JORNALISMO EM DESTAQUE

485º Aniversário da Cidade de Angra do Heroísmo

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Do jornal A União




DO TEATRO ANGRENSE À PASTELARIA LUSA


 Numa bela noite (bela sim, para cantar às estrelas) um espetáculo com uma jovem cantora vinda de França. Por ser novidade, o Teatro Angrense, do empresário Marcelo Pamplona, literalmente cheio. Uma cantora de França. Mas, nossa senhora, que dinheiro mal empregue. Então quando ela interpretou a canção “eu sou filha do sol”, era mesmo para levar com um bom punhado de batatas na tola. Uma enorme decepção.


Como sempre parava na Pastelaria Lusa, outra pequena sede do Angrense, obviamente que tinha como companhia, entre outras figuras gradas do burgo angrense, o nosso bem conhecido empresário Marcelo Pamplona, um “habitué” da Lusa e também por ser amigo pessoal do seu proprietário, o senhor Manuel Pereira da Costa, pessoa que sempre pautava as suas relações com os clientes de forma bastante simpática.

Ainda com a questão quente, encontrava-se na parte de dentro da Pastelaria Lusa a tomar o meu cafezinho expresso, bem tirado pelo meu amigo Costa (o empregado) quando sou interpelado pelo empresário Marcelo Pamplona: então, aquele golo foi legal ou não? Respondi de imediato: mas a que jogo se refere? Logo, Marcelo Pamplona dixit com toda a descontração: falam aí de um jogo entre o Lusitânia e o Angrense que o golo da vitória dos verdes foi precedido de fora-de-jogo. Quem comentou comigo isso foi o meu neto. Quando falou do neto, óbvio que só podia ser o Nuno, porque o outro neto não era de entrar no “futebolês”. Foi então que fui mais direto: é verdade sim, concordo que o golo foi irregular, mas o árbitro não viu nem o “liner” que atuava do lado do peão onde se concentra (va) a claque do Lusitânia. E o Marcelo Pamplona sempre a dar-lhe: pois é... o “liner” ficou com medo. É sempre assim... Enquanto que eu saboreava o meu cafezinho, Marcelo Pamplona, idem, idem, o seu “scotch” da ordem, seguido de uma charutada. Então foi a vez de eu passar ao contra-ataque: senhor Marcelo, adorei aquela cantora francesa que esteve no Teatro Angrense. Acho que devia ter ficado mais tempo na Terceira para cantar às moscas. Onde o senhor descobriu aquele “talento”? Impingiram-me e eu, dentro da boa fé, lá fui na onda. Na verdade, decepcionou. Senhor Marcelo, deve-se lembrar desta velha máxima que também tem a ver com o seu Teatro Angrense: “foi um autêntico massacre na plateia”. O homem, que sempre me mereceu o maior carinho, desatou a rir, visto que não esperava pelo... “massacre na plateia”. Será que ela vai voltar de novo à Terceira? Que venha as vezes que quiser, comigo não pega mais. Mas, senhor Marcelo, depois de tanto fiasco, o senhor devia ter devolvido o dinheiro a quem foi defraudado, embora esteja alheio a esse fracasso? Pois é... mas as contas já estavam feitas, a polícia já tinha recebido o seu dinheiro e ficava feio pedir a devolução. Mas isso já passou. Vamos é continuar a falar de futebol. Desta feita, não deixei o Marcelo Pamplona tomar a dianteira: pode ficar ciente que o golo foi mesmo irregular e que essa cantora francesa passou os 90 minutos do espetáculo sempre “fora-de-jogo” e só recebeu assobiadelas. É verdade: eu estava no meu camarote e só não peguei no sono porque as assobiadelas foram contínuas e ensurdecedoras. Tu assobiaste? Não. Fiquei quieto da vida porque adormeci e só acordei quando alguém me sacudiu e transmitiu que o espetáculo tinha terminado. Ainda esbocei a tentativa de um aplauso, mas a cantora já tinha saído do palco sob vaias. O aplauso só para ser simpático.
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

Sem comentários:

Enviar um comentário