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terça-feira, 6 de junho de 2017

Do jornalista João Rocha






Pais financiam
bebedeiras dos filhos

                                                    


Em qualquer bar ou festa pública, há grupos de crianças (13, 14 anos no máximo) que se embebedam até cair e, em último caso, sujeitos a uma “lavagem do estômago” nas urgências hospitalares.
Obviamente que é muito grave a venda das bebidas, mas ainda mais complexo é o facto de as criancinhas terem dinheiro para as comprar.
Não há que tapar o sol com a peneira – o dinheiro para tal fim sai dos bolsos dos pais em forma de mesada ou outra qualquer.
Os encarregados de educação estão mais do que conscientes por onde andam e fazem os seus filhos em festarolas com poucos ou nenhumas regras.
Como se não bastasse a nossa base cultural que incentiva o consumo precoce de álcool (“bebe essa pinga para ficares um homem valente e rijo, além de te fazer crescer pelos no peito”), o desmoronar do conceito família na sociedade contemporânea só vem complicar ainda mais o cenário.
Os agregados familiares desfazem-se como castelos formados por baralhos de cartas e, por arrastamento, os elos fracos, constituído por crianças e jovens, estão mais expostos aos vícios sociais.
Que exemplo terá um filho quando observa os pais a curtir também os prazeres da noite? Que exemplo terá um filho quando observa os seus progenitores a curar as ressacas de divórcios e separações, muitas vezes misturando calmantes (ter uma depressão tornou-se quase tão corriqueiro como lavar os dentes) e bebidas de alto teor alcoólico?

É impossível dourar a pílula no âmbito desta tenebrosa realidade. Em muitos casos, os progenitores financiam as farras das crianças ainda na pré-adolescência.
Depois, caso os filhos não se escudem na velha artimanha de ficar a dormir na casa de um amigo, vão busca-los a altas horas da madrugada aos locais de animação e, se calhar, poucos questionam os seus comportamentos por mais estranhos que sejam.
Depois, se a coisa corre mal no desempenho escolar, a culpa só pode ser dos docentes.
O melhor é ir à escola com vista a dar “um abanão ao banana do professor que não consegue perceber a genialidade do meu filho”.
E se o dito geniozinho revelar dificuldades em lidar com a traumática situação, o melhor mesmo é aumentar-lhe a mesada. Sempre terá uns trocos para beber mais um shot na próxima festa com amigos e colegas.



Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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