(ABREM-SE AS
CORTINAS, OS FREIS AJOELHADOS CANTAM)
MÚSICA 2: ‘‘A
treze de maio na Cova da Iria
No céu aparece a
Virgem Maria.
Ave, ave, ave
Maria }Bis." (CORTA EM AVE MARIA)
FREI LUÍS –
(PEGA O CÁLIX E RECITA O POEMA VINHO)
Taça de cristal
lapidada à mão
cantando ao
toque
de delicados
dedos.
Música de
serafins
suave canção
diante do trono
de Deus.
Vinho dourado
contido no bojo
como aura da Lua
refletindo o
Sol.
Queres ser o
autor
do meu destino?
Determinar na
volúpia
do beijo
reprimido,
amor sentido e
nunca
consentido.
FREI HUMBERTO –
Bonitas palavras de Maria Aparecida Camargos Freitas, Frei Luís.
FREI LUÍS – Frei
Humberto, eu só estava querendo fazer algo diferente além de rezar, me perdoe.
FREI HUMBERTO –
Não existe perdão neste caso, Frei Luís, pois a poesia também é uma oração.
FREI DAVI –
Posso ir fazer o almoço, Frei Humberto?
FREI HUMBERTO –
Ainda não, Frei Davi, hoje é dia de jejum.
FREI DAVI –
(PASSANDO A MÃO NA BARRIGA) Perdão, Senhor! Que fome!
MÚSICA 3: (FREIS
AJOELHADOS) ‘‘Ave Maria, Gratia plena, Dominus Tecum’’ (CORTA)
(MÚSICA
INTERROMPIDA COM A CAMPAINHA INSISTENTE)
FREI HUMBERTO –
Frei Alfredo, atenda a porta, por favor. Quem será?
FREI
ALFREDO – (SAI E VOLTA) Frei Humberto, a Madre Justina do
convento das irmãs franciscanas quer falar com o senhor, parece apavorada.
FREI HUMBERTO –
Traga-a aqui.
FREI ALFREDO –
Mas ela está com outras freiras e um mundaréu de crianças.
FREI HUMBERTO –
Vocês todos vão recebê-las e deixe a Madre Justina falar comigo.
(SAEM TODOS,
ENTRA MADRE JUSTINA)
MADRE JUSTINA
(NERVOSA) – Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
FREI HUMBERTO –
Para sempre seja louvado! O que a apavora tanto, Madre Justina?
MADRE JUSTINA –
O nosso convento pegou fogo, frei. Adotamos umas crianças que os pais viajaram
em uma missão de paz e os ‘‘santinhos’’ brincaram com fogo. Elas estão
amedrontadas e nós não temos para onde ir.
FREI HUMBERTO –
Mas, Madre Justina, nós vivemos enclausurados!
FREI FRANCISCO –
Perdão, Frei Humberto, mas a nossa missão agora é acolher!
FREI ALFREDO –
Concordo com o Frei Francisco, porque assim diz o Senhor: ‘‘Deixai vir a mim as
criancinhas, porque delas é o reino dos céus.”
FREI DAVI – Este
mosteiro vai virar uma bagunça, meu Deus!
MADRE JUSTINA –
É só o tempo de conseguirmos reformar o nosso convento!
FREI HUMBERTO –
Que seja feita a vontade de Deus! (VAI AO ENCONTRO DELAS)
FREI DAVI – As
crianças já almoçaram Madre?
MADRE JUSTINA –
Ainda não, frei. Foi tão rápido, perdemos quase tudo!
FREI DAVI –
Então vou preparar um almoço bem gostoso. (ALEGRE, PASSANDO A MÃO NA BARRIGA,
SAI FELIZ)
MÚSICA GLÓRIA,
GLÓRIA, ALELUIA (CRIANÇAS ENTRANDO COM OS OLHOS ARREGALADOS E FREI HUMBERTO
GESTICULANDO COMO SE PASSASSE PARA ELAS AS NORMAS DA CASA)
FREI HUMBERTO –
Vou verificar o que podemos fazer a respeito de alojamento. Frei Alfredo e Frei Francisco, distribuam as tarefas
com as freiras para que possamos receber os ‘‘santinhos’’ da melhor forma
possível.
(MADRE JUSTINA
SAI COM ELE)
JONATHAN – Os
santinhos somos nós?
MADRE TEREZA –
Sim Jonathan, vocês são os nossos santinhos!
NOVIÇA MARIA
RITA – Santinhos!? (CONTINUA A REZAR O TERÇO)
MADRE ESPERANZA
– Noviça Maria Rita, neste momento, precisamos de muita união.
(MARIA RITA REZA
MAIS LIGEIRO)
FREI LUÍS – Já
vi que o mosteiro vai esquentar, uhu! (SAI)
MADRE PIETRA –
Frei, pode deixar que eu cuido das crianças na rotina diária.
MADRE TEREZA –
Eu sou professora de Canto, posso ajudar também.
FREI FRANCISCO –
Ótimo! Quem canta reza duas vezes. E eu vou dar as aulas de Catecismo.
ANNA – Ah nem,
viu. Eu não gosto de rezar!
MADRE ESPERANZA
– Eu, como coordenadora, cuidarei da ordem, da disciplina e das aulas de
Literatura.
ROBERTA – Madre
Esperanza, nós vamos ter aulas aqui também? Achei que teríamos umas férias bem
grandonas!
MADRE ESPERANZA
– Claro que sim! Ninguém aguenta ficar só brincando o tempo todo. Mas vai ser
divertido, você vai ver. Vamos começar nos apresentando para os freis e
descobrir como se vive num mosteiro.
CLARINHA – Eu
quero ficar com a Mãe Preta!
MADRE ESPERANZA
– Madre Pietra, cuide da Clarinha até ela se acalmar!
GABRIEL – Eu
também tô nervoso!
MADRE PIETRA –
Pode deixar, eu vou cuidar de vocês o tempo todo. (AS CRIANÇAS A ABRAÇAM)
FREI ALFREDO –
Tenho uma sugestão. Vamos deixar as crianças brincarem no pátio até a hora do
almoço para que se acalmem, depois começaremos a organizar esta bagunça, quero
dizer, a casa.
ALICE – Vamos
achar o pátio primeiro, Frantieska?
FRANTIESKA –
Vamos. Eu quero brincar de pique-esconde. (SAEM)
JONATHAN – A
Madre Delminda ficou lá fora, tadinha!
(SAEM TODOS,
FICAM SÓ FREI ALFREDO E MADRE TEREZA)
FREI ALFREDO –
Quem é Madre Delminda?
MADRE TEREZA – É
uma freira cega, mas muito carinhosa e acabou conquistando o Jonathan. Toda vez
que ele precisava de um corretivo, seu castigo era ajudá-la a fazer terço. Como
ele gosta muito de poesia e ela também, acabaram-se tornando grandes amigos. Hoje,
ele pede para ir pro castigo. (SAEM RINDO)
(PASSAGEM DE
TEMPO, JONATHAN MOSTRA À MADRE DELMINDA O MOSTEIRO, PASSANDO A MÃO)
MÚSICA: JESUS,
REI, DEUS VERDADEIRO (AS CRIANÇAS CANTAM O REFRÃO EM CORO)
"Honra e
Glória, louvou sempiterno
A Jesus, a Jesus
Redentor
Deus de Deus,
Luz de Luz, Verbo Eterno
Cristo Rei, do
Universo, Senhor.
Jesus, Rei, Deus Verdadeiro
O teu reino vem
a nós
Obedeça o mundo
inteiro
Ao poder da tua
voz.
Jesus, Rei,
Deus..."

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