se acalmar!
GABRIEL – Eu também tô nervoso!
MADRE PIETRA – Pode deixar, eu vou cuidar de vocês o tempo todo. (AS CRIANÇAS A ABRAÇAM)
FREI ALFREDO – Tenho uma sugestão. Vamos deixar as crianças brincarem no pátio até a hora do almoço para que se acalmem, depois começaremos a organizar esta bagunça, quero dizer, a casa.
ALICE – Vamos achar o pátio primeiro, Frantieska?
FRANTIESKA – Vamos. Eu quero brincar de pique-esconde. (SAEM)
JONATHAN – A Madre Delminda ficou lá fora, tadinha!
(SAEM TODOS, FICAM SÓ FREI ALFREDO E MADRE TEREZA)
FREI ALFREDO – Quem é Madre Delminda?
MADRE TEREZA – É uma freira cega, mas muito carinhosa e acabou conquistando o Jonathan. Toda vez que ele precisava de um corretivo, seu castigo era ajudá-la a fazer terço. Como ele gosta muito de poesia e ela também, acabaram-se tornando grandes amigos. Hoje, ele pede para ir pro castigo. (SAEM RINDO)
(PASSAGEM DE TEMPO, JONATHAN MOSTRA À MADRE DELMINDA O MOSTEIRO, PASSANDO A MÃO)
MÚSICA: JESUS, REI, DEUS VERDADEIRO (AS CRIANÇAS CANTAM O REFRÃO EM CORO)

"Honra e Glória, louvou sempiterno
A Jesus, a Jesus Redentor
Deus de Deus, Luz de Luz, Verbo Eterno
Cristo Rei, do Universo, Senhor.
                                                   Jesus, Rei, Deus Verdadeiro
O teu reino vem a nós
Obedeça o mundo inteiro
Ao poder da tua voz.
Jesus, Rei, Deus..."
    



Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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