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domingo, 26 de novembro de 2017

Luís Bretão - Um terceirense de causas - Depoimentos


Ilha Terceira

Francisco Fialho

Vou tentar satisfazer o compromisso que assumi de falar do Luís Bretão na área do desporto. É um trabalho difícil que a minha memória poderá atraiçoar, tantas foram as vivências que partilhámos desde os anos 60 do século passado.
Como praticante a sua principal actividade foi ser árbitro de basquetebol, modalidade que lhe deu a mulher Luísa, companheira de sempre e minha amiga, de quem “tomei conta” a pedido do seu pai, Senhor João Ávila, numa deslocação da equipa feminina do Lusitânia a S. Miguel, ao recinto do União Desportiva, em frente à Cervejaria Melo e Abreu.

O Luís tinha mais grito para mandar do que jogar. E como Presidente da Associação dos Desportos de Angra do Heroísmo que no início da década de 70 idealizou e concretizou a "campanha do bloco e dos sacos de cimento”, que permitiu a cobertura do denominado “Rink de Patinagem”, onde se viveram muitas noites inesquecíveis dos “desportos pobres” e hoje é o Pavilhão Multiusos Luís Bretão.
O auge do dirigismo desportivo do Luís Bretão acontece depois do 25 de Abril, quando se torna Delegado da Direcção Geral dos Desportos. Vive-se uma autêntica revolução com o então designado “Desporto para Todos” onde uma numerosa equipa de colaboradores leva pela primeira vez à prática de muitas modalidades a quase todas as freguesias da Ilha Terceira e também à Graciosa e S. Jorge, com delegados locais.
As acções de formação sucederam-se, criando-se instrutores, árbitros, estruturas, entrega de material desportivo e principalmente pôs-se as crianças e juventude a jogar e correr. Até se dizia que o desporto fazia concorrência à catequese!...
Orgulho-me de ter pertencido a esse grupo através da Comunicação Social, em que um programa semanal na Rádio Clube de Angra era o principal divulgador da Direcção Geral dos Desportos. Começaram os intercâmbios desportivos e estágios, locais, inter-ilhas e Continente.
Cometeram-se alguns erros mas o balanço foi muito positivo em tempos de grandes convulsões políticas.
O Luís foi Presidente do seu Lusitânia numa época difícil, tendo cumprido o mandato de forma satisfatória.
Permito-me à margem do essencial do tema, recordar os saudosos tempos em que aos domingos me juntava ao Luís Bretão. Antonino Borba e saudoso João Ernesto (Morcilha) para vermos os jogos de futebol do Lusitânia no Municipal de Angra do Heroísmo e o Praiense no pelado da Praia da Vitória, para a Série E da 3.ª divisão, com intervalos bem prolongados para o nosso lanche!
Seguramente que falar do papel do Luís Bretão no Desporto Terceirense dava para um livro: episódios deliciosos com árbitros, prendas, etc., etc.
Em conclusão, registo:
Luís Bretão foi trabalhador, criativo, dinâmico e apaixonado pelos diversos cargos directivos que exerceu. Não lhe faltava, por vezes, teimosia, ingenuidade e vaidade. Terá sido a mistura de todos estes factores que lhe deram fama e mérito. Mas a vida de Luís Bretão terá sempre mais valor, evocando aqui e agora todos aqueles que generosamente colaboraram com ele.
Um abraço amigo do Fialho.

Francisco Fialho - Lisboa, Março de 2014
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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