Pais financiam
bebedeiras dos filhos
Em qualquer bar ou festa pública, há grupos de crianças (13, 14
anos no máximo) que se embebedam até cair e, em último caso, sujeitos a uma
“lavagem do estômago” nas urgências hospitalares.
Obviamente que é muito grave a venda das bebidas, mas ainda mais complexo é o
facto de as criancinhas terem dinheiro para as comprar.
Não há que tapar o sol com a peneira – o dinheiro para tal fim sai dos bolsos
dos pais em forma de mesada ou outra qualquer.
Os encarregados de educação estão mais do que
conscientes por onde andam e fazem os seus filhos em festarolas com poucos ou
nenhumas regras.
Como se não bastasse a nossa base cultural que
incentiva o consumo precoce de álcool (“bebe essa pinga para ficares um homem valente
e rijo, além de te fazer crescer pelos no peito”), o desmoronar do conceito
família na sociedade contemporânea só vem complicar ainda mais o cenário.
Os agregados familiares desfazem-se como castelos
formados por baralhos de cartas e, por arrastamento, os elos fracos,
constituído por crianças e jovens, estão mais expostos aos vícios sociais.
Que exemplo terá um filho quando observa os pais a
curtir também os prazeres da noite? Que exemplo terá um filho quando observa os
seus progenitores a curar as ressacas de divórcios e separações, muitas vezes
misturando calmantes (ter uma depressão tornou-se quase tão corriqueiro como
lavar os dentes) e bebidas de alto teor alcoólico?
É
impossível dourar a pílula no âmbito desta tenebrosa realidade. Em muitos casos,
os progenitores financiam as farras das crianças ainda na pré-adolescência.
Depois,
caso os filhos não se escudem na velha artimanha de ficar a dormir na casa de
um amigo, vão busca-los a altas horas da madrugada aos locais de animação e, se
calhar, poucos questionam os seus comportamentos por mais estranhos que sejam.
Depois,
se a coisa corre mal no desempenho escolar, a culpa só pode ser dos docentes.
O
melhor é ir à escola com vista a dar “um abanão ao banana do professor que não
consegue perceber a genialidade do meu filho”.
E se o
dito geniozinho revelar dificuldades em lidar com a traumática situação, o
melhor mesmo é aumentar-lhe a mesada. Sempre terá uns trocos para beber mais um
shot na próxima festa com amigos e colegas.


Sem comentários:
Enviar um comentário