Saber vizinhar
Antes um mau ano do que um mau vizinho. Quem diz é o povo, na sua infinita
sabedoria, e por isso há que saber vizinhar (ser vizinho, aproximar-se...). O
vizinho, na realidade, tem multifunções, a começar pela sua localização ao pé
da porta. Se falta alguma coisa, à última da hora, na cozinha, a quem é que a
dona
de casa há de recorrer? À compreensão do vizinho, nesse caso mais à
cara-metade do chefe de família (utilizando uma linguagem mais
tradicionalista), para que se possa remediar com um
pé de alface ou meia cebola. Despedindo o avental, já entre homens, quem é que
empresta a quem o corta relva quando a avaria tem de passar por mão
especialista? O vizinho ao vizinho, está bom de ver.
E, por exemplo, quando o problema atinge, em partes
iguais, o casal? Foram convidados para jantar fora e não há ninguém para tomar
conta dos miúdos. A solução? Pedir aos vizinhos para tomar conta dos filhos.
Possibilidades de resposta negativa? Praticamente nulas. Os vizinhos acabam,
mais cedo ou mais tarde, por também serem convidados a jantar fora de casa...
Na casa do vizinho, ainda se pode, perfeitamente,
"virar" umas frescas com pipocas em dia de futebol na televisão.
As vizinhas, por sua vez, são exímias na arte da
conversa quando existe um mexerico que meta em alvoroço os mundos real e
virtual.
Claro que, nas permutas, há sempre um
desfavorecido. O vizinho que tem mais dinheiro, nestas coisas de vizinhar,
acaba por ser solicitado em maior escala.
Mas, se optar por uma tática inteligente, conseguirá
explicar ao vizinho, menos endinheirado, de que mais importante do que pedir
peixe emprestado, é saber pescar - o vizinho até pode ir com ele tentar a sorte
com o anzol.
E, para terminar e por falar em pesca, siga à risca
o conselho de que não vale a pena cair na tentação de cobiçar a mulher do
próximo quando este está...próximo. Um bom vizinho não merece tal desfeita.


Sem comentários:
Enviar um comentário