Carlos João Ávila
e toiros pelo todo
Há pessoas que gostam de sobressair através
do espalhafato e ruído, quantas vezes querendo passar por aquilo que não são,
ou pelos menos, sem competências próprias para o ser de facto.
Carlos João Ávila, que se despediu das
direções de corrida na Praça de Toiros da Ilha Terceira a 2 de julho, após 20
anos de funções, representa a antítese de tal paradigma.
Sabe das diferentes “podas” (televisão e
toiros, por exemplo), mas recusa pavonear-se. O seu desempenho, nas áreas
profissional e social, fundamenta-se sempre na competência sombreada pela
discrição.
Quer fazer parte solução do problema e nunca da
causa. Poderia (como muito outros o fazem) refugiar-se no “traje de luces” para
alardear sapiência, mas defende a prática que o conhecimento deve ser (com)partilhado
nos mais variados terrenos.
Em duas décadas como diretor de corrida
encarou o ofício/missão com a mesma (alta) dose de empenho e dedicação.
Todos lhe mereciam total respeito.
Cavaleiros, matadores, recortadores, bandarilheiros, forcados e, noutro prisma de
eventos taurinos, anões garraiadas dos estudantes fazem parte de um “puzzle”
montado à paixão.
É esta mesma paixão que lhe puxa para o mato
e arrais desta ilha (e doutras) à conta da corda. O toiro, sempre ele, preenche
a devoção sublinhada a amor por tudo o que é associado à festa brava.
Ser consensual é tarefa deveras complexa,
ainda mais num meio carregado de rivalidades exacerbadas e egos narcisistas.
Carlos João Ávila representa, na perfeição, a figura da concórdia porque
observa a realidade pelo todo e nunca pelas partes.
Durante 20 anos (1987/2007) realizou o
“Magazine Tauromáquico”, o programa mais antigo da RTP/Açores e que ensinava a
“ver” a realidade taurina até a um ceguinho.
Pior cego, já se sabe, é aquele que não que
mesmo ver. Por mim, faço questão de tentar aprender junto dos que possuem
bagagem para ensinar.
Quer nas touradas à corda, quer na
Petisqueira do Arco, em São Bento, acompanhando pelo canal específico as
corridas em praças espanholas, nem hesito em pedir esclarecimentos e ouvir a
opinião especializada e serena do Carlos João Ávila.
Quanto às postas de pescada oriundas dos
pseudo entendidos em matérias taurinas, o melhor é enfrentar as emoções fortes
do quinto toiro sem nunca perder de vista as paredes altas.


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