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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Do jornalista João Rocha



Carlos João Ávila
e toiros pelo todo

                                                         
                                                          



Há pessoas que gostam de sobressair através do espalhafato e ruído, quantas vezes querendo passar por aquilo que não são, ou pelos menos, sem competências próprias para o ser de facto.
Carlos João Ávila, que se despediu das direções de corrida na Praça de Toiros da Ilha Terceira a 2 de julho, após 20 anos de funções, representa a antítese de tal paradigma.

Sabe das diferentes “podas” (televisão e toiros, por exemplo), mas recusa pavonear-se. O seu desempenho, nas áreas profissional e social, fundamenta-se sempre na competência sombreada pela discrição.
Quer fazer parte solução do problema e nunca da causa. Poderia (como muito outros o fazem) refugiar-se no “traje de luces” para alardear sapiência, mas defende a prática que o conhecimento deve ser (com)partilhado nos mais variados terrenos.
Em duas décadas como diretor de corrida encarou o ofício/missão com a mesma (alta) dose de empenho e dedicação.
Todos lhe mereciam total respeito. Cavaleiros, matadores, recortadores, bandarilheiros, forcados e, noutro prisma de eventos taurinos, anões garraiadas dos estudantes fazem parte de um “puzzle” montado à paixão.
É esta mesma paixão que lhe puxa para o mato e arrais desta ilha (e doutras) à conta da corda. O toiro, sempre ele, preenche a devoção sublinhada a amor por tudo o que é associado à festa brava.
Ser consensual é tarefa deveras complexa, ainda mais num meio carregado de rivalidades exacerbadas e egos narcisistas. Carlos João Ávila representa, na perfeição, a figura da concórdia porque observa a realidade pelo todo e nunca pelas partes.
Durante 20 anos (1987/2007) realizou o “Magazine Tauromáquico”, o programa mais antigo da RTP/Açores e que ensinava a “ver” a realidade taurina até a um ceguinho.
Pior cego, já se sabe, é aquele que não que mesmo ver. Por mim, faço questão de tentar aprender junto dos que possuem bagagem para ensinar.
Quer nas touradas à corda, quer na Petisqueira do Arco, em São Bento, acompanhando pelo canal específico as corridas em praças espanholas, nem hesito em pedir esclarecimentos e ouvir a opinião especializada e serena do Carlos João Ávila.
Quanto às postas de pescada oriundas dos pseudo entendidos em matérias taurinas, o melhor é enfrentar as emoções fortes do quinto toiro sem nunca perder de vista as paredes altas.


Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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