PIONEIRO,
PORTEIRO, TOUREIRO
PIONEIRO – O Natal sempre foi e será sempre a
festa da família, se bem que, em tempos idos, esta quadra tinha um sabor muito
especial, sobretudo nas visitas que se faziam a casa dos amigos e conhecidos, e
sempre se perguntava se o “menino urinava”, uma prática muito comum. Tempos que
jamais retornarão.
A partir do ano de 1958-1959, o Sport Club Lusitânia, então presidido por
Rafael Moniz, promoveu na sua sede social, sita na Rua de São João (creio que
hoje funciona o Centro de Emprego), o Natal do Atleta, acontecimento marcante,
uma vez que se tratou de uma iniciativa pioneira, mais tarde seguida por
diversas coletividades congéneres. Nesse ano, a sede do Lusitânia era simples,
à semelhança de outras, mas com o condão de ser bastante higienizada. E,
curiosamente, a sede dos “verdes” bem próxima à do rival Angrense, então
funcionando por cima da firma FAV. Hoje está um pouco mais ao lado, bem
diferente e com uma apresentação digna dos maiores encómios, após uma
reestruturação levada a cabo pela atual direção.
O referido Natal do Atleta, contou com a presença de figuras ilustres, entre as
quais o indefectível lusitanista Dr. José Correia Bertão (RIP). Na altura, três
categorias funcionavam: Principiantes, Reservas e Honra. E foi assim que teve
início o ciclo do Natal do Atleta, com o Lusitânia a assumir-se como pioneiro.
Nesse sentido, contra fatos não há argumentos. Lusitânia que também foi pioneiro
na participação de equipas açorianas em provas de âmbito nacional. Hoje, e como
se sabe, o clube passa por um dilema face a uma dívida que atinge os quatro
milhões de euros. Em suma, um clube histórico em maus lençóis.
PORTEIRO - José Rocha Lourenço, o último latoeiro da Terceira, atualmente com
82 anos, mas ainda no ativo, foi homenageado na sessão mensal de
jantar/palestra que o Rotary Clube de Angra Cidade Património Mundial promoveu,
na noite da passada terça-feira. Na altura, o presidente do Clube, João Maria
Mendes, entregou a Rocha Lourenço uma placa alusiva onde se pode ler:
"Homenagem do Rotary Clube de Angra do Heroísmo Cidade Património Mundial
ao último latoeiro da ilha Terceira José Rocha Lourenço. 23 de Outubro de
2012".
Ora, de José Rocha Lourenço, “o nosso José” como lhe chamava o falecido António
Faustino de Borba (carismático dirigente do Angrense e da AFAH), tenho más e
boas recordações quando ele foi porteiro da AFAH no então Campo de Jogos da
Cidade. O José, por norma, era colocado pelo chefe (um senhor que trabalhava na
Câmara Municipal e que morava nas Cinco Ribeiras) na porta de entrada pelo lado
do castelo, como vulgarmente se dizia. Com ele não havia “baldas”, isto é,
ninguém entrava sem se identificar com o respectivo cartão de atleta e/ou de
dirigente. Chatinho como tudo, mas lá tinhas as suas razões e, também, cumpria
com as instruções que lhe eram passadas. Com a saída do senhor Melo, o José foi
a pessoa indicada para ocupar o lugar de chefe, quiçá pelos bons serviços prestados
na qualidade de porteiro. E devo dizer que o José não era para alguns um “bem
amado”, mas em consciência isso não lhe afetava nada, visto que tinha sempre em
mente de cumpria com o seu dever. Como chefe dos porteiros, manteve-se firme a
essa política que sempre seguiu anteriormente. E creio que todos os presidentes
da AFAH que com ele lidaram, aprovaram a sua forma de estar. Manda a verdade
dizer que o José era (foi) mais rigoroso que o senhor Melo. Uma questão de
feitio, não se preocupando com inimizades que daí poderiam advir. Eu, ma
qualidade de atleta do marítimo, cheguei a ser barrado pelo José. Tratava todos
por senhor e a frase era sempre esta: “se não tem cartão, não entra”. Assim do
género, “daqui não saio, daqui ninguém me tira”. E foi assim, com esse mérito,
que chegou a chefe dos porteiros.
Portanto, parabéns ao José Rocha Lourenço por continuar bem ativo com os seus
82 anos de idade. Afinal, o último latoeiro da ilha Terceira. Para continuar
por mais alguns anos.
TOUREIRO - Como atleta, praticou algumas modalidades desportivas. Mas foi no
futebol onde a sua prestação foi relevante, nomeadamente no Sport Club
Lusitânia e, mais tarde, no Sport Club Marítimo. Digamos que a pessoa em causa
fez parte do lote dos melhores jogadores que passaram pelo futebol açoriano. E
estava eu no departamento de futebol Lusitânia (eu, Zeca Berbereia, Alberto
Cunha, Elvino Bettencourt) quando, numa tarde chuvosa na Praia da Vitória, num
jogo em que o Lusitânia defrontou o União Desportiva Praiense, o dito cujo se
envolveu numa cena desagradável com o árbitro Jorge Cipriano. E fui eu que, em
1968, dirigi um jogo Lusitânia – Praiense, em Angra, e que no final o mesmo
jogador, depois do jogo terminar e nas imediações do campo, entrou numa briga
com o Coelho pelo fato de este, durante o jogo, o ter ofendido. Só sei que
bateram à porta do meu vestiário e que respondi: estou no banho, nada sei nada
vi. Fernando Lopes era o treinador do Praiense.
Mas deste jogador, de nome Luís António Meneses Borba (o “menino” Luís António),
guardo recordações de boa amizade. As duas atitudes que tomou aconteceram pelo
fato de se sentir injustiçado em uma (Jorge Cipriano) e ofendido na outra
(Coelho). De resto, um atleta sempre correto.
Por outro lado, o “menino” Luís António também se transformou num apreciável
toureiro de rua e até se dizia, por brincadeira, que andou na “escola do João
dos Ovos”, outro toureiro de rua que o povo admirava. Se efetivamente houvesse
uma lista referenciada, a título de honra ao mérito, Luís Borba fazia parte do
grupo dos melhores.
PS – Há bem pouco tempo, vi uma foto (facebook) do “menino” Luís António numa
tourada. Será que ele ainda faz das suas em frente de um touro? Acredito bem
que sim.

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